resistência ou estudos de dinâmica de corpos transientes
31 MAIO > 28 JUNHO 2025 I GALERIA DA BIBLIOTECA E ARQUIVO DO MUNICÍPIO DE GRÂNDOLA
Resistência ou Estudos de Dinâmica de Corpos Transientes
Instalação vídeo, monocanal, estéreo, 17’08’’, 2025
Rogério Taveira
Resistência ou Estudos de Dinâmica de Corpos Transientes constrói-se como vídeo experimental que dá corpo à exposição homónima, concebido a partir de um processo dialógico de escuta e coautoria com as comunidades do Canal Caveira e do Lousal.
Este território, marcado por camadas estratificadas de extração e abandono, encarna uma presença espectral: resíduos materiais da industrialização mineira que persistem como vestígios intensivos, instaurando um campo de resistência ontológica onde o passado recusa ser aniquilado. A paisagem, a memória e o mito entram em tensão produtiva, compondo uma vibração contínua entre o visível e o latente, não como síntese conciliatória, mas como regime de fricção. Neste espaço, as camadas históricas, materiais e afetivas coexistem de forma irresolúvel, operando como agenciamentos dissonantes de resistência, em constante renegociação e ressignificação. As imagens convocadas não funcionam como registos documentais, mas como ativadores de um tempo espectral. Pinturas naturalistas, flores artificiais e fotografias de arquivo do início do século XX operam como fragmentos visuais em suspensão, oscilando entre o desejo de fixação e a instabilidade própria da matéria-tempo. Estruturado em quatro movimentos, o vídeo desenrola-se como um compósito de ritmos e intensidades, explorando possibilidades interrompidas, trajetórias não lineares e corpos transientes.
Estes corpos, singulares, coletivos e territoriais, recusam a linearidade das narrativas hegemónicas e abrem espaço para uma política do sensível que se afirma na fricção e na duração. Propõem uma estética da insistência. Resistir, neste contexto, não implica confronto direto, mas sim a capacidade de habitar os interstícios, persistir na margem, no inacabado, no que escapa à fixação. A revolução não se manifesta como rutura, mas como rotação, movimento contínuo, por vezes impercetível, mas profundamente transformador. Propõe-se, assim, uma prática sensível e política que questiona os modos de ver, ouvir e estar com o outro, num ensaio visual onde o que permanece em ruína também pulsa como potência.
Horário:
2ª a 6ª – 9h30/19h
sáb. – 10h/13h
