Exposições
posts displayed by category
o corpo da fisionomia
Mai 17 201909 > 29 MAIO I GALERIA BELAS-ARTES
Inaugura no dia 9 de maio, às 18h00, na Galeria das Belas-Artes, a exposição O Corpo da Fisionomia de Artur Ramos. A exposição ficará patente até 29 de maio.
horário schedule
2ª a 6ª › 11h–19h
monday to friday › 11am to 7pm
Informamos que este evento poderá ser registado e posteriormente divulgado nos meios de comunicação da instituição através de fotografia e vídeo.
Muitas vezes fazemos um desenho e ficamos satisfeitos com o resultado, mais tarde desapontamo-nos ao olhar para o mesmo desenho, ele parece não resistir à ausência do seu modelo. Nos meus trabalhos procuro que o desenho resista à passagem do tempo e ao desaparecimento do seu próprio referente.
Esta seleção de trabalhos testemunha um percurso de anos em torno do retrato e da figura humana, tema a que me dedico exaustivamente quer como docente quer na minha investigação e prática artística. Mostram diferentes aproximações ao nível do detalhe fisionómico, da estética e dos processos de registo envolvidos. Mas aquilo mais importante que os une é o facto de terem sido executados sempre a partir da presença do modelo. Como tal, este tirar do natural impõe um limite de tempo. Ao fim desse tempo e a partir do próprio desenho, descobre-se quase que intuitivamente a ordem e a lógica que une as diversas partes do rosto e dão verdadeiramente sentido à fisionomia. Essa coerência que se pensa ter vislumbrado, mas que parece fugir constantemente, é a motivação para começar um novo desenho. Esta lógica que se encontra exemplarmente na concordância dos traços do rosto estende-se também a todo o corpo. Ou seja, para além dos cânones, podemos acreditar que existe para cada corpo uma concordância onde a cada orelha só pode corresponder um dedo ou uma linha do joelho. É esta especial relação que tento alcançar frente ao modelo. Assim, cada retrato é uma aposta num sentido fisionómico que nunca está confirmada e cada figura é uma confirmação de como a perfeição e o cânone é algo muito longínquo.
Lisboa, 9 de Maio 2019
Artur Ramos
Do Retratar enquanto problema
Se o desenho tem na sua génese um exercício de pensamento, a coincidência entre ver e pensar alcança no acto de retratar o seu mais alto expoente. Observação: concentrar-se no natural, e abstracção: sondar o essencial de uma presença, mobilizam a circularidade bidireccional que ora aproxima ora distancia o sujeito (retratista) em relação ao seu objecto. Este, por sua vez, não é um modelo a reproduzir, mas um outro sujeito a desvendar. O retratista enfrenta o problema da realidade e da idealidade: ver no presente o possível, na actualidade uma memória.
A autenticidade do retratado não poderia resultar da objectividade neutra – a adequação a esquemas descritivos da anatomia, ou a tipos genéricos da fisionomia humana –, muito menos, do subjectivismo dos estilos pessoais ou de ensaios de uma imaginação abandonada ao seu livre curso. A intuição da natureza característica de um ser humano e a sua apresentação em imagem dá-se num processo temporal contínuo que vai traduzindo e fixando em traços seus os traços identitários que compõem uma individualidade. O retratista enfrenta o problema da mobilidade e da permanência: ver na sucessividade a simultaneidade.
Muito discutida tem sido a questão da individualidade e, por maioria de razão, a questão da identidade pessoal, e qualquer definição peca por limitativa. Simplificando, dir-se-á que uma pessoa é a unidade indivisa entre subjectividade e corpo: um Eu corporizado. No caso do retrato, a personalidade mostra-se tanto mais rica quanto mais dela transparecer uma figura viva, um rosto que é o rosto de um corpo determinado e no qual se espelham sinais da vida interior. O retratista enfrenta o problema da revelação de estratos profundos em forma acabadas: transitar da multiplicidade à unidade, e desta àquela.
A investigação teórica e artística de Artur Ramos prossegue um intenso trabalho de resolução destes, que são, em última análise, problemas fundamentais da existência humana. Nos desenhos agora expostos, a expressão da individualidade estende-se da caracterização minuciosa das feições de um rosto à totalidade de um corpo peculiar, esbatendo a hierarquia entre cabeça e corpo e adensando o mistério de uma vida que é tanto vida quanto morte.
Adriana Veríssimo Serrão
Artur Ramos, nasceu em Aveiro em 1966. Licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa em 1992. Mestre em Estética e Filosofia da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 2001. Doutor em Desenho pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa em 2007. É docente de Desenho na FBAUL desde 1995. É autor de várias publicações sobre retrato das quais se destaca o livro publicado em 2010, Retrato: o Desenho da Presença.
Participou em inúmeras exposições das quais se destacam as exposições individuais: Da Beleza Da Sombra À Luz Do Olhar, desenhos e pinturas, na Galeria SOCTIP em Lisboa em 1992, Desenhos, na Galeria da Sociedade Cooperativa de Gravadores Portuguesa Gravura, em Lisboa, 1995, O Olhar da Paisagem, Desenho e Pintura, na Galeria de Colares em Colares, em 2004 e Corpos Desconhecidos, no Museu Militar de Lisboa em 2018.
O seu estudo académico e a sua produção artística questionam os limites da correção sem a perda da semelhança na representação da figura humana e em particular no retrato. Como pode um retrato ou uma figura ser mais convincente que o próprio modelo. Como pode uma representação mostrar tudo aquilo que a pessoa é mas que dificilmente dá a ver, é a principal questão que os seus textos, desenhos ou pinturas procuram formular.
IT TAKES SEVERAL MINUTES FOR THE EYES TO ADJUST TO THE DARK Design e ficção—uma hipótese
Mai 17 2019
13 > 20 MAIO I FBAUL
Mostra de Finalistas de Design de Comunicação (take 1)
13 a 20 de Maio, vários espaços das belas-artes
It takes several minutes for the eyes to adjust to the dark apresenta um conjunto de ficções desenvolvidas pelos alunos finalistas de Design de Comunicação, que partem de um processo subjectivo de adaptação de um filme. A partir da ficção, os espaços ou ambientes imersivos que agora se expõemtestam a hipótese de se estabelecer uma relação (inusitada) entre cinema e design, para além das inevitáveis zonas de influência ou de fascínio, ou dos contratos recorrentes e utilitários de colaboração entre as duas disciplinas (cartaz, genérico, etc.). Por outras palavras, questionámos como pode a ficção, a partir da zona de influência directa do cinema, servir o projecto. Por outras palavras, como pode a ficção servir ao design.
O primeiro momento da mostra de alunos finalistas de design de comunicação inclui ainda um ciclo de cinema composto por alguns dos filmes que serviram de mote à actividade projectual.
PROGRAMA
13 de Maio
Sheltered
(a fiction based on Safe de Todd Haynes)
Sala de convívio AEFBAUL, 10h-13h
Encenado
(a partir de Portrait of Jason de Shirley Clarke)
Sala 4.05, 10h-13h
Searching for Norma Desmond
(a fiction based on Sunset Boulevard de Billy Wilder)
Sala 4.14, 14h-16h
Puro e duro: e se a nossa pequenez fosse a única ficção?
(uma ficção a partir de Belarmino de Fernando Lopes)
Átrio 4.15, 14h-16h
14 de Maio
As Mil e Uma Noites, Vol. 1 O Inquieto (Miguel Gomes, 2015)
Capela, 18h
15 de Maio
Por minha culpa
(uma ficção a partir de Redemption de Miguel Gomes)
Sala 3.67, 10h-13h
If_then. Do you know what your actions will do for us all?
(uma ficção baseada em O Laço Branco, de Michael Haneke)
Sala 4.22, 10h-13h
Tecto: muralha urbana
(uma ficção a partir de La Haine de Mathieu Kassovitz)
Sala 4.14, 10h-13h
Religiosae opus apes
If women were the dominant gender, what would have changed today.
(uma ficção baseada em La Religieuse de Jacques Rivette)
Capela, 14-17h
A fight is never just a fight
(uma ficção a partir de São Jorge de Marco Martins)
Átrio 4.15, 14h-17h
Estado d’Alma
(uma ficção a partir de JFK de Oliver Stone)
Sala 4.19, 14h-17h
F for Fake (Orson Wells, 1963)
Capela, 18h
16 de Maio
La Mujer sin Cabeza (Lucrecia Martel, 2008)
Capela, 18h
17 de Maio
Safe (Todd Haynes, 1995)
Capela, 18h
18 e 19 de Maio (GAB-A)
As foretold
(a fiction based on Barry Lindon by Stanley Kubrick)
Galeria AEFBAUL
Towards the Omega Point
(a departure from The Headless woman by Lucrecia Martel)
Grande Auditório
Daze
On and beyond the unconscious, our thoughts, our inner selfes, are dazed by revelations
(a fiction based on Clockwork Orange by Stanley Kubrick)
Sala 3.49
Hypnopompic State
What if there were no barriers between dream and reality?
(a fiction based on The Sacrifice de Andrei Tarkovsky)
Sala 4.05
Pode ser vento/eco/silêncio/sombra
(uma ficção a partir de Através das oliveiras de Abbas Kiarostami)
Sala 4.09
A memória e a gente: um manual revisto da história portuguesa possível (segundo as lições de José Hermano Saraiva)
(uma ficção a partir de Reminiscences of a journey to Lithuania, por Jonas Mekas)
Sala 4.12
O imprudente
(uma ficção a partir de As Mil e uma noites, vol. 2 O desolado, de Miguel Gomes)
Sala 4.15
Lilith 99942—O Onírico e o Fim do Mundo
(uma ficção a partir de Dancer in the Dark de Lars von Trier)
Sala 4.25
20 de Maio
Sans Toi ni Loi (Agnès Varda, 1985)
Capela, 18h
todos somos água
Mai 17 2019
16 > 23 MAIO I CISTERNA BELAS-ARTES
Inaugura no dia 16 de maio, às 18h00, na Cisterna das Belas-Artes, a exposição Todos somos Água de Mikha-ez, com coordenação de João Castro Silva e curadoria de Francisca Gigante e Gabriela Giménez. A exposição ficará patente até 23 de maio.
horário schedule
2ª a 6ª › 10h–12h e 14h-18h
dias 18 e 19 de maio > 14h-19h
Para marcar visitas fora deste horário por favor contatar: mikhaez@usal.es
monday to friday › 10-12am and 2-7pm
18th and 19th may > 2-7pm
To plan a visit on another schedule please contact: mikhaez@usal.es
Informamos que este evento poderá ser registado e posteriormente divulgado nos meios de comunicação da instituição através de fotografia e vídeo.
Tejo
Para quem é de Lisboa o rio Tejo é nosso, não nos interessa de onde veio nem para onde vai.
Para os lisboetas o Tejo é mais do que um rio, é, como Garrett o descreve, um pequeno mar fechado[1] que condensa aquilo que o Mediterrâneo representa para a cultura clássica.
O rio Tejo de Lisboa não tem um curso, não é linear – como a perspectiva judaico-cristã do tempo – não tem uma trajectória circunscrita por uma linha histórica determinada, uma série evolutiva de fatos históricos inéditos. Não é uma sucessão contínua de eventos irrepetíveis e irreversíveis nem uma recta ininterrupta de registos históricos singulares onde todos os eventos possuem sentido, na medida em que ocorrem em vista de uma finalidade última.
Para os lisboetas, tal como o seu Rio, a natureza segue um trajecto circular, símbolo da perfeição. O Tejo de Lisboa não tem um começo nem um fim, nem nascente nem foz, é cíclico – como a abordagem que os gregos primitivos e os camponeses[2] fazem do tempo. É uma permanente sequência de ciclos repetitivos sem começo nem fim, um eterno retorno, um círculo inexorável.
Mais do que um rio, o Tejo de Lisboa é um mar, que se chama da Palha, e toda a vasta região à sua volta, um “mar entre terras”[3]. Um centro vital, uma unidade funcional geradora de coerência económica, política, social e cultural.
Mas “a visão escatológica do cristianismo promoveu o sentido de mudança progressivo”[4] e para o homem moderno, seguindo também o pensamento de Newton, o tempo tem direcção, a mudança é progressiva, a linha recta é o percurso natural de toda a matéria em movimento. Há um início e há um fim. A água do “nosso Rio” chega a Lisboa envenenada pelos vazamentos, a montante, de esgotos domésticos e industriais e de material radioactivo. Elevados níveis de fósforo e de azoto e baixo teor de oxigénio que não permitem vida.[5] Os 1.007 quilómetros de curso do Tejo são usados como despejo.
A partir do ano de 1981 é feito o primeiro transvase do rio Tejo para o rio Segura, na província de Múrcia, a maior obra de engenharia hidráulica da Península Ibérica. “O projecto foi criticado desde o primeiro dia pelos defensores do rio de várias províncias da região autonómica Castela – la Mancha. A resposta do Estado espanhol foi sempre a da valorização económica de um bem que dizia existir a mais no Tejo e a menos no levante espanhol.”[6]
Neste momento cresce o número de movimentos de defesa do rio. Tenta-se convencer o Estado espanhol a reduzir o caudal do transvase. Nas regiões afectadas de Castela – la Mancha não se pede apenas a redução do caudal mas o seu fim, especialistas garantem que, “a bacia do rio Segura tem recursos próprios suficientes para responder a todas as suas necessidades de água actuais e futuras desde que ambientalmente sustentáveis.”[7]
Diz-nos John Berger que “A história moderna tem início – em momentos diferentes e em diferentes lugares – quando o princípio do progresso tornou-se o móvel e o objectivo da história.”[8] Baseadas numa visão judaico-cristã do tempo, as culturas do progresso, imaginam uma expansão, são orientadas para o futuro porque este é a esperança de qualquer coisa melhor e maior. Para a cultura grega clássica arcaica, camponesa, tudo está condenado a girar eternamente na roda da história, o futuro é uma sequência de actos. “Cada ato passa uma linha pelo olho da agulha e a linha é a tradição. Não se imagina nenhum aumento global.”[9]
Se os dois modos de conceber o tempo poderão ser irreconciliáveis, já que “Os dois movimentos são duas maneiras diferentes de percorrer um círculo. (…) Aqueles que possuem uma visão linear do tempo não conseguem aceitar a ideia do tempo cíclico: ela cria uma vertigem moral, já que toda sua moralidade se baseia na causa e efeito.”[10], o que Mikha-ez nos propõe é tentar harmonizar a visão moderna de tempo – consumista, selvagem, destruidora – com a dimensão cíclica de eterno retorno – natural, equilibrada, sustentável – pela condição intrínseca da água, de sermos água.
João Castro Silva
Lisboa, 14.03.19
[1] “a imensa majestade do Tejo em sua maior extensão e poder, que ali mais parece um pequeno mar mediterrâneo” in GARRET, Almeida, Viagens na Minha Terra, ed. Europa América, s/d, p. 46
[2] “o camponês possui basicamente uma visão cíclica do tempo. (…) Aqueles que possuem uma visão cíclica do tempo conseguem aceitar com facilidade a convenção do tempo histórico, que são simplesmente os vestígios da roda a girar.” in BERGER, John, Terra Nua, (trad Roberto Grey) ed. Rocco, Rio de Janeiro, 2001, p. 15
[3] MATOS, José Sarmento de, As Chegadas, ed. Temas e Debates, 2008, p. 35
[4] TUAN, Yi-Fu, Topofilia, um estudo da percepção atitudes e valores do meio ambiente, ed. Eduel, Londrina, 2012, p. 207
[5] https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/como-espanha-envenena-a-agua-do-rio-tejo
[6] https://www.publico.pt/2017/11/19/sociedade/noticia/o-que-e-o-tejosegura-1793081
[7]ibidem
[8] BERGER, John, Terra Nua, (trad Roberto Grey) ed. Rocco, Rio de Janeiro, 2001, p. 18
[9]Ibidem
[10] BERGER, John, Terra Nua, (trad Roberto Grey) ed. Rocco, Rio de Janeiro, 2001, p. 15
1007 km mede o Rio Tejo, o rio mais longo da Península Ibérica, desde que nasce em Fuente García (Teruel, Espanha) até que derrama as suas águas no Oceano Atlântico, passando antes pelo Mar da Palha (Lisboa, Portugal).
Um dia todos fomos peixes, propôs o artista carioca Ernesto Neto na sua exposição da Blue Foundation em Barcelona[1]. Todos somos água é uma reflexão sobre essa substância que temos em comum, essa que no começo da vida é cerca do 70% do nosso corpo, uma percentagem muito semelhante à que ocupa na superfície terrestre. Afinal, como Jean-Luc Nancy disse em Corpus, o nosso corpo é “un peso específico de agua y de hueso”[2].
A instalação, concebida para a Cisterna da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, é estruturada através de uma linha imaginária composta por três colunas de som. Uma “linha” que reproduz simbolicamente a rota da água do Rio Tejo, o Mar da Palha e o Oceano Atlântico. Três colunas de som, localizadas em ambas extremidades e no ponto médio da cisterna, que reproduzem em loop os sons dessas três águas de naturezas tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo. Uma “linha” que é também uma guia para o trajeto empreendido pelo usuário neste espaço escuro que cheira a humidade, que é preenchido com uma espécie de bruma onde um vídeo é projetado e atravessa esta neblina. Uma metáfora do curso da vida, que começa nas águas do ventre materno e, como um rio que flui de uma fonte, atravessa os obstáculos alargando-se no final do seu caminho, repleto de experiências.
Mikha-ez
[1] NETO, Ernesto, «Um dia todos fomos peixes», Blue Foundation, acesso dia 19 de junho de 2018, www.blueprojectfoundation.org/es/exposiciones/item/um-dia-todos-fomos-peixes.
[2] NANCY, Jean-Luc, Corpus (Madrid: Arena Libros, 2010), 11.
gab-a — 13ª edição das galerias abertas das belas-artes
Mai 17 2019
18 > 19 MAIO - 14H/19H – ENTRADA LIVRE
Durante o fim-de-semana de 18 e 19 de maio de 2019 a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa vai acolher a 13ª edição das GAB-A / Galerias Abertas das Belas-Artes.Participam alunos e ex-alunos dos vários cursos que a escola integra: Arte Multimédia, Ciências da Arte e do Património, Desenho, Design de Comunicação, Design de Equipamento, Escultura e Pintura.
As GAB-A são um fórum de discussão e mostra de jovens artistas, produtos de investigação artística e obras em contexto de ensino superior artístico público, integrados no espaço físico onde são pensados e produzidos.
Não é uma comum exposição em galeria, museu ou centro cultural. É a abertura dos espaços de trabalho e de investigação artística que a Faculdade de Belas-Artes contém, num espírito de oficina, de atelier ou de estúdio.
As GAB-A são um evento de partilha com públicos exteriores que depende da vontade dos seus participantes, das solicitações, motivações, e da oportunidade e convites que, depois de cada edição, lhe são dirigidas.
É um espaço de grande informalidade, com a presença dos jovens autores. Um fórum / feira, onde se ensaiam questões pragmáticas como o universo do contacto com o mundo exterior, a constituição de grupos e projetos ou a definição de estratégias de ações futuras. Um momento de troca de experiências e de aplicação de conhecimentos.
Nas GAB-A não há seleção de obras nem de participantes por qualquer entidade que não o próprio autor, possibilita-se que cada estudante teste a sua capacidade de decisão, de autocrítica e de autonomia. São convidados a participar todos os alunos que o queiram fazer, todos os que tenham a segurança e a determinação que qualquer profissão exige.
Possibilita-se a fruição de um ambiente de fórum de arte atual, no contexto do seu núcleo embrionário (o local de aprendizagem e investigação) o que propicia interrogações sobre os mundos, sobre a arte e sobre o mundo da arte.
Nas GAB-A estabelecem-se pontes entre todos os ciclos e níveis de ensino. Participam alunos que frequentam a Faculdade há seis meses ao lado de outros que a frequentam há muitos mais anos (licenciandos, mestrandos e doutorandos).
festival partes 2019
Mai 16 2019

15 > 31 MAIO
Exposições
Pintura
inauguração 15 maio > 18h00
Auditório Escola Superior de Tecnologia da Saúde
15 > 31 de maio
Desenho
inauguração 16 maio > 18h00
Átrio do Pavilhão do Conhecimento Ciência Viva
16 > 31 maio
Fotografia
inauguração 17 maio > 18h00
Espaço cultural AGEAS Seguros
17 > 31 maio
Data limite de inscrições – 10 de abril
Cerimónia de abertura – 17 de abril
O Festival das Artes do Parque das Nações é um projeto da Junta de Freguesia em parceria com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa que pretende dar a conhecer o trabalho de artistas locais.
Desenvolve-se em dois momentos, um de aprendizagem e outro de exposições. O PaRTES 2019 conta ainda com a parceria do Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva, Grupo AGEAS Portugal, Escola Superior de Tecnologias da Saúde (ESTeSL) e Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Este ano há novidades. As áreas de intervenção artística privilegiam os trabalhos de desenho, pintura e fotografia. Cada residência artística é liderada por um mentor convidado, que irá orientar um grupo de artistas amadores no desenvolvimento dos projetos.
No final da residência as obras farão parte de uma exposição coletiva, aberta ao público. À semelhança de anos anteriores, cada mentor irá dinamizar um workshop gratuito, aberto à comunidade, com a duração de 1 dia. Este ano os workshops têm como áreas de intervenção as técnicas de Pergamano, Pintura e Desenho Urbano. Prepare o talento, as tintas e os pincéis para mais uma jornada que junta o trabalho artístico e uma dinâmica de grupo que faz do PaRTES um dos programas mais participados do Parque das Nações.
Pode participar de duas formas:
Residência artística + exposição – Durante cerca de um mês, os artistas de uma determinada categoria trabalham sob orientação de um artista mentor para o desenvolvimento de uma obra conjunta ou de trabalho individual a expor durante o período de mostra coletiva. Cada grupo e respetivo mentor são responsáveis por planear, assegurar a curadoria, montagem e desmontagem de cada exposição, em articulação com o espaço onde esta decorrer. As exposições, uma por cada categoria, contarão com trabalhos realizados pelos artistas participantes e pelo menos uma peça colaborativa desenvolvida durante a residência artística. Para se inscrever nas residências preencha o formulário.
Workshop – Durante um dia são realizados workshops, abertos à comunidade, proporcionando aos participantes uma experiência ou primeira abordagem à criação artística nas artes visuais. Esta aprendizagem é dinamizada por artistas convidados e artistas de edições anteriores. Os três workshops (pergamano, pintura e desenho urbano) realizam-se em simultâneo, no dia 27 de abril, das 14h00 às 19h00, nas instalações do IPDJ. Para se inscrever nos workshops preencha o formulário.
O PaRTES abre oficialmente as portas com uma sessão inaugural no dia 17 de abril, que coincide com o início das residências artísticas. É importante a presença de todos os participantes. Este é o dia das apresentações dos parceiros, dos mentores e dos grupos e a opotunidade para saber mais sobre as etapas, técnicas, métodos e temáticas a utilizar, tanto nas residências artísticas e exposições como nos workshops.
Pintura – segunda a sexta-feira, entre as 09h00 às 20h00, no IPDJ;
Fotografia – terças e quintas-feira, das 17h às 20h e sábados à tarde, das 14h00 às 19h00, na AGEAS;
Desenho – segundas-feira entre as 10h00 às 18h00 e sábados entre as 14h00 e as 18h00, no Pav. Conhecimento.
No final de cada residência, cada participante deve propor ao seu mentor quais os trabalhos a expor. A selecção final de trabalhos, bem como a curadoria da exposição fica a cargo do mentor, de acordo com a seguinte programação de inauguração das exposições:
Pintura – 15 de maio, na ESTESEL
Fotografia – 16 de maio, na AGEAS
Desenho – 17 de maio, no Pavilhão do Conhecimento, Ciência Viva
No dia 27 de abril, realizam-se os workshops, das 14h00 às 19h00.
Stefano Serafin: arte em estado de guerra – exposição
Mai 15 20197 MARÇO > 12 MAIO | Galeria Avenida da Índia
Conversa com
Marta Frade, Conservadora de Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e Paula Pinto, Curadora da exposição.
Sábado, 11 de Maio, 16h00
Galeria Av. da Índia
A Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa participará nesta exposição organizada pela EGEAC e com a curadoria de Paula Pinto, com a obra Leoncino piangente [Leão choroso], pertencente à sua Coleção de Escultura.
Esta obra, não datada e de formador desconhecido, é uma cópia/redução em gesso do leão que integra o Monumento a Clemente XIII da autoria de Antonio Canova (Basílica de S. Pedro, Vaticano).
A exposição inaugura no dia 7 de Março, às 18h00.
Galeria Avenida da Índia
Av. da Índia, nº 170, Lisboa (Belém)
3ª a domingo | 10h00 – 13h00 e 14h00-18h00
As fotografias de Stefano Serafin (Possagno, Veneto, 1862-1944) que retratam a destruição das esculturas de Antonio Canova (Possagno, 1757-1822) durante a Primeira Guerra Mundial têm um forte impacto tanto na história fotográfica da reprodução de obras de arte como na história dos próprios objectos. Estas fotografias representam o limite da destruição a que as obras de arte estão sujeitas. Elas já não representam as esculturas de António Canova.
A reconstrução das obras por Stefano Serafin, o conservador da Gipsoteca desde 1891, obrigou à assunção destes objetos não como artefactos únicos, mas antes enquanto objetos sujeitos a transformações. Invocando as várias fases do processo criativo de Canova que originaram os diversas artefactos em gesso existentes na Gipsoteca de Possagno (Veneto), Serafin reconstruiu a maior parte dos gessos a partir das correspondentes esculturas em mármore. Ao fazer moldes das obras em mármore para recuperar os gessos, o conservador reverteu a hierarquia de alguns destes objetos, uma vez que transformou aqueles que eram considerados modelos originais, em cópias. Mas estas inversões chamaram atenção para a complexidade dos processos reprodutivos desenvolvidos por Antonio Canova, na elaboração de originais.
As suas fotografias captaram a “aura” dos gessos do escultor neoclássico. Embora a ideia de facsimile seja primordial para a tecnologia reprodutiva em gesso, o restauro provou identificar melhor os processos transformativos pelos quais as obras de arte passaram. Os restauros de Serafin ajudaram a recuperar o domínio da tradição da escultura, perdido no acesso às obras de arte através de reproduções fotográficas. Desconsiderada como reprodução “não-interpretativa”, a fotografia de obras de arte, tal como os calcos de gesso de obras tridimensionais foram ironicamente apropriados pela História da Arte e pelos museus de cópias por se tratarem de objetos ocultos ou transparentes; foi a suposta inexistência de condição visual e até material que permitiu aos objetos reprodutivos serem utilizados como “genuínos”.
No entanto, no presente caso, mais do que destruídos, estes gessos tornaram-se autónomos. As fotografias de Serafin não são autorais e seguramente não procuram esteticizar a brutalidade da guerra; em vez disso, revelaram a capacidade do meio fotográfico se inventar. A fotografia, também ela reprodutiva, evidencia a capacidade de se distanciar do objeto de arte em si mesmo, para o documentar tal como ele se encontra num determinado espaço e ao longo do tempo. Se a fotografia era considerada um meio de preservação da destruição das obras de arte desde a sua origem, as fotografias de Serafin são como o retrato de Dorian Gray, que envelhece enquanto os gessos mantêm a sua aparência através de sucessivos restauros. Como consequência do seu valor documental, o museu condenou estas fotografias à invisibilidade. Alguns dos negativos de vidro de Stefano Serafin sobreviveram à Segunda Guerra Mundial e ao desinteresse institucional pela reprodução fotográfica. Hoje, eles próprios no seu limite de sobrevivência, são os últimos registos materiais dos gessos originais de António Canova e o seu valor imagético torna visíveis os processos da história que a obra de arte esconde.
Paula Pinto
Curadora
Upcycling – Sobreciclagem
Mai 01 2019
22 > 30 MAIO I CORREDOR DO AUDITÓRIO LAGOA HENRIQUES
Exposição de trabalhos de alunos do 1º ano da Licenciatura em Design de Equipamento.
Os alunos da UC Projecto-I 2018-19 da Licenciatura em Design de Equipamento, organizados em equipas de quatro elementos e ao longo de quatro semanas, conceberam objectos que incorporam materiais tradicionalmente desvalorizados. Estes materiais têm uma de duas origens: já cumpriram um ciclo de vida, integrados num produto descartado, ou são resíduos de um processo de produção fabril.
Os objectos agora concebidos levam os materiais a uma segunda utilização, operando uma sobreciclagem ou upcycling dos mesmos.
Os novos objectos cumprem funções de contentor ou de apoio ao estar num espaço semi-público.
Esta é a exposição dos protótipos e das maquetas daqueles objectos.
arco lisboa 2019
Mai 01 2019
16 > 19 MAIO I CORDOARIA NACIONAL
A ARCOlisboa 2019 que se realiza entre 16 e 19 de maio, acolhe a participação de mais de 70 galerias de 17 países.
a Ministra da Cultura aceitou o convite da ARCOlisboa e no próximo dia 16 de Maio desloca-se à Cordoaria para uma conversa aberta com estudantes de artes.
Criação artística e formação: perspetivas para o futuro
Com Graça Fonseca, Ministra da Cultura
Moderação de Ana Cristina Cachola, Curadora e Professora Universitária
16 de maio, 17h_18h
ARCOlisboa 2019
Espaço de Apresentações, Pátio Nascente, Cordoaria Nacional, Avenida da Índia, Lisboa
Estudantes universitários, alunos e alunas de escolas de artes de todo o país são convidados a participar num encontro com a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, que se realiza no dia 16 de maio, quinta-feira, pelas 17h, no âmbito da edição de 2019 da ARCOlisboa.
O encontro Atividade artística em Portugal: perspetivas para o futuro surge de uma proposta feita à Ministra da Cultura pela organização da ARCOlisboa e tem como principal propósito auscultar as futuras gerações de profissionais de artes, artistas e agentes artísticos. Estudantes de artes de universidades e escolas portuguesas são convidados a participar numa conversa aberta com a Ministra da Cultura, colocando questões, partilhando as suas expetativas e múltiplas perspetivas sobre o que poderá ser o futuro da atividade artística em Portugal
O encontro é aberto a toda a comunidade de estudantes de artes e envolve um convite especial a onze escolas e universidades participantes no programa A Arte e os seus Públicos, uma iniciativa conjunta da ARCOlisboa e da Câmara Municipal de Lisboa que, pelo segundo ano consecutivo, permite a centenas de alunos e professores de artes de todo o país o acesso livre à Feira de Arte Contemporânea de Lisboa.
A sessão de perguntas e respostas terá uma duração limitada e recomenda-se às alunas e alunos que desejam garantir a sua intervenção o pré-registo a partir das 16h45 no espaço de apresentações da ARCOlisboa, Pátio Nascente da Cordoaria Nacional, onde irá decorrer o encontro. A participação na sessão de perguntas e respostas é reservada a estudantes do ensino superior, alunos e alunas de cursos de artes.
A secção inédita ÁFRICA EM FOCO, organizada pela curadora Paula Nascimento, reúne 6 galerias de Angola, Uganda, Moçambique e África do Sul, e apresenta uma série de conversas temáticas sobre as artes e as culturas contemporâneas do continente africano.
O programa OPENING, dedicado a projetos com o máximo de sete anos de existência, conta com a representação de 9 galerias selecionadas pelo curador João Laia.
A secção de PROJETOS regressa ao Torreão Poente para mostrar 9 projetos individuais de artistas representados pelas suas galerias.
No Pátio Nascente decorrem as conversas promovidas pela ARTS LIBRIS, sobre o estado atual das publicações de arte, e as apresentações EM QUE ESTOU A TRABALHAR?, com a participação dos curadores e artistas Filipa Oliveira, Manuela Moscoso, Irene Campolmi, Jesper Just, Manon de Boer, Bruno Leitão, Mónica de Miranda, André Cunha, Nadine Seigert, Musa paradisíaca, entre outros.
No Torreão Nascente (Acesso EGEAC) concentram-se as secções e atividades de acesso totalmente livre da ARCOlisboa:
ESPAÇOS DE ARTE E REVISTAS Art Curators Grid (PT), Gasworks (UK), Vegap (ES), Artes Brasileiros (BR), Artreview (UK), C & (DE), Contemporânea (PT), Dardo (ES), Frieze (UK), Mousse (IT), Select (BR), Terremoto (MX), Umbigo (PT)
ARTS LIBRIS com mais de 40 editores e publicações de arte representados
MILLENIUM ART TALKS: Fóruns Colecionismo e Foco África com a participação de Francesca Thyssen-Bornemisza, Chus Martínez, Pedro Gadanho, Paula Nascimento, Raphael Chikukw, Miguel von Hafe Pérez, Azu Nwagbogu, Jeanne Mercier, João Laia, António Cachola, Marie Helene Pereira, entre outros.
Horários:
16 e 17 de maio, quinta e sexta-feira: 14h às 21h
18 de maio, sábado: 12h às 21h
19 de maio, domingo: 12h às 18h
www.arcolisboa.com
www.facebook.com/FeriaARCO
www.instagram.com/feriaarco
26 anos dos fazedores de letras
Abr 23 2019
29 ABRIL > 02 MAIO I ÁTRIO PRINCIPAL FLUL
O jornal Os Fazedores de Letras, feito pelos estudantes da Faculdade de Letras, comemora 26 anos de existência. Para assinalar a data realiza-se uma exposição no átrio principal da FLUL e publica-se uma edição especial comemorativa. O projecto da exposição e da publicação foi desenvolvido por alunos de Design Editorial II, do 3.º ano da licenciatura de Design de Comunicação, no âmbito de uma colaboração entre a FLUL e a Área de Design de Comunicação da FBAUL.
A inauguração da exposição está agendada para o dia 29 de Abril, às 18h30, e a exposição ficará patente até 2 de maio.
+ info
Leiam-nos https://osfazedoresdeletras.com, escrevam-nos para osfazedores@gmail.com, e encontrem-nos no Facebook: www.facebook.com/osfazedoresdeletras ou no Instagram:http://instagram.com/osfazedoresdeletras.
Há 26 anos que somos fazedores de letras, venham fazê-las connosco.
revessa
Abr 21 2019
11 > 26 ABRIL I CAPELA BELAS-ARTES
Inaugura no dia 11 de abril, às 18h00, na Capela das Belas-Artes, a exposição Revessa de Viviane Gueller, com curadoria de João Paulo Queiroz. A exposição ficará patente até 26 de abril.
horário schedule
2ª a 6ª › 11h–19h
monday to friday › 11am to 7pm
Informamos que este evento poderá ser registado e posteriormente divulgado nos meios de comunicação da instituição através de fotografia e vídeo.
Viviane Gueller: no cais, junto ao rio
1. Viagem
Viviane Gueller empreendeu uma viagem. Esta viagem começou do outro lado do mar, do outro lado do Atlântico, junto à foz do Rio. É uma viagem de ida e de regresso, é uma viagem de gerações que procuram, constroem e regressam.
2. Quintal
Almeida-Garrett no livro ‘Viagens na Minha Terra’ descreve uma outra viagem, bem mais pequena. Depois da independência do Brasil o país ficara do tamanho de um quarto. Quarto que lhe recorda o outro quarto, o da prisão domiciliária de Xavier de Maistre, no livro ‘Viagem à volta do meu quarto’. É que Garrett sabe, e percebe, que as outrora caravelas, saídas de Lisboa para destinos maiores e incertos, tornaram-se em pequenos barcos, com destinos pequenos, e certos. Agora sobem o rio, em vez de atravessarem o Atlântico. Almeida-Garrett sobe o rio Tejo, entre amigos dos tempos de Coimbra, da Universidade!, a caminho do novo Ultramar que é agora, rio acima, a cidade de Santarém, ironia mais pequena:
Mas com este clima, com este ar que Deus nos deu, onde a laranjeira cresce na horta, e o mato é de murta, o próprio Xavier de Maistre, que aqui escrevesse, ao menos ia até ao quintal. (Almeida-Garrett, 1846:1-2).
3. Estige
No Renascimento um outro autor descreve na forma de um rio, a última viagem, a viagem em direção ao paraíso ou em direção ao inferno. Seria no cais do Estige, ou, para Gil Vicente, num simples Cais do Tejo. Falo aqui do Auto da Barca do Inferno (1518). O cais onde chegam os mortos, crentes que as suas grandezas de vida lhes garantem os maiores confortos a caminho do certo Paraíso. O barqueiro trata-os com ironia, e são encaminhados para o seu justo destino, uma das duas barcas, uma a caminho das brasas infernais, outro a caminho do céu. São aliás dois os Barqueiros. Um, um anjo, o outro, um diabo. Entre frades, banqueiros, alcoviteiras, procuradores, e outros pretensiosos, só serão recebidos pelo anjo os cavaleiros, homens de missão distinta e nobre, homens de grandeza, e mais um, um homem simples, que é Joane, o pobre de espírito, o parvo.
4. Um bilhete rasgado nas mãos
Falamos então de viagens, falamos então de peregrinações. O mesmo é dizer caminhadas em busca do espírito. Não está ao nosso alcance descrever, discernir, compreender. O seu motor é exterior e é superiormente determinado. Uma peregrinação é ela mesma a viagem, é ela mesma a metáfora da duração da vida. Pois começa, dura, e acaba. Ao final, saberemos o seu proveito, a sua fatalidade, o seu sentido. Ao final, um encontro no cais. Ao final, a travessia do Tejo, seja Rio acima, seja Atlântico abaixo. Viviane começou esta viagem há muito tempo, antes ainda de saber que estava a caminho. Isto não é novidade: acontece a todos nós. Só a meio da viagem percebemos que temos um bilhete rasgado nas mãos.
5. Peregrinação
A viagem é em si mesma uma ironia, mais do que uma alegoria. Uma ironia consiste na justaposição de diferentes significações no mesmo veículo sígnico. O contraste entre diferentes qualidades percebidas no mesmo instante, desencadeia o riso. Gil Vicente sabia-o muito bem: as primeiras edições dos seus autos transportam no frontispício o mesmo adágio latino: ridendo castigat mores. Rindo se criticam os costumes. Fernão Mendes Pinto sabia-o também. A sua Peregrinação tem tanto de verdadeiro como de exagerado, trazendo ao de cima a oposição funda entre a nobreza de caráter e a pobreza humana.
Fernão Mendes Pinto desceu o atlântico. Almeida Garrett subiu a corrente do Rio Tejo. Ambos riram, e ambos mostraram o que aprenderam. Viviane subiu o Atlântico, da Foz do Guaíba, à foz do Tejo. Aqui, de modo quotidiano, quase ocasional, encontrou o contraste da ironia funda destas viagens passadas e presentes, dos barcos que atravessaram mares aos barcos que atravessam rios. Encontrou a bordo de um ‘cacilheiro’ o som de vozes familiares mas desconhecidas, que alheias à grandeza do rio, falavam o crioulo das terras de Cabo Verde.
6. De mundo na mão, a olhar Porto Brandão
No cais de Lisboa, a caminho de Belém, sítio de largadas e de velhos, de heróis de pedra olhando fixamente Porto Brandão para sempre, na retórica do Estado Novo, nas formas do Padrão dos Descobrimentos. Com caravelas na mão, esferas armilares, mundos, livros e missões no seu destino. Neste cais, em local esquecido, mas perto, o Memorial à guerra do Ultramar, para recordar os mortos e feridos que há bem pouco tempo se empenharam numa guerra entre irmãos, a guerra colonial.
7. Revessas
São outros regressos, outros refluxos, outras revessas. A proposta de Viviane Gueller é simples: reencontrar os discursos, apontar aos humanos que, destinos à parte, esta viagem é antiga e vale um sentido, que é tão grande quanto pequeno, onde o rio se faz mar, ou não, como o rio da minha aldeia (Alberto Caeiro). Que, do lado de cá, do lado dos humanos, nos igualamos permanentemente, entre a noite e o riso, de Nuno Bragança (1969), no reencontro sem fim.
Referências
Almeida-Garrett, José de (1846) Viagens na minha Terra. Lisboa: Typographia da Gazeta dos Tribunaes. URL: http://purl.pt/55/4/
Bragança, Nuno (1969) A noite e o riso. Lisboa: Moraes.
Caeiro, Alberto [Fernando pessoa] (1946) “XX – O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia” In O Guardador de Rebanhos: Poemas de Alberto Caeiro. Lisboa: Ática.
Fernão Mendes Pinto (1983) Peregrinação. Transcrição de Adolfo Casais Monteiro. Col. Biblioteca de autores portugueses. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda.
Maistre, Xavier de (/1794) Voyage autour de ma chambre. Paris: Flamarion.
Vicente, Gil (/1518) Auto da Barca do Inferno. Biblioteca Digital. Porto: Porto Editora.
João Paulo Queiroz
ela — exposição de isabel sabino
Abr 15 2019
APRESENTAÇÃO E LANÇAMENTO DO CATÁLOGO — 04 MAIO > 16H00 I SOCIEDADE NACIONAL BELAS ARTES
No âmbito da exposição ELA de Isabel Sabino que inaugurou no dia 11 de abril, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, realiza-se no dia 4 de maio, às 16h00, a apresentação e o lançamento do catálogo da exposição, com a presença da artista.
Ainda no dia 4 de maio realiza-se a finissage da exposição.
pintura na terra
Abr 15 2019
FINISSAGE E LANÇAMENTO DO LIVRO PINTURA NA TERRA I 27 ABRIL > 15H30 I GALERIA BELAS-ARTES
Realiza-se no dia 27 de abril, às 15h30, na Galeria das Belas-Artes a finissage e o lançamento do livro Pintura na Terra.
A exposição Pintura na Terra de João Paulo Queiroz, que inaugurou no dia 4 de abril, ficará patente até 29 de abril.
horário schedule
2ª a 6ª › 11h–19h
monday to friday › 11am to 7pm
Informamos que este evento poderá ser registado e posteriormente divulgado nos meios de comunicação da instituição através de fotografia e vídeo.
Desde 2005 que executo pintura na mesma paisagem, de modo direto, no terreno, nos Valinhos, bem perto de Fátima. É terra quieta, que conhece peregrinos, e que me conhece bem. As séries têm-se sucedido, ano após ano. Ali tenho executado entre 60 a 120 trabalhos em cada ano, conforme me é possível.
Este espaço vital do artista, que reforça também uma certa dimensão performativa da sua proposta, está geograficamente identificado (…) e deve ser visto no quadro do rigor que caracteriza esta abordagem processual a que não é também alheia uma certa gestão disciplinada do tempo da realização / experimentação, mais própria das experiências científicas de largo espectro temporal (das observações da biologia, dos ciclos das vidas de determinadas espécies vegetais e animais, por exemplo) do que de um processo de criação artística, em regra, quase sempre mais espontâneos e fugazes (Leonardo Charréu, 2019)
Nesta exposição apresento os trabalhos feitos no ano de 2017: são 106 pequenas paisagens, em conjuntos de oito pinturas em cada dia, em que em cada um me debrucei sobre um conjunto de árvores em particular, começando desde manhã, e seguindo sem parar até ao escurecer.
João Paulo Queiroz
Nota biográfica
João Paulo Queiroz (Aveiro, Portugal). Curso Superior de Pintura pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. Mestre em Comunicação, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). Doutor em Belas-Artes pela Universidade de Lisboa, onde é professor. Co autor dos programas de Desenho A e B (10º ao 12º anos) do Ensino Secundário. Coordenador do Congresso Internacional CSO Criadores Sobre outras obras (anual, desde 2010) e diretor das revistas académicas :Estúdio (QUALIS: A2), Gama (QUALIS: B1), e Croma ISSN (QUALIS: B1). Coordenador do Congresso Matéria-Prima, Práticas das Artes Visuais no Ensino Básico e Secundário (anual, desde 2012). Dirige também a Revista Matéria-Prima (QUALIS: B1). Membro de diversas comissões e painéis científicos, de avaliação, e conselhos editoriais. Consultor da FCT, Portugal. Presidente do Centro de Estudos e Investigação em Belas-Artes (CIEBA), Portugal. Presidente da Sociedade Nacional de Belas-Artes, Lisboa, Portugal. Diversas exposições individuais de pintura. Prémio de Pintura Gustavo Cordeiro Ramos pela Academia Nacional de Belas-Artes em 2004.
CSO’2019 — 10º Congresso Internacional CSO, Criadores Sobre outras Obras
Abr 11 2019
12 > 17 ABRIL I SOCIEDADE NACIONAL DE BELAS-ARTES
Exposição – Raízes
Mar 18 201907 > 27 MARÇO I GALERIA BELAS-ARTES
Inaugura no dia 7 de março, às 18h00, na Galeria das Belas-Artes a exposição Raízes, com coordenação de Victor dos Reis, curadoria de Marta de Menezes e produção da Associação Cultivamos Cultura.
horário schedule
2ª a 6ª › 11h–19h
monday to friday › 11am to 7pm
Informamos que este evento poderá ser registado e posteriormente divulgado nos meios de comunicação da instituição através de fotografia e vídeo.
Artistas:
Coletiva Summer School Cultivamos Cultura
Felipe Shibuya
Jude Abuh-Zaineh
Andrew Carnie
Carla Rebelo
Eileen Ryan
Marta de Menezes
Suzanne Anker
Tarah Rhoda
Maria-Francisca Abreu-Afonso
A exposição Raízes é para a Cultivamos Cultura um dos eventos mais importantes do ano. É simultaneamente o momento de apresentar os resultados das residências artísticas que foram acontecendo durante a primavera e verão no espaço da Cultivamos Cultura em São Luís – Odemira, e também o momento de apresentar publicamente esses trabalhos em conjunto com peças selecionadas de outras coleções na área dos novos media e de diferentes parceiros. É uma ocasião para contextualizar o trabalho que desenvolvemos, mostrá-lo à comunidade educativa e artística, nacional e internacionalmente.
mesa — exposição coletiva de escultura
Mar 18 2019
15 FEVEREIRO > 23 MARÇO I OFICINAS DE FORMAÇÃO E ANIMAÇÃO CULTURAL DE ALJUSTREL
Exposição de Ana Carolina Neves, Ana Sofia Sá, Joana Alarcão, Joana Sequeira, Laura Reis, Marco Pestana e Miguel Nunes da Silva, alunos finalistas da licenciatura em Escultura 17/18.
Decorre, entre 15 de fevereiro e 23 de março de 2019, a exposição coletiva de escultura “MESA”, que reúne trabalhos de sete alunos finalistas da licenciatura em escultura 2017/2018.
A exposição realiza-se nas Oficinas de Formação e Animação Cultural de Aljustrel, ao abrigo do protocolo estabelecido entre a FBAUL e aquele Município, e encerra com a realização de dois ateliers de escultura destinados à população local, dinamizados pelos mesmos alunos.
Paisajes Enlazados
Fev 20 2019
07 > 27 FEVEREIRO I GALERIA BELAS-ARTES
Inaugura no dia 7 de fevereiro, às 18h00, na Galeria das Belas-Artes a exposição Paisajes Enlazados de Ilídio Salteiro, com curadoria de Antonio García López.
horário schedule
2ª a 6ª › 11h–19h
monday to friday › 11am to 7pm
Informamos que este evento poderá ser registado e posteriormente divulgado nos meios de comunicação da instituição através de fotografia e vídeo.
“Los hombres construimos demasiados muros
y no suficientes puentes”
Sir Isaac Newton
Entender la serie Paisajes enlazados de Ilidio Salteiro desde la literalidad de un género como el paisaje, sería quedarse en la superficie de un pensamiento mucho más profundo. Solo es posible entender la obra de Salteiro como una manifestación autorreferial hacia la propia pintura en cuanto disciplina, y espacio para la expresión. Los paisajes primigenios y “magmáticos” presentes en las últimas obras de Salteiro, lejos de ser inocentes, señalan el sentido último de la pintura entendida como elección personal, y como acto de resistencia. En un contexto como el actual, donde la industria cultural parece haber abdicado ante la moda del entretenimiento, donde todo es virtual, devolver la mirada a los materiales básicos de la pintura: óleo, acrílico, acuarela, es devolver el protagonismo a la naturaleza de la que nacimos, es hablar del barro, el agua, o el musgo, es un acto utópico pero necesario para poner en valor la fortaleza del pensamiento creativo como motor de cambio. Es así como Salteiro, asume que tanto la pintura como el pensamiento creativo, forman parte de un mismo espacio que hoy parece en peligro. Pero también es consciente de que esa creatividad, es la que nos ha permitido enlazar lo micro con lo macro, el pasado con el presente, investigar sobre la vida, y en definitiva adaptarnos a un medio siempre turbio, siempre cambiante.
Debemos asumir que la muestra Paisajes enlazados, alude más allá del género paisaje, al espacio pictórico de Salteiro entendido como metáfora de la vida, con su diversidad genética pero también como su multiculturalidad. Con sus recurrentes paisajes inventados, Salteiro no hace más que encontrarse con el ser humano que los habita. Con sus anhelos y con sus turbaciones, con sus ganas de vivir y con su miedo a morir. Todo lo que nos rodea está interrelacionado, naturaleza y vida son la misma cosa, el agua de los ríos, y la sangre que fluye por nuestras venas. El pasado y el presente también estan conectados, todo esta en movimiento continuo, y no es posible por mucho que se empeñen los totalitarismos absurdos, y la cosificación que rodea a nuestra sociedad consumista, poner límites y barreras a la naturaleza y a la propia vida. Hacer eso es sinónimo de autodestrucción y fracaso como especie. Solo podremos sobrevivir, si respetamos los tiempos y los flujos de la naturaleza, si retornamos al origen y a los elementos más esenciales, el agua, el barro, el aire. Solo así, seremos capaces de respetarnos a nosotros mismos y por extensión de sentirnos vivos. Es por ello que Salteiro insiste en su empeño por tender puentes y construir refugios, huyendo así de la absurda idea de ponerle vallas al bosque. Es por ello que el acto pictórico de Salteiro, está más preocupado por la curiosidad asociada a la formulación de preguntas, que por el confort que pueda proporcionar conocer las respuestas. Es por ello que esos paisajes que pinta, no son un ejercicio de nostalgia, más bien son expresiones de vida, de metamorfosis, de interpretaciones de un tiempo presente convulso, y que siempre ha sido cambiante a lo largo de la historia.
Antonio García López
Dinero — Dinheiro — por la itenerancia
Fev 19 201925 JANEIRO > 24 FEVEREIRO I SALA DE EXPOSICIONES— UNIVERSIDAD POPULAR DE MAZARRÓN
Inaugura no dia 25 de janeiro de 2019, a 4ª exposição internacional itinerante ‘Dinero-Dinheiro’ em Espanha, comissariada por Antonio García López e Ilídio Salteiro, Vicedecano da Facultad de Bellas Artes de Murcia e professor da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa respetivamente. A inauguração terá lugar às 19h00 na Sala de Exposiciones de la Universidad Popular de Mazarrón, Murcia.
Artistas espanhóis e portugueses participantes:
Álvaro Alonso Sánchez, Antonio García López, Carmen Grau, Carolina Maestro, Concha Martínez Montalvo, Cristóvão V. Pereira, Diogo da Cruz, Domingos Loureiro, Dora Iva Rita, Francisca Núñez, Francisco Berenguer, Francisco J. Guillén, Ilídio Salteiro, João Castro Silva, João Paulo Queiroz, Jorge dos Reis, José Mayor, Juan J. Águeda, Luís Herberto, Luís Izquierdo, Manuel Gantes, Manuel Páez, Mariano Maestro, Maribel Pleguezuelos, Olga Rodríguez Pomares, Pedro Alonso Ureña, Román Gil, Torregar, Salvador Conesa, Víctor Piñera Albares (Virtoc), Victoria Santiago Godos.
A 1ª exposição teve lugar no Instituto Superior de Economia e Gestão de Lisboa (ISEG) entre 29 de outubro e 28 de novembro de 2016. Sendo uma exposição itinerante esteve no Museo de la Universidad de Murcia, entre 9 de Maio e 4 de Junho de 2018, seguiu-se o Museo de Archena onde esteve patente até 25 de agosto, em 14 de setembro inaugurou na Sala Levante da Facultad de Ciencias de la Empresa (UPTC), em Cartagena, onde esteve patente até 24 de outubro de 2018. Em 2019 será a Sala de Exposiciones de la Universidad Popular de Mazarrón a receber esta exposição, entre 25 de janeiro e 24 de fevereiro.
Está a ser preparada uma publicação com fotos das obras e textos dos seus autores. Esta informação também consta de um blog que inclui informação adicional e um catálogo virtual com os CV’s, fotos e textos de cada um dos artistas participantes: http://ddiinnhheeiirroo.blogspot.com/
CIEBA – Centro de Investigação e Estudos em Belas-Artes
Facultad de Bellas Artes de la Universidad de Murcia
Universidad Politecnica de Cartagena
Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto
Instituto Superior de Economia e Gestão
lo straniero
Fev 19 2019
07 > 23 FEVEREIRO I ISTITUTO PORTOGHESE DI SANT’ANTONIO IN ROMA
Inaugura no dia 7 de fevereiro, às 18h00, no Istituto Portoghese di Sant’Antonio in Roma a exposição Lo Straniero de Manuel Gantes, com curadoria de Luísa Arruda.
horário schedule
3ª a sábado › 17h–20h
tuesday to saturday › 5pm to 8pm
Manuel Gantes, propôs o enigmático título Lo Straniero para a exposição na Galeria do Instituto de Santo António dos Portugueses, revisitando a série de 119 desenhos da sua tese: Desenho no século XX e XXI: imagem, espaço, tempo, tese apresentada à Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes, em 2013. A este núcleo temático de desenhos agregou outras séries, desta vez em pintura, relativas à sua actividade actual. A obra de Albert Camus, o seu pensamento, subjaz nas séries que Manuel Gantes nos dá a ver, reclamando na limpidez solar dos seus desenhos ou na opacidade pardacenta das tintas das pinturas, a condição de Straniero que somos de um ou outro modo. Urge reler Camus.
Luísa Arruda
DESENHO(S) EM CONSTRUÇÃO
Jan 29 201920 DEZEMBRO 2018 > 01 FEVEREIRO 2019 | GALERIA DA JUNTA DE FREGUESIA DE SANTA MARIA MAIOR
No dia 20 de Dezembro, às 18h00, na Galeria da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, inaugura a exposição DESENHO(S) EM CONSTRUÇÃO, onde serão apresentados trabalhos de artistas que concluíram há pouco o seu percurso académico.
Esta exposição de desenho é uma iniciativa do Grupo de Investigação em Desenho do CIEBA (Centro de Investigação e Estudos em Belas Artes), comissariada pela Área de Desenho da FBAUL, numa parceria entre a Faculdade de Belas-Artes de ULisboa e a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.
Horário da exposição
2ª a 6ª feira: 14h00 – 18h00
Entrada pela Rua da Madalena, 147 ou pela Rua dos Fanqueiros, 170/178 (elevador 3B)
Informamos que este evento poderá ser registado e posteriormente divulgado nos meios de comunicação da instituição através de fotografia e vídeo.
Richard Serra refere numa entrevista que a arte existe para nos “salvar da banalidade do mundo”; os desenhos aqui apresentados parecem confirmar essa visão. Esta exposição procura dar conta de percursos e formações de alunos que se revelaram no domínio do desenho, sublinhando a ideia de um fazer em contínuo trânsito, sucessão; em construção. Sendo trabalhos de artistas que concluíram há pouco o seu percurso académico, é notória a vontade de transcender o visível, de o transformar, de lhe conferir novos sentidos, interpelando-nos e mostrando-nos modos pessoais de o entender.
Na diversidade de tópicos e abordagens adotados pelos autores, algumas preocupações são recorrentes e traduzem constantes: a renovada e necessária relação com a natureza, como acontece nos trabalhos de Inês Machado Pinto, Inês Mesquita, Joana Galego, Nuno Gonçalves ou Viktorya Kurmayeva; a evocação da memória, como atlas infindável de temas e imagens, posicionamento patente nos trabalhos de Francisca Pinto, Lígia Fernandes, Marco Morgado, Maria Teresa Carreira ou Mariana Teixeira; a experiência do espaço urbano, a velocidade que lhe é associada, e o desenho como forma de desaceleração, inquietação reconhecível nas propostas de Cecília Corujo, Daniel Teixeira, Diogo Elias ou João Távora; o corpo como matriz da relação com os outros e com o mundo, enaltecendo todos os sentidos na interpretação do visível, aspeto patente nas proposições de Bruno Medeiros, Fábio Veras, Mafalda d’Oliveira Martins ou Sara Mealha; a casa e a reinvenção dos lugares, local de reencontro consigo, mas também uma imensa possibilidade de experimentação do espaço, aspetos detetáveis nos desenhos de Manuel Queiró, Neide Carreira ou Nicoleta Sandulescu; ou ainda a constatação de uma pulsão para criações abstratas, incidindo na materialidade e nos processos de construção das obras, nos ritmos e nas geometrias dos suportes, como é o caso das composições de Ana Romãozinho, Sebastião Castelo Lopes ou Simão Martinez. O desenho digital representa, por vezes, a síntese entre o impulso ancestral para desenhar e o fascínio pelas novas tecnologias. Essa dupla condição encontra expressão nos trabalhos de Israel Teixeira, João David Fernandes, Patrícia Cassis ou Ricardo Lima. Da seleção de desenhos dos vinte e oito artistas aqui expostos reconhecemos o cruzamento destas e de outras possíveis leituras, reveladoras de um fértil potencial criativo, extensível de resto aos trabalhos de outros colegas que também terminaram o seu percurso de formação que, por limitações do espaço expositivo, não foi possível mostrar.
O percurso empreendido na Faculdade é importante, mas, inevitavelmente, uma parte limitada do trajeto de qualquer artista. A arte não prescinde do sentido crítico e reflexivo de quem a faz, permanentemente. É uma forma de vida que requer um olhar esclarecido e sensível sobre todos os fenómenos. Estas tarefas e predicados requerem tempo e constituem um compromisso para a vida. Um compromisso em constante construção.
Domingos Rego e Américo Marcelino
Exposição de: Ana Romãozinho, Bruno Medeiros, Cecilia Corujo, Daniel Teixeira, Diogo Elias, Fábio Veras, Francisca Pinto, Inês Machado Pinto, Inês Mesquita, Israel Teixeira, Joana Galego, João David Fernandes, João Távora, Lígia Fernandes, Mafalda d’Oliveira Martins, Manuel Queiró, Marco Morgado, Maria Teresa Carreira, Mariana Teixeira, Neide Carreira, Nicoleta Sandulescu, Nuno Gonçalves, Patricia Cassis, Ricardo Lima, Sara Mealha, Sebastião Castelo Lopes, Simão Martinez e Viktoriya Kurmayeva
Organização
Área de Desenho da FBAUL (Américo Marcelino, António Pedro F. Marques, Artur Ramos, Domingos Rego, Henrique Costa, Luísa Arruda, João Jacinto, Manuel Gantes, Manuel San-Payo e Pedro Saraiva) com o Departamento de Cultura da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior (Rute Reimão).
Curadoria
Américo Marcelino, Domingos Rego e Pedro Saraiva (com Henrique Costa para o Desenho Digital).
Comissão Executiva
Américo Marcelino, Domingos Rego, João Jacinto e Pedro Saraiva, com Daniel Teixeira, Inês Machado, Lígia Fernandes, Mariana Teixeira, Neide Carreira, Simão Martinez e Viktoriya Kurmayeva.
Apoio
Gabinete de Comunicação, Imagem e Inovação da FBAUL (Teresa Sabido, Isabel Nunes, Tomás Gouveia e Leonor Fonseca) e Junta de Freguesia de Santa Maria Maior (Rute Reimão).
isto é. achas
Jan 20 2019
10 > 29 JANEIRO I GALERIA BELAS-ARTES
Inaugura no dia 10 de janeiro, às 18h00, na Galeria das Belas-Artes, a exposição Isto é.Achas de Alberto Rodrigues Marques, Francisco Correia e Gonçalo Gouveia.
Curadoria: Rui Serra
horário schedule
2ª a sábado › 11h–19h
monday to saturday › 11am to 7pm
Informamos que este evento poderá ser registado e posteriormente divulgado nos meios de comunicação da instituição através de fotografia e vídeo.
A proposta desta exposição surgiu do contacto e da relação que nós os três estabelecemos ao longo dos últimos quatro anos, em que fomos alunos de Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
O ponto comum aos diferentes trajetos apresentados nesta exposição é a Pintura, quer seja enquanto pensamento quer seja enquanto obra materializada. É daí que parte a ideia desta exposição, que pretendemos que demonstre não só as diferentes abordagens, mas que também evidencie esse “movimento” oscilante e flexível no qual, em três momentos distintos (assinalado por cada um dos participantes), a pintura passa do plano bidimensional, mais perto da sua definição habitual, para o plano tridimensional no qual a questão do “objeto pintura” é subvertida.
Dito isto, o Francisco aborda a pintura do ponto de vista da superfície (a imagem). Encontrou na técnica – e mais concretamente na utilização da tinta de óleo pelo seu carácter carnal – o medium predileto para as pesquisas que desenvolve ao nível da forma. Essas configurações que cria (ou encontra) à superfície da tela, equipara-as a achados arqueológicos até então desconhecidos. Esse paralelismo surge da estreita comparação do momento em que procura no interior da pintura a imagem, com o processo de escavação em busca de possíveis artefactos perdidos. O facto de aliar a exploração matérica da tinta ao carácter gráfico da forma, fá-lo perseguir um universo irónico assente na fronteira entre abstração e figuração.
Seguidamente, o Alberto tem por base processos pictóricos que incidem sobre a importância dos materiais – quer sejam concebidos para o desempenho da atividade artística ou outros de carácter mundano – e a exploração das possibilidades ímpares que estes proporcionam.
Por vezes, inverte os métodos tradicionais da pintura criando trabalhos que são transportados para um território neutro, uma vez que é recorrente a aproximação ao espaço tridimensional; como é o caso das pinturas propostas para a exposição em que a tinta, ao invés de ser aplicada à superfície, é pressionada por detrás da chapa de aço resultando um aparente baixo-relevo.
Por último, o Gonçalo ‘apanha tudo’. Gosta de se definir como pintor-recolector. Acredita que os estímulos para a prática artística estão em todo o lado; a essência de cada coisa torna-a única e por isso tem propriedades que mais nada no mundo possui (por exemplo, comer uma bifana num estabelecimento lisboeta contém o seu intrínseco valor de vivência, enquanto ver uma exposição, ou um filme, tem outro). Depois de recolhidos, esses objetos são emparelhados na tentativa de encontrar relações insólitas entre si – tal como acontece com os materiais idealizados para fins artísticos -. A tela é virada do avesso para se tornar numa piscina, onde um tanque de guerra se mantém à tona de água graças a uma balsa salva-vidas. Ou o fotograma que funciona como pretexto para criar uma mala de pele de crocodilo com duas pernas e botas.
O propósito maior desta exposição é a de tornar compreensível a coreografia que propomos, onde a pintura se mostra em três das suas múltiplas valências, e durante a qual se intui uma operação de questionamento do olhar e da compreensão do que é observado. O próprio título da exposição – Isto é. Achas. -, além de desafiador, surge ele próprio como tom de negação e de impossibilidade perante o que é definido como uma conclusão.
singular pace
Dez 18 2018
17 NOVEMBRO 2018 > 5 JANEIRO 2019 I ZET GALLERY
No próximo dia 17 de novembro de 2018, sábado, inaugura pelas 16h00 a exposição SINGULAR PACE, com curadoria de Helena Mendes Pereira.
Procurando dar cumprimento ao objetivo de se aproximar e divulgar artistas recém-formados pela Academia, a seleção integra obras de arte de jovens artistas da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. A seleção, realizada no contexto das Galerias Abertas, edição de 2018, foi feita por um júri composto por Cabral Pinto (Diretor Artístico da Fundação Bienal de Arte de Cerveira), Fernanda Araújo (Artista Plástica), Jorge da Costa (Diretor do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais) e inclui estudantes de Licenciatura, Mestrado e Doutoramento.
Alberto Rodrigo Marques, Ana Sofia Sá, André Silva, Carla Afonso, Carolina Serrano, Dora Meireles, Fábio Veras, Francisco Correia, Jéssica Burrinha, Joana Pitta (Não Joana), Lena Wan, Marco Pestana, mikha-ez, Poli Pieratti, Rita Vidigal, Rodrigo Empis, Rúben Lança, Sal Silva e Tiago Santos são os protagonistas de SINGULAR PACE, exposição patente até ao dia 5 de janeiro de 2019. Todas as obras de arte estão disponíveis em www.zet.gallery
o trabalho na sombra — 10ª edição inshadow lisbon screendance festival
Dez 01 2018
23 NOVEMBRO > 14 DEZEMBRO I GALERIA BELAS-ARTES
Inaugura no dia 23 de novembro, às 18h30, na galeria das belas-artes a exposição o trabalho na sombra no âmbito da 10ª edição do InShadow Lisbon Screendance Festival, que decorre entre 15 de novembro e 15 de dezembro.
horário schedule
2ª a 6ª › 11h–19h
monday to friday › 11am to 7pm
O trabalho na sombra
O mundo afigura-se na sombra, entre o visível e o subjetivo, no interior. Aproximar trabalhos de artistas que antes não comunicavam é um exercício intuitivo, revelador de um processo de leitura múltipla, antecipador de narrativas. Colocar trabalhos artísticos em diálogo é por si um jogo exigente, responsável, permite a correlação direta entre as imagens e as respetivas texturas, escalas, perspetivas. Conseguimos experienciar as imagens pela perceção do corpo.
De 23 Novembro a 14 Dezembro, o Festival InShadow regressa à Galeria da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.Do cruzamento entre tecnologia, imagem e movimento são apresentados trabalhos de fotografia dos artistas portugueses: Susana Jesus, Susana Pereira e Henrique Frazão.
Apresentamos propostas de vídeo-dança, num dispositivo de sala de cinema, dos artistas Sean Wirz (Suiça), Foteini Papadopoulou & René Jeuckens & Bernd Mantz (Alemanha), Margarita Bali (Argentina/EUA), Dana Ruttenberg & Oreb Shkedy (Israel) e de Alexandre Alagoa (Portugal). Imagens que nos propõem uma desconstrução dos espaços arquitetónicos e das pessoas que os habitam. A experimentação, por via de jogos óticos e efeitos de edição, perspetiva um novo olhar sobre o ambiente em relação íntima com a ideia de movimento.
No espaço expositivo propomos também o convívio com a áudio-performance de Dárida Rodrigues (Brasil), o abrandamento na subtileza dos desenhos de Leonor Béltran (Portugal), e percebermos ainda a complexidade escultórica do novo objeto-prémio do festival, para celebrar os dez anos de programação, de José Carlos Neves (Portugal).
O Festival InShadow revela o melhor da criação artística transdisciplinar nas áreas do vídeo-dança, documentário, performance, exposições e instalações, um lugar de encontros imprevisíveis entre o cinema e a dança.A 10ª edição apresenta mais 150 artistas.
O tema da sombra estende-se por Lisboa na celebração dos dez anos em vários espaços: Cinemateca Portuguesa, Teatro do Bairro, Museu da Marioneta, Fundação Portuguesa das Comunicações, Espaço Santa Catarina, Espaço Cultural das Mercês, Galeria da FBAUL, Ler Devagar, ETIC e diversas outras parcerias.
O corpo inquieto, volta a ser imaginado na sombra.
ENTRE MÃOS PARTE lll (CERÂMICA / ESCULTURA)
Nov 01 2018
6 > 16 NOVEMBRO I BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE NOVA – Faculdade Ciência e Tecnologia
Inaugura no dia 6 de novembro, pelas 17h00, na Biblioteca da Universidade Nova – Faculdade Ciência e Tecnologia, no Monte da Caparica, a exposição ENTRE MÃOS Parte III (Cerâmica / Escultura), com curadoria de Marta Castelo e João Rolaça.
ARTISTAS:
Alice Junqueira, Bárbara Gabriela da Cruz, Beatriz Machado, Beatriz Pedrosa, Beatriz Taveira, Carolina Carvalho, Catarina Monteiro, Diamantino Diogo, Diogo Castelão Sousa, Diogo da Cruz, Diogo Figueira, Guilherme Aguiar de Matos, Joana Lapin, Joana Garcia e Costa, João Pedro Figueiredo Gonçalves, João Ramos, José Sotomayor, Laura Cortesão Monteiro, Maria Botto, Mariana Stoffel, Mariana Vinheiras, Matilde Ferreira, Miguel Cardoso Condeça, Sabina Vilagut, Sara de Campos, Sara Ribeiro Santos
Esta exposição esteve patente na Galeria das Belas-Artes entre 29 de novembro e 29 de dezembro de 2017 e 24 de março a 28 de abril de 2018 na Galeria Municipal de Montemor-o-Novo.
Participaram na exposição Parte I e Parte II: Bárbara Gabriela da Cruz, Beatriz Pedrosa, Carolina Carvalho, Catarina Monteiro, Diogo da Cruz, Liliana Velho, João Gama, João Rolaça, José Sotomayor, Maria Botto, Matilde Ferreira, Patrícia Gonçalves, Sabina Vilagut e Sara de Campos.
O barro é o material, por excelência, da criação. Desde as primitivas figuras em terracota, as primeiras peças de olaria, passando pela modelação escultórica, pelo design de objetos ou até às interseções deste material com as novas abordagens contemporâneas, o barro tem, ao longo de todas as épocas históricas, atraído os mais diversos criadores. Trata-se de uma matéria tão elementar e essencial como sofisticada, que tanto pode ser usada na sua simplicidade ou ser integrada e aplicada em produções tecnologicamente complexas e avançadas. Em qualquer caso o barro, atravessado pelo fogo, transforma-se na duradoura cerâmica que abunda e habita largamente o nosso quotidiano.
Na atualidade, a cerâmica enquanto modo de criação tem expandido os seus limites tradicionais e vindo a conquistar um espaço de visibilidade e de auto-afirmação artística, que destaca cada vez mais a sua autonomia e paradoxalmente a sua intrínseca relação com a arte e em particular com a escultura desde tempos idos.
A exposição ENTRE MÃOS | Cerâmicas reúne trabalhos de alunos e ex-alunos que escolheram a Unidade Curricular de Cerâmica do curso de Escultura da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e pretende revelar a versatilidade das matérias desta tecnologia, dando a conhecer diferentes abordagens plásticas — eventualmente díspares ou complementares — mas igualmente marcadas pela plasticidade da argila ancestral e pela liberdade de pensamento e criatividade dos autores que nela participam.
Muitos deles tomaram, pela primeira vez, o barro nas mãos, nas oficinas desta faculdade e mais ou menos cientes da sua larga história, modelaram diferentes pastas cerâmicas e usaram técnicas diferenciadas, criando discursos autorais, ora de raiz mais tradicional ora interdisciplinar que confirmam a riqueza plástica que esta tecnologia permite.
ENTRE MÃOS | Cerâmicas decorre de uma vontade antiga de tornar visível o trabalho desenvolvido nas unidades curriculares de cerâmica do primeiro ciclo do curso de Escultura da Faculdade de Belas-Artes, e de mostrar também os trabalhos recentes de ex-alunos que continuam a explorar profissionalmente esta área artística.
Marta Castelo
João Rolaça
CATÁLOGO
lugares e caminhos — exposição de finalistas da Licenciatura em Escultura
Out 15 201820 SETEMBRO > 31 OUTUBRO I GALERIA MUNICIPAL DE PROENÇA-A-NOVA
A exposição documental “LUGARES E CAMINHOS” resulta de uma residência artística, integrada no programa curricular de Escultura V, dedicada à problemática da intervenção escultórica na natureza.
A ação, realizada entre 1 e 3 de dezembro de 2017, ao abrigo do protocolo “Aldeia Criativa”, estabelecido entre a Câmara Municipal de Proença-a-Nova e a Área de Escultura da FBAUL, contou com a participação de trinta e cinco alunos, orientados pelos professores José Teixeira, José Revez e Andreia Pereira, e decorreu na área geográfica de Proença-a-Nova, delimitada entre a Aldeia Ruiva, a Ribeira da Isna e o Parque Eólico do Vergão.
Durante as saídas de campo, o grupo foi estimulado a refletir sobre as práticas de integração, intervenção e apropriação escultórica de caráter efémero, em conformidade com o espaço, com o corpo, com os elementos naturais ou artificiais preexistentes, bem como sobre os conceitos de dimensão, proporção e escala, materialização, desmaterialização e sentido de temporalidade.
Num regime de observação, indagação e ação direta no terreno, os alunos residentes deram conta das suas percepções e intenções em diversos ensaios de reconhecimento, realizados de forma individual e coletiva, incentivando o favorecimento de práticas não invasivas e processos de construção artesanais e sustentáveis, com recurso a materiais naturais, que voltaram a ser integrados na natureza pela ação dos elementos, ou recurso a elementos industriais encontrados nos locais e que, após a intervenção, foram recolhidos, reciclados ou reaproveitados.
Os resultados deste programa de trabalho estão em exposição na Galeria Municipal de Proença-a-Nova, até 31 de outubro de 2018. O encerramento e lançamento do catálogo decorrem no dia 27 de outubro, pelas 17:00 horas, na Galeria Municipal de Proença-a-Nova.
emergências ensino artístico e criação têxtil
Out 08 2018
01 SETEMBRO > 20 OUTUBRO I INSTITUTO DE DESIGN DE GUIMARÃES
A Contextile, na continuidade das edições anteriores, convidou escolas artísticas com disciplinas de técnicas têxteis – FBAUP (Faculdade de Belas Artes do Porto), Escola Artística Soares dos Reis (Porto), Escola Artística António Arroio (Lisboa), FBAUL (Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa), desafiando os alunos (e as escolas) para a criação e produção de trabalhos de arte têxtil, que serão apresentados em forma de exposição e instalação. Serão realizadas outras actividades conexas: workshops, talks, visitas em contexto.
Os alunos da FBAUL selecionados para a exposição “Emergências” no âmbito da Contextile 2018 – Bienal de Arte Têxtil Contemporânea são Alberto Marques, Ana Reis, Andreia Jesus, Ânia Pais, Bárbara Freire da Cruz, Beatriz Coelho, Carina Borges, Edna Serrão, Félix Soares, Inês Carrelhas, Inês Nisa, Joana Mourão Rosa, Margarida Vinhais, Maria Nascimento, Sara Santos e Sofia Livesay.
crise de identidade
Out 01 2018
02 > 13 OUTUBRO I GALERIA BELAS-ARTES
Inaugura no dia 2 de outubro, às 18h30, na Galeria das Belas-Artes e na Galeria da Associação de Estudantes, a exposição Crise de Identidade.
Coordenação: António Nicolas e Pedro Almeida
A exposição de Design de Comunicação da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa é um evento que se realiza, de forma ininterrupta, há já 7 anos, sempre com uma temática diferente. O seu principal objetivo é dar a conhecer aquela que é a prática do Design de Comunicação no contexto desta instituição de ensino.
O projeto Crise de Identidade propõe-se a retratar a juventude dos nossos dias como geração-baloiço, à procura de equilíbrio, num tempo plural, de opostos e de escolhas. Os objetos expostos (de carácter interativo, editorial ou audiovisual), são resultado do trabalho do último ano da Licenciatura em Design de Comunicação de jovens designers, alunos finalistas no ano letivo 2017/18, e pretendem concretizar os sentimentos de uma geração face à ordem das coisas e do seu tempo.
horário |schedule
2ª a sáb › 11h–19h
encerra domingos e feriados
monday to saturday › 11am to 7pm
Paralelamente à exposição, vários eventos de cariz cultural associados ao projeto serão dinamizados, também na Faculdade de Belas-Artes. Além da inauguração da exposição, no dia 2 de Outubro, contamos com conversas e a exibição de documentários.
PROGRAMA
CONFERÊNCIAS
Youth Culture and Design —Elise By Olsen
8 de outubro, 19h00, escadaria da Capela das Belas-Artes
Elise By Olsen é editora e curadora baseada em Oslo, Noruega. Aos 13 anos, foi internacionalmente reconhecida como “a editora-chefe mais jovem do mundo” pelo seu trabalho na Revista Recens Paper, sobre cultura jovem.
Após demissão da Recens ao atingir a maioridade, Elise iniciou uma nova revista, agora de nome Wallet, onde se debruça sobre crítica e estruturas de poder no mundo da moda.
Além de editora, Elise By Olsen trabalha como consultora de marca, curadora de exposições e ainda como oradora em várias universidades.
Dia 8 de outubro, na FBAUL, falará sobre o seu período de crescimento e trabalho em volta da cultura jovem e da atual relação que essa cultura tem com objetos print como revistas.
Graphic Design – Print/Digital — Desisto + Under the Cover
9 de outubro, 19h00, escadaria da Capela das Belas-Artes
Desisto é uma plataforma multidisciplinar independente, criada em 2013 por Margarida Borges e Ricardo Martins, que mais recentemente passou a operar também como estúdio de Design Gráfico depois de receber José Mendes.
Responsável por projetos próprios, desenvolve trabalho nos campos cultural e comercial. O estúdio dedica-se principalmente a projetos na área da Identidade Visual, Branding, Projetos Editoriais, Design de Exposições / Cenários e Web Design, com um foco particular na tipografia e produção.
Dia 9 de outubro, juntam-se à Under The Cover para discutir o futuro do print do ponto de vista dos produtores (estúdio) e dos distribuidores (loja).
under the cover
under the cover é uma livraria contemporânea sediada em Lisboa, perto do Parque Gulbenkian e do Centro de Arte Moderna. Oferece uma ampla gama de revistas, jornais e livros internacionais cuidadosamente escolhidos para inspirar o leitor moderno.
Os materiais de leitura que dispõem abrangem todo tipo de tópicos, desde arte, moda, fotografia, comida, viagens, arquitetura, cultura e sociedade, até design, literatura e música.
Design e Identidade — Mário Moura
10 de outubro, 19h00, Auditório Lagoa Henriques
Mário Moura é crítico de design, conferencista e blogger. Leciona atualmente História e Crítica do Design na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, integrando também o Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (i2ADS). Escreve regularmente para jornais, revistas e no blogue The Ressabiator. É autor do livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009) e editor da revista Monumentânea (Grandes Armazéns do Design).
Estará a 10 de outubro na FBAUL para falar sobre o seu último livro, O Design que o Design não vê (Orfeu Negro, 2018) onde explora a relação do design com questões de género, raça e classe.
Graphic Design —Studio Degrau
11 de outubro, 19h00, escadaria da Capela das Belas-Artes
No dia 12 de outubro, o estúdio Degrau apresentará o seu trabalho, elaborando sobre a forma como o digital/virtual veio alterar a relação entre designer e cliente, designer e público, e público e os próprios objetos de design.
DOCUMENTÁRIOS
Y? – RETRATO GERACIONAL
Como nos vemos | Como nos vêem | Comos somos
— Daniela Oliveira, Inês Bacalhau e Madalena Anjos
4 de outubro, 19h00, Sala de Convívio da AEFBAUL
1 — Entrevistas a jovens millennials sobre sua geração e o sentimento de ser jovem;
2 — Cruzamento de reflexões de indivíduos de outras gerações para entender como estes podem contribuir para uma análise mais aprofundada;
3 — A geração através da lente de jovens fotógrafos que se debruçam sobre a temática da juventude
IN THE MOOD FOR LOVE?
Amor, Sexo e Geração
— Ana Adelino, Ana Simões e Luís Guerreiro
Permanente na exposição no espaço media na Galeria das Belas-Artes
Nesta época em que o sexting se torna a nova forma de cartas de amor e o gosto numa foto o novo piscar de olho num bar, serão as relações amorosas de hoje mais banais ou vulgares que as de gerações anteriores? São mais instantâneas, isso sem dúvida. Talvez até descartáveis? — Com a tomada de poder das redes sociais, que permitem agora um contacto constante e facilitado com o outro, estará o amor e a verdadeira intimidade em vias de extinção?
Para memória futura, será produzido um catálogo da exposição assim como um jornal, com ensaios temáticos assinados por docentes e alunos, em torno do tema da identidade e da juventude. Toda a atividade projetual e demais informações serão divulgadas no website e nas redes sociais do projeto.
Informamos que este evento será registado e posteriormente divulgado nos meios de comunicação da instituição através de fotografia e vídeo.
explorações 2016-18 — projetos de mestrado de arte multimédia
Out 01 2018
04 > 11 OUTUBRO I CISTERNA DAS BELAS-ARTES
No dia 04 de outubro, às 19h00, inaugura na Cisterna das Belas-Artes, a exposição “Explorações 2016-18 — Projetos de Mestrado de Arte Multimédia “.
Performances: 4 de outubro, 20h00; 11 de outubro, 21h00
Finissage: 11 de outubro, 21h00
Exposição de Alice Turnbull, Dárida Rodrigues, Francisco Pinto, Guida Marques, João de Goes, Laura Muñoz Sánchez, Luciano Benjamin Cieza, Pedro Soares, Sandra Zuzarte
Coordenação: Mónica Mendes
Nesta exposição apresenta-se um conjunto de explorações realizadas por alunos do mestrado em Arte Multimédia no âmbito das suas investigações artísticas iniciadas em 2016. Trata-se de uma seleção que procura ilustrar a vitalidade de um mestrado que se tem pautado pela aposta na diversidade de propostas, inquietando-se em diferentes áreas, da instalação e audiovisual, performance e fotografia, e integração da realidade aumentada à estereografia.
É no ambiente intimista da cisterna do antigo convento franciscano que é hoje a faculdade de Belas-Artes que os artistas e investigadores Alice Turnbull, Dárida Rodrigues, Francisco Pinto, Guida Marques, João de Goes, Laura Muñoz Sánchez, Luciano Benjamin Cieza, Pedro Soares e Sandra Zuzarte expõem as suas criações.
E é nesse ambiente que percorremos as suas explorações como quem viaja no tempo que se suspende e num espaço que se percepciona múltiplo e único.”
Informamos que este evento será registado e posteriormente divulgado nos meios de comunicação da instituição através de fotografia e vídeo.
horário |schedule
2ª a 6ª › 13h–20h
encerrado sáb., dom. e feriados
monday to friday › 1pm to 8pm
closed weekend and holiday
Um Peixe Fora d’Água — Ciclo dos Artistas Finalistas do Mestrado Arte e Multimédia
Set 24 20186 > 29 SETEMBRO | GALERIA BELAS-ARTES
No dia 6 de setembro, pelas 18h30, inaugura na Galeria da Faculdade de Belas-Artes, a primeira exposição do ciclo dos Artistas Finalistas do Mestrado em Arte Multimédia.
Esta exposição integra a programação da 9ª edição do Bairro das Artes — a Rentrée Cultural da Sétima Colina de Lisboa, que se realiza no dia 20 de setembro, entre as 18h00 e as 22h00 com a visita dos 38 espaços de arte contemporânea que integram este projeto.
Este ciclo é composto por 4 exposições com diferentes artistas, de acordo com as datas abaixo indicadas.
Coordenação e curadoria
João Paulo Queiroz
“Sentir-se como um peixe fora de água” é uma expressão banal mas que tão bem se acomoda na mente criativa. Os artistas são, e sempre foram, aqueles que arriscam colocar as suas guelras fora de água circulando o mundo contra a maré.
Após a conclusão dos estudos, Cláudia Peres, Cunha Pimentel, Fábio Colaço, Joana Pitta, Lena Wan, Luís Soares, Mariana Rosa, Maria Leonardo, Miguel Rodrigues, Rogério Paulo da Silva e Sinem Tas reúnem-se novamente com os projectos desenvolvidos ao longo do Mestrado Mestrado Arte e Multimédia, 2015/17. A exposição é um ciclo de quatro mostras, em que cada semana corresponde a uma distinta exibição contando com a participação três artistas.
Na primeira semana apresentamos Lena Wan, Rogério Paulo da Silva, e Cunha Pimentel que trabalham sobre o medium fotográfico: a imagem parada e em movimento; a fotografia como objeto da memória e, como forma de expressão lírica.
Na segunda seguinte, Fábio Colaço, Maria Leonardo e Cláudia Peres trabalham sobre os conceitos de memória, ficção e apropriação; Na terceira semana, Joana Pitta, Miguel Rodrigues e Maria Leonardo trabalham a fotografia e o vídeo como matéria escultórica. Por fim, assistimos à exposição de Sinem Tas, uma contadora de histórias vinda da Turquia; e de Mariana Rosa e Luís Soares que exibem trabalhos com a técnica coincidente do desenho digital.
1ª exposição – 6 -8 Setembro, 18h30 inauguração
Lena Wan
Rogério Silva
Cunha Pimentel
2ª exposição – 12- 15 Setembro , 18h30 inauguração
Joana Pitta
Miguel Novais Rodrigues
Maria Leonardo
3ª exposição – 19-22 Setembro, 18h30 inauguração
Fábio Colaço
Maria Leonardo
Cláudia Peres
4ª exposição – 25-29 Setembro, 18h30 inauguração
Mariana
Luís Soares
Sinem Tas
horário |schedule
2ª a sáb › 11h–19h
monday to saturday › 11am to 7pm
No lago dos peixes vermelhos, à sombra quente de uma estátua
Rente ao chão, acontecem coisas. Os pés descalços podem senti-las, os dedos podem tocá-las. Podem ser ruídos, folhas que nascem, verduras, migalhas, aragens, formigas, poeiras. Sobre os pés descalços, as pernas, os ossos, o sangue, a trepidação quente de um corpo vivo. Mais acima, há mãos inquietas, e mais ao alto, respiração, olhos atentos, brilhantes, ouvidos, e os cabelos bonitos. No meio deles, pensamentos, ideias, lembranças, perguntas e desejos. Contam uma história cheia de seres e de quereres, de recordações e de viveres. E ainda mais alto, um ar e um céu, a humidade da nuvem, a distância.
Em contato, a areia nos pés, o mar liso que vem e veste de espuma fria a pele brilhante. Uma aragem, e depressa um passo, equilíbrio. Um riso, e tudo passa.
A pergunta lança-se sobre o branco. Como contar uma coisa nova? Coisas que estavam aqui, perto de ti, não reparaste? Assim posso contar: uma rapariga de olhos fechados, com graça, diz Cunha Pimentel. O Rogério Silva toca-nos com cuidado, mostra o momento pensado, recorda a lembrança. Imagens que moram, tépidas. E a Lena Wan, a meio de uma viagem, paragem no fim de Portugal, onde acaba a Europa para quem vê de lá. A ver o começo da saudade.
Como mostrar uma ideia nova? Coisas que hão-de vir, não sabias? Uma ideia grande, a flutuar, mostra Fábio Colaço. Uma possibilidade que só eu percebi, no fundo das letras antigas, das tintas de linótipo, diz a Maria Leonardo. A cápsula do tempo, a antiga gravação, o pequeno homem, apresenta Cláudia Peres, de modo nítido.
Lá fora, o mundo brilha, aquecido. Olha-se cá de longe, no meio do tempo e do sítio, como recorta em Lisboa Miguel Novais Rodrigues. Mergulha-se a fundo na superfície muda da fita de um vídeo, olha aqui, substâncias, explica Joana Pitta. De Maria Leonardo, os cristais do novo mundo, o infinito.
No contracampo estou eu que olho, que oiço, e que te digo, diz Luís Soares, com um olhar mudo. Olhando na água, vendo quem sou, esquecendo o mundo, conhecendo, o desconhecido, conta Mariana Rosa. Sinem Tas, propondo novas ligações, no olhar do outro, no teu olhar.
Tudo junto, pensar a escrita, imaginar a imagem, transgredir a repetição. A Estátua já foi viva no seu tempo melancólico, e exibe agora a sua casca de memória, o resto de uma sombra quente. É bom lembrar.
João Paulo Queiroz
Este evento é passível de ser registado e posteriormente divulgado nos meios de comunicação da instituição através de fotografia e vídeo.