echoes in motion: traces through performance – exposição de vítor cavalheiro

06 > 27 MAIO 2025 I GALERIA BELAS-ARTES
Inaugura no dia 6 de maio, na Galeria da Faculdade de Belas-Artes a exposição Echoes in Motion: Traces through Performance de Vítor Cavalheiro, com curadoria de Sofia Tudela.
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
Echoes in Motion parte de uma investigação visual sobre o gesto, o rasto e a memória da performance.
Nesta série, intitulada de Oscillation, o artista explora a técnica lenticular — um processo quase esquecido que sobrepõe várias imagens numa só superfície, manipulando a perceção através de pequenas lentes que reagem ao movimento do olhar. A lenticularidade, com as micro-lentes que fragmentam e recompõem a luz, é aqui usada não apenas como ferramenta estética, mas como conceito: multiplicar a imagem, suspender o tempo, fragmentar o instante e torná-lo matéria — objeto.
As fotografias, captadas de forma intencionalmente espontânea e quase anti-técnica, resultam em manchas, sobreposições e abstrações visuais que desafiam a leitura imediata. Esta “imperfeição” formal aproxima-se da verdade crua da experiência ao vivo, onde o caos e o corpo falam mais alto que a nitidez. Mais do que documentar, estas imagens procuram diluir o figurativo até quase o perder, para reencontrar, nas manchas de luz, a memória sensorial do som, da vibração e da multidão.
A série explora as possibilidades de traduzir a energia efémera do palco num objeto visual, único e dinâmico — uma imagem que não se fixa, mas que, tal como o som, oscila e se transforma dependendo do movimento do corpo do espectador. Ao movimentar-se diante das imagens, o espectador ativa a transformação: as cenas ganham profundidade, vibram. Esta metamorfose não é apenas técnica — é emocional. A performance é convocada de novo, como um eco em loop, tornando-se tangível mesmo fora do palco, criando desta forma um paralelismo entre o espectador que observa a obra como o que observa a performance.
Através deste projeto nasce o cruzamento entre processos analógicos e digitais, movido por um fascínio por tecnologias visuais quase obsoletas, que acompanham a sua memória afetiva — O artista resgata a linguagem visual dos anos 90 — nostálgica como os Tazos das nossas infâncias — que reaparece aqui como eco visual e tátil e funde-a com uma paixão ‘antiga’: a música ao vivo. Esse lado nostálgico não é decorativo, mas operativo: fala de uma linguagem visual que já foi popular, física, lúdica — e que agora é recontextualizada para captar o tremor intenso e físico dos concertos, neste caso, da banda MAQUINA. Não se trata apenas de retratar a banda, mas de dar corpo ao movimento, prolongando-o através de uma técnica que, tal como a própria performance, vive da transformação e da presença.
Esta exposição pretende fazer ressoar a energia visceral dos concertos da banda como se cada obra fosse um encore visual. Estas imagens captam a intensidade crua de três concertos da banda, durante o ano de 2024. É a ligação pessoal e artística com a banda — e, sobretudo, a natureza frenética e hipnótica das suas atuações — que torna esta colaboração inevitável.
Echoes in Motion transforma a fotografia numa extensão performativa: cada peça não é apenas uma representação, mas um vestígio ativo, um artefacto em contínua mutação. Um eco em forma de mancha que insiste em continuar a oscilar. Cada imagem é um objeto. Em vez de documentar, estas fotografias encarnam. São presença que reverbera. Movimento que permanece.
Sofia Tudela