Exposições
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carmo, chiado e as aparições de fausto
Jun 01 2018
01 > 15 JUNHO I MUSEU ARQUEOLÓGICO DO CARMO
Inaugura no dia 1 de junho, às 17h30, em Lisboa, no MUSEU ARQUEOLÓGICO DO CARMO, a última exposição internacional relativa ao Chiado, Carmo e ao mito de Fausto, com a participação de docentes e estudantes de cinco Instituições de Ensino Artístico Superior, aventura coletiva a exibir em diversas cidades europeias, projeto com a conceção e a curadoria geral de José Quaresma, acompanhado nesta tarefa por outros quatro curadores convidados para estabelecer os elos com os respetivos países.
As Instituições participantes são:
École Nationale Supérieure des Beaux-Arts de Paris
Facultad de Belas Artes de Cuenca
École Nationale Supérieure des Arts Visuels La Cambre, Bruxelas
Academia de Belas Artes de Lodz
e docentes e estudantes da FBAUL.
No dia 1 de fevereiro, em Cuenca, foi apresentado oficialmente o livro de ensaios deste ano com a coordenação do docente acima referido, assim como um Ciclo internacional de Conferências com a designação: Carmo, Chiado e as Aparições de Fausto. Esfera Pública e Transfigurações de um Mito.
LÓDZ: 3 a 17 janeiro
CUENCA: 1 A 25 fevereiro
PARIS: 1 a 26 março
LISBOA: 2 a 15 maio; 1 a 15 junho
O Museu de Escultura Comparada – Uma coleção renegada
Jun 01 20189 JUNHO | PALÁCIO NACIONAL DE MAFRA
No seguimento das atividades do Ano Europeu do Património Cultural a mestranda das Belas-Artes, Bárbara Freire da Cruz-Figueiredo, convida-nos a entrar no seu caso estudo da dissertação, «Museu de Escultura Comparada» no próximo dia 9 de Junho no Palácio Nacional de Mafra das 17h às 20h30.
Atividade inédita, visto a polémica que este pequeno museu tem atravessado desde a sua origem. O Museu de Escultura Comparada – surge inicialmente na necessidade da não existência de um museu nacional de escultura. Foi por sua vez oficializado em 1964 mas permanece desde o primeiro dia com as suas portas fechadas. Esta grandiosa mostra acarreta em si o espírito indomável do escultor e do historiador de arte Diogo de Macedo, que por sua vez salvaguardou esta coleção peculiar de moldagens nacionais e francesas, que estariam em risco de ser destruídas.
No desejo de sensibilizar e informar o público quer de uma técnica desvalorizada como ainda a saborear o melhor o Património nacional, agora pela mão da aluna, o Museu de Escultura Comparada apesar de encoberto pelo tempo e pelo pó, abre as suas portas ao público nesta cápsula do tempo – e ainda que o pó tenha uma conotação negativa, tem tido o papel mais importante, na conservação diária das peças.
Esta atividade para além de complementar a investigação da aluna, pretende sensibilizar uma vez mais a atenção para a salvaguarda do património nacional, e acima de tudo, recordar a necessidade de abrir de uma vez por todas as portas desta magna coleção que trará benefícios para a sociedade e para a cultura portuguesa.
Esta coleção ilustra o legado português – Exposição do Mundo Português de 1940, disposta num cortejo de cal, por 9 salas no Torreão Sul do Palácio Nacional de Mafra, permitindo uma leitura comparativa e cronológica ainda com a essência de um museu dos anos 60.
Bárbara Freire da Cruz-Figueiredo
desenha luz
Jun 01 2018
30 MAIO > 15 JUNHO I CORREDOR DO AUDITÓRIO LAGOA HENRIQUES
Inaugura no dia 30 de maio, às 18h00, no corredor do 1º piso do Auditório Lagoa Henriques, a exposição Desenha Luz.
Nesta mostra são apresentados os Protótipos funcionais das várias interpretações do tema Desenhar Luz. Exercício académico realizado, no presente ano letivo, pelos estudantes do 1º ano, do Curso de Design de Equipamento, na UC de Projeto I Metodologia, com orientação de Ana Thudichum Vasconcelos, Mariano Piçarra e Ricardo Delgado.
conservação e restauro de esculturas em gesso
Mai 15 2018
17 MAIO > 01 JUNHO I GALERIA BELAS-ARTES
Inaugura no dia 17 de maio, às 18h00, na galeria das Belas-Artes a exposição Conservação e Restauro de Esculturas em Gesso resultado do trabalho de restauro realizado pela Professora Marta Frade, no âmbito do seu doutoramento, sob orientação do Professor António Matos.
A exposição é de entrada livre e estará patente até 01 de junho.
Horário da exposição: 2ª a 6ª feira, das 10h00 às 18h00
19 de maio (sábado): das 14h00 às 23h00
(restantes sábados e domingos está encerrada)
Informamos que este evento é passível de ser registado e posteriormente divulgado nos meios de comunicação da instituição através de fotografia e vídeo.
Um trabalho em constante progresso!….
Esta exposição resulta do trabalho realizado no âmbito do doutoramento, sob orientação do Professor Doutor António Matos. É o início de um longo caminho para a valorização, preservação, conservação e restauro da arte em gesso. Resulta de um percurso que começou há 21 anos, onde o conhecimento e estudo sobre esta matéria tornaram-se mais coesos, exaltando uma vontade de preservar e valorizar uma arte que se entendia como efémera.
Neste percurso, trabalhar em restauro de arte edificada permitiu manter um saber-fazer tradicional que se previa perder. Mas também com os artistas, proporcionou um momento privilegiado dando lugar a um diálogo entre o escultor e o conservador-restaurador. Nesta última etapa houve a oportunidade de olhar não só para a obra em si, como também para uma colecção de um valor incalculável, que guarda em si estórias e histórias, saberes-fazeres, evoluções de técnicas, memórias…..que definem períodos e estilos, ajudando a vivenciar a evolução do ensino artístico português.
Nestes anos houve o privilégio de procurar conceitos, metodologias de uma arte tão empírica, quer por parte de estucadores como de formadores. A simbiose entre a investigação e a prática proporcionaram uma contribuição para o ensino. A transmissão de saberes permite parar o tempo para olhar de uma outra forma a arte, sensibilizar e cuidar o que outrora foi, e é, arte de alguém.
Nesta exposição percorremos três eixos principais: a Valorização sobre a reserva escultórica bem como de todo o património móvel e imóvel em gesso; a Metodologia onde é visível o diálogo entre o escultor e o conservador-restaurador bem como o uso da ciência e tecnologia (como por exemplo a radiografia) para o conhecimento da estrutura interna e também a análise da matéria em si; por fim o Ensino onde é dada a importância da transmissão de saberes e o trabalho realizado com os alunos na cadeira Laboratório de Conservação e restauro da Licenciatura de Escultura.
Embora frágil e efémero, o gesso foi a matéria eleita para a divulgação da arte pela Europa, para imitar uma variedade de matérias nobre não alcançáveis e guarda em si, como uma espécie de fóssil, marcas do artista, perdurando no tempo para as gerações futuras.
Marta Frade
corpo de meteorito
Mai 15 2018
02 > 28 MAIO I CAPELA BELAS-ARTES
Corpo de Meteorito, exposição de Mikha-ez, patente na Capela das Belas-Artes entre 2 e 28 de maio de 2018. Esta exposição, com curadoria de João Castro Silva, insere-se na programação oficial da 12º edição das GAB-A, Galerias Abertas das Belas-Artes e, por isso, a sua inauguração realiza-se no dia 19 de maio, às 14h00, com a presença do artista.
No dia 16 de maio realiza-se uma coreografia coordenada de Mikha-ez e Laura Índigo, às 12h00 e outra às 17h00,
Horário: as visitas deverão ser agendadas com o artista através do e-mail mikhaez@usal.es
Este evento é passível de ser registado e divulgado pela Faculdade através de fotografia e vídeo
RELAÇÃO
Todo o conhecimento é uma relação, um processo permanente e contínuo do nosso corpo com o cosmos; trocas, sinais, informações, sensações. O que existe para nós, é dependente da nossa compreensão. Para lá da nossa medida, aquilo que não é, ou foi alguma vez, parte do nosso corpo, não poderá nunca persistir. As bases relacionais que mantemos com aquilo que criamos, observamos, vivenciamos são tão essenciais que as suas articulações são as mesmas da nossa existência[1]. Trata-se de relações que são feitas por mediação, digamos, quer pelas impressões que nele inscreveu o gesto criador, quer pelas que o olhar fruidor recria.
O espaço não se limita a um conceito físico pois só através de um processo de abstracção mental poderemos estabelecer os códigos da sua percepção. A noção de espaço é inerente à própria existência humana e dela deriva[2]. A percepção de um objecto, de uma forma ou de uma grandeza, como reais, reenvia-nos a um mundo de sistemas de experiências em que o nosso corpo e os fenómenos estão inseparavelmente interligados.
Espaço é a extensão do ‘meu’ corpo, projectada em todas as direcções até ao infinito; as posições intencionais e os movimentos projectados no espaço impõem-se pelo seu efeito desde a aparição do homem[3]. Espaço é a relação que os corpos, objectos, ou coisas, mantêm entre si; corpos que se relacionam com outros, sendo embora uns, entidades vivas e os outros, entidades inertes. Relação, ainda, do corpo com os elementos que o constituem porque todas estas ‘variáveis’ se integram intrinsecamente.
Na percepção, o interior revela-se no exterior, numa significação que só se pode compreender plenamente através do tacto e do olhar. “A palavra percepção vem de percipio que se origina em capio - agarrar, prender, tomar com ou nas mãos, empreender, receber, suportar. Enraíza-se, portanto, no tato, (…).”[4] O olho que percepciona, utiliza informação anteriormente apreendida e reconhece, interpreta, antecipa e prevê o que surge no seu campo de visão. O nosso sistema visual reage a estímulos externos, mas não é esse estímulo que vai determinar a percepção. Existe um vão entre os estímulos externos a que o nosso olho reage e a percepção, e é nesse vão que o olhar se torna criativo, inteligente. Perceber é assimilar os estímulos e dar-lhes um significado, adivinhamos o que vemos, completamos com as nossas memórias aquilo que se oferece aos nossos sentidos. Uns vêem como fundo aquilo que outros entendem como figura, o significado é obra nossa, individual. Vemos aquilo que sabemos, percebemos a realidade de uma forma única, particular.
No entanto é imprescindível a mediação do outro para a tomada de consciência do eu – porque introduz a estranheza ou a familiaridade, a possibilidade de estabelecer relação, de suscitar comparação. Relação entre o corpo e o espírito. Relação entre o homem e o universo. Relação entre a ordem interna e a organização exterior. Relação directa com a matéria, um conteúdo que se conhece e se reconhece na variação e na semelhança com o contentor[5].
São as vivências, conhecimentos e demais condicionantes socioculturais que vão influir de maneira fundamental na elaboração da imagem por parte do observador. O observador ajusta e compõe os dados que a forma lhe oferece e fá-los coincidir com os esquemas que guarda na sua memória. Sistema de relações que permitem percepcionar o mundo na sua total abrangência, dos momentos anteriores, que passaram, aos posteriores, que continuam após aquele instante.
João Castro Silva
Professor Auxiliar Escultor
BIBLIOGRAFIA
- FORTES, Manuel de Azevedo, Lógica Racional, INCM, Lisboa, 2002.
- GOETHE, Johann Wolfgang, Escritos obre Arte, trad. de Marco Aurélio Werle, Imprensa Oficial, São Paulo, 2005.
- GORSZ, Elisabeth, 1995 Space, Time and Perversions: Essays on the Politics of the Body, Routledge, N.Y. & London, 1995.
- KNOBBE, Maria Margarida, A palavra da pele, Revista FAMECOS, nº 25, Porto Alegre, Dezembro 2004.
- SERRES, Michel, Variações sobre o Corpo, Bertrand Brasil, R. J., 2004.
[1] “(…) não precisamos inventar a roda porque ela sempre esteve em nós. Sua presença corporal dispensou-nos da necessidade de descobri-la.” (SERRES, 2004, p. 105).
[2] “(…) ainda que possamos perceber o espaço sem corpo, nunca poderemos perceber o corpo sem espaço.” (FORTES, 2002, p. 126).
[3] “Os corpos articulam discursos, sem necessariamente falarem, porque são codificados com e como signos. Articulam códigos sociais. Tornam-se intertextualizados, narrativizados; simultâneamente incarnam códigos sociais, leis, normas e ideais. “Se os corpos são atravessados e infiltrados por saberes, significações e poder, eles podem igualmente, em determinadas circunstâncias, tornar-se pólos de luta e resistência, inscrevendo-se activamente em práticas sociais.” (GORSZ, 1995, pp. 35/36).
[4] KNOBBE, 2004, p. 128.
[5] “Mas o que é o exterior de uma natureza orgânica senão a aparição que eternamente se modifica do interior? Essa exterioridade, essa superfície está adaptada de tal maneira a uma estrutura interior múltipla, enredada e suave, que ela se torna, desse modo, ela mesma algo de interior, na medida em que ambas as determinações, a exterior e a interior, estão sempre na mais imediata relação, tanto na mais silenciosa existência quanto no mais forte movimento.” (GOETHE, 2005, p. 159).
BIOGRAFIA de Miguel González Diez (Mikha-ez)
adriano de sousa lopes — conservação e restauro das obras académicas pertencentes ao espólio da faculdade de belas-artes da universidade de lisboa
Mai 01 2018
26 ABRIL > 11 MAIO I GALERIA BELAS-ARTES
Inaugura no dia 26 de abril, na Galeria das Belas-Artes a exposição Adriano de Sousa Lopes — conservação e restauro das obras académicas pertencentes ao espólio da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, resultado do trabalho de restauro das pinturas de Adriano de Sousa Lopes, realizado pela doutoranda Liliana Cardeira, no âmbito do seu doutoramento, sob orientação da Professora Ana Bailão.
A curadoria da exposição é de Beatriz Bento, Mestre em Museologia e Museografia pela FBAUL.
A exposição é de entrada livre e estará patente até 11 de maio.
Horário:
2ª a 6ª 10h/18h
sáb.: 10h/13h
No dia 11 de maio a Galeria encerra às 13h00
Informamos que este evento é passível de ser registado e posteriormente divulgado nos meios de comunicação da instituição através de fotografia e vídeo.
DN (20.04.2018) — Belas Artes exibe obras restauradas inéditas de Adriano de Sousa Lopes
OBSERVADOR (26.04.2018) — Belas Artes de Lisboa exibem obras restauradas inéditas de Adriano de Sousa Lopes
SAPO24 (26.04.2018)— Belas Artes de Lisboa exibem obras restauradas inéditas de Adriano de Sousa Lopes
Adriano de Sousa Lopes nas Belas-Artes: vislumbres de uma carreira
What passing-bells for these who die as cattle?
— Only the monstrous anger of the guns.
(Wilfred Owen, Anthem for Doomed Youth, 1917)[1]
Adriano de Sousa Lopes (1879-1944) entrou nas Belas-Artes de Lisboa em 1895. Aqui foi aluno de Veloso Salgado (1864-1945) e de Luciano Feire (1864-1935). Prémio Anunciação em 1900, parte para Paris em 1903 com uma bolsa do Legado Valmor. Durante esta primeira estadia em Paris frequenta a École Nationale de Beaux-Arts e a então famosa Académie Julien; expõe no Salon d’Automne e, em 1907 e em 1908, viaja até Veneza – prelúdio das viagens que mais tarde fará pela Europa e pelo norte de África. Com a entrada de Portugal na I Guerra Mundial parte em 1917 para a frente de batalha, integrando o Corpo Expedicionário Português. Como oficial artista, o único entre as tropas portuguesas, regista o mortífero conflito militar e a penosa vida dos soldados-ratos nas trincheiras do norte de França. Desta experiência resultará um trabalho único na história da arte portuguesa.
O acervo Sousa Lopes da Faculdade de Belas-Artes integra onze pinturas que lhe estão atribuídas e que são datadas destes seus anos de formação: primeiro como aluno dos mestres lisboetas e depois como estudante bolseiro na capital da Europa, obrigado a enviar para Lisboa as provas do acertado investimento feito na sua educação cosmopolita. Este conjunto de obras é, assim, emblemático da natureza específica das coleções artísticas da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL): maioritariamente constituídas por obras do período de aprendizagem dos artistas e designers nacionais[2]. Esta restrição das coleções à breve e precoce passagem pela instituição dos autores das obras tem sido frequentemente entendida como uma fraqueza ou insignificância intrínseca – avaliação em que assentou muito do desinteresse a que estiveram votadas ao longo de décadas. Na verdade, deve ser entendida como sinónimo da singularidade e qualidade específica do património da maior e mais antiga escola nacional: ao abarcarem o período de formação dos artistas e designers nacionais, estas coleções permitem uma visão primordial das suas carreiras, através de criações que, tantas vezes, desaparecem ou ficam ocultas do olhar público e da investigação crítica; nalguns casos, permitem mesmo vislumbres inesperados ou antevisões renovadas do futuro já conhecido.
Sendo uma escola, a missão principal da FBAUL é «a formação, a investigação e a disseminação do saber nos domínios da arte, da cultura e da ciência que lhe são historicamente reconhecidos bem como nos domínios emergentes da criação contemporânea»[3]. Ao mesmo tempo, cabem-lhe responsabilidades museológicas embora, à semelhança de outras escolas de arte e design, nem sempre disponha dos recursos humanos e dos meios técnicos que melhor garantam a inventariação, a conservação e reabilitação do seu património material. Acima de tudo, a dotação financeira ao seu dispor esgota-se no cumprimento da sua missão principal, ficando até longe, como infelizmente sabemos, de suprir integralmente as necessidades inerentes. Esta dimensão dupla (ou híbrida) é um factor distintivo face a outras instituições de ensino superior e museus e, por isso mesmo, uma vantagem da qual deverá saber tirar partido – pese embora todas as dificuldades que, no contexto atual, coloca à sua gestão. Se a isto somarmos a manutenção e a preservação do Convento de São Francisco da Cidade, no qual a Faculdade está sediada, percebemos melhor a amplitude e o carácter sui generis dos desafios patrimoniais que a FBAUL enfrenta.
A criação de cursos e de vias de especialização (da graduação à pós-graduação) na área de ciências da arte e do património, a aposta que neles tem sido feita nos últimos anos e o claro crescimento tanto dos recursos como dos resultados diretamente ligados ao estudo, à preservação e à recuperação de obras de arte é um sinal claro da vontade da instituição em fazer das dificuldades vantagens. O investimento feito na preservação e na divulgação da grande coleção de escultura em gesso, de qualidade internacional, e a elaboração, em curso, de um plano estratégico para todas as coleções e acervos é um outro.
A presente exposição é, por isso, um excelente exemplo desta nova capacidade da FBAUL em estudar, recuperar e divulgar o seu próprio património artístico. Nela encontramos de forma muito clara estas três vertentes: ao tornar público o resultado do trabalho de restauro das pinturas de Adriano de Sousa Lopes, realizado pela estudante Liliana Cardeira, no âmbito do seu doutoramento, sob orientação da Professora Ana Bailão, a exposição permite difundir o conhecimento resultante do estudo das obras e do autor que a intervenção exige, revelando ao mesmo tempo o processo e os meios da própria intervenção. Esta ênfase no processo de trabalho, para além das inerentes razões científicas e óbvias vantagens pedagógicas, demonstra os paralelismos que a especialidade de conservação e restauro mantém com o processo produtivo de artistas e designers, a sua reconhecida importância nos resultados criativos e a repercussão que tem alcançado na cultura visual contemporânea.
Além das pinturas de Adriano de Sousa Lopes agora mostradas, a coleção das Belas-Artes integra ainda seis desenhos e vinte e quatro gravuras do artista. Destas, dez estão diretamente relacionadas com a sua experiência na frente de guerra e com o trabalho daí resultante. Uma sepultura portuguesa na terra de ninguém é, provavelmente, de todas as gravuras a mais próxima da crueza dos dois versos de Wilfred Owen nascidos da violência inaudita da Grande Guerra. Será dos escombros desta que nascerá o século XX. Mas será também depois dela que a carreira de Adriano de Sousa Lopes se tornará, em Portugal, uma das mais bem sucedidas da primeira metade do novo e moderno século.
[1] «Que sinos dobram para estes que morrem como gado? / — Apenas a fúria monstruosa das armas.» Os dois primeiros versos do poema de Wilfred Edward Salter Owen (1893-1918), poeta inglês que participou como soldado na I Guerra Mundial e morreu nas trincheiras francesas uma semana antes do armistício, surgem logo no início do War Requiem, composto por Benjamin Britten (1913-1976) em 1961-62 para a consagração da nova Catedral de Conventry (cujo edifício medieval foi destruído nos bombardeamentos da II Guerra Mundial). No texto da sua obra, Britten combinou nove poemas de Owen sobre a guerra com os textos latinos tradicionais da missa de requiem.
[2] A FBAUL é detentora de outras acervos, como os que integram obras adquiridas para fins assumidamente pedagógicos ou provenientes de legados. No primeiro caso, destaca-se a coleção de réplicas em gesso de grandes obras escultóricas mundiais; no segundo, o legado do professor e artista Lagoa Henriques (1923-2009). Relembre-se que o essencial das coleções artísticas reunidas na Academia de Belas-Artes de Lisboa, após a sua fundação em 1838, foram-lhe retiradas, entre o fim do século XIX e o início do século XX, para integrarem os novos museus públicos da capital – os atuais Museu Nacional de Arte Antiga e Museu Nacional de Arte Contemporânea.
[3] Estatutos da Faculdade de Belas-Artes, Diário da República, 2.ª série, N.º 43, 3 de março de 2014, p. 6227.
GAB-A — 12ª edição das galerias abertas das belas-artes
Mai 01 2018
19 > 20 MAIO I BELAS-ARTES
Este evento é passível de ser registado e divulgado pela Faculdade através de fotografia e vídeo
As Galerias Abertas das Belas-Artes são um evento periódico da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, que nos dias 19 e 20 de maio de 2018 realizará a sua 12ª edição.
Horário abertura ao público:
19 maio: 14h – 23h
20 maio: 14h – 19h
Esta atividade integra-se no ANO EUROPEU DO PATRIMÓNIO CULTURAL 2018.
INSCRIÇÕES ENCERRADAS
Durante o fim-de-semana de 19 e 20 de maio de 2018 a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa vai acolher a 12ª edição das GAB-A / Galerias Abertas das Belas-Artes. Participam alunos e ex-alunos dos vários cursos que a escola integra: Arte Multimédia, Ciências da Arte e do Património, Desenho, Design de Comunicação, Design de Equipamento, Escultura e Pintura.
As GAB-A são um fórum de discussão e mostra de jovens artistas, produtos de investigação artística e obras em contexto de ensino superior artístico público, integrados no espaço físico onde são pensados e produzidos.
Não é uma comum exposição em galeria, museu ou centro cultural. É a abertura dos espaços de trabalho e de investigação artística que a Faculdade de Belas-Artes contém, num espírito de oficina, de atelier ou de estúdio.
As GAB-A são um evento de partilha com públicos exteriores que depende da vontade dos seus participantes, das solicitações, motivações, e da oportunidade e convites que, depois de cada edição, lhe são dirigidas.
É um espaço de grande informalidade, com a presença dos jovens autores. Um fórum / feira, onde se ensaiam questões pragmáticas como o universo do contacto com o mundo exterior, a constituição de grupos e projetos ou a definição de estratégias de ações futuras. Um momento de troca de experiências e de aplicação de conhecimentos.
Nas GAB-A não há seleção de obras nem de participantes por qualquer entidade que não o próprio autor, possibilita-se que cada estudante teste a sua capacidade de decisão, de autocrítica e de autonomia. São convidados a participar todos os alunos que o queiram fazer, todos os que tenham a segurança e a determinação que qualquer profissão exige.
Possibilita-se a fruição de um ambiente de fórum de arte atual, no contexto do seu núcleo embrionário (o local de aprendizagem e investigação) o que propicia interrogações sobre os mundos, sobre a arte e sobre o mundo da arte.
Nas GAB-A estabelecem-se pontes entre todos os ciclos e níveis de ensino. Participam alunos que frequentam a Faculdade há seis meses ao lado de outros que a frequentam há muitos mais anos (licenciandos, mestrandos e doutorandos).
HOMENAGEM A SANTA RITA PINTOR NOS CEM ANOS DO SEU FALECIMENTO – POLÉMICAS E CONTROVÉRSIAS
Mai 01 2018
03 > 04 MAIO 2018 I AUDITÓRIO LAGOA HENRIQUES
Este evento pretende durante dois dias (3 e 4 de maio) homenagear a polémica figura de Santa Rita Pintor, decorridos cem anos do seu falecimento, a 29 de Abril de 1918. Juntando um grupo de especialistas que nos últimos anos se têm interessado e trabalhado sobre Santa Rita Pintor, este projeto pretende lançar novas informações, reflexões e discussões em torno da sua particular importância na história da arte portuguesa, em torno de questões como a sua relação com a Academia, as suas polémicas enquanto bolseiro, com a enviada cópia da Olympia de Manet e o conflito com João Chagas que levou à suspensão das bolsas, o seu reivindicado futurismo, com as suas blagues e provocações, os seus envolvimentos em Orpheu e na edição de Portugal Futurista, esta imediatamente apreendida à saída da gráfica, a sessão futurista com Almada Negreiros que é caso único na sua dimensão extremamente precursora na história da performance em Portugal, a polémica da atribuição da Cabeça Futurista que o amigo Manuel Jardim trouxe postumamente de Paris como sendo de Santa Rita Pintor, a destruição da sua obra de vanguarda, deixando um vazio provocatório ao seu entendimento póstumo, entre outras.
Será um regresso de Santa Rita Pintor à Escola e Academia de Belas-Artes, com as quais esteve diretamente relacionado durante cerca de 1/3 da sua vida. Haverá uma exposição bibliográfica na Biblioteca da Faculdade de Belas-Artes e outra na Academia Nacional de Belas-Artes, com obras e documentação desta instituição e da Faculdade de Belas-Artes, mais algumas curiosidades de coleções privadas, com material pouco visto ou mesmo inédito em exibição pública. Esta exposição terá que funcionar com visita guiada e marcações prévias.
Instituições:
- Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa / CIEBA
- Academia Nacional de Belas-Artes
- Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa
- Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (CET-FLUL)
- Projeto integrado no Ano Europeu do Património Cultural
Festival PaRTES — 2ª edição
Abr 08 201823 FEVEREIRO > 15 ABRIL I ESTESL // CASINO LISBOA // PAVILHÃO DO CONHECIMENTO
O Festival PARTES está de volta!
Este projeto tem como principal objetivo dar resposta à vontade de expor de artistas locais. Assim surge um programa que integra momentos de aprendizagem com exposições, reforçando o sentido colaborativo entre artistas locais e artistas dinamizadores convidados. As Residências artísticas foram criadas para trazer um fator de inovação ao trabalho dos artistas locais, pois pretende-se que aqui além do apoio das Belas-Artes ULisboa na área da curadoria, se desenvolva uma peça por cada categoria:
A. Pintura, Desenho ou ilustração;
B. Escultura, Design de produto/equipamento ou cerâmica;
C. Fotografia, Design de comunicação, Audiovisuais/multimédia ou novos media.
De cada um destes workshops deve resultar uma peça, elaborada por duplas de artistas, com orientação e em parceria com um artista convidado para cada categoria.
Como resultado teremos uma exibição que contemple uma exposição por cada categoria, onde cada artista participante terá oportunidade de apresentar os seus trabalhos. Em destaque estará a peça elaborada nas residências artísticas.
Convidamo-lo a partilhar com todos os artistas todas estas PaRTES!
Exposições
- Pintura, desenho e ilustração — ESTeSL — Inauguração 28 março a 15 de abril
- Escultura, Design de produto/equipamento ou cerâmica — Casino Lisboa — Inauguração 22 março a 8 de abril
- Fotografia, Design de comunicação, Audiovisuais/multimédia ou novos media — Pavilhão do Conhecimento – Inauguração 26 março a 2 de abril
Betâmio de Almeida (1920-1985): a Pintura de um Educador pela Arte
Abr 01 2018
LANÇAMENTO DO LIVRO 02 MARÇO > 18H30 I SOCIEDADE NACIONAL DE BELAS-ARTES
Por ocasião da inauguração da exposição Betâmio de Almeida 1920-1985 a Pintura de um Educador através da Arte , no dia 2 de março, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, realiza-se a apresentação e o lançamento do livro com o mesmo título, da autoria de Elizabete Oliveira e João Paulo Queiroz.
A exposição estará patente até 7 de abril de 2018.
Betâmio de Almeida (1920-1985): a Pintura de um Educador pela Arte
A obra plástica de um dos autores mais relevantes da Educação Artística em Portugal.
O CIEBA / FBAUL conjuga esforços com a SNBA para dar a conhecer a obra plástica de Betâmio de Almeida que introduziu nos anos 40 o “Desenho Livre” nos Liceus, e que aprofundou nos anos 60 a expressão “Educação Visual”.
Alfredo Betâmio de Almeida contribuiu de modo decisivo para que se ultrapassassem os estilos rígidos vigentes através da elaboração de reformas curriculares assim como de diversos manuais, como é exemplo a sua colaboração na reforma de Veiga Simão, bem como outras intervenções, desde os anos 40 e as Exposições Gerais de Artes Plásticas da SNBA até ao seu desaparecimento, em 1985.
ENTRE MÃOS parte ll (Cerâmica / escultura)
Abr 01 2018
24 MARÇO > 28 ABRIL I GALERIA MUNICIPAL DE MONTEMOR-O-NOVO
re-imaginar o mediterrâneo: portugal e montenegro
Abr 01 2018
05 > 20 ABRIL I GALERIA BELAS-ARTES
Inaugura no dia 5 de abril, às 18h00, na Galeria das Belas-Artes, a exposição “RE-IMAGINAR O MEDITERRÂNEO: PORTUGAL E MONTENEGRO” . A exposição estará patente até 20 de abril.
A exposição está integrada na programação do DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS
Este evento é passível de ser registado em vídeo e fotografia.
horário
2ª a sáb. > 11h–19h
O Mediterrâneo é, para além de um Mar, uma construção. Pedra a pedra esta edificação perde-se na memória do tempo e da carne dos seus escultores. Homens e mulheres que viveram neste espaço com “fronteiras que não se inscrevem no espaço nem no tempo. Não vemos como determiná-las, nem em função de quê. Não são históricas, nem étnicas, nem nacionais, nem estatais: círculo de giz que se traça e se apaga constantemente, que ondas e ventos, obras e inspirações alargam ou restringem.”*
Este pedaço de mundo enrugado pela força terciária cavou uma profunda fossa ao elevar-se nas extremidades. O Mar é, por isso, muito fundo e encerra segredos antigos e atuais, corpos antigos e jovens. Corpos de viajantes aventureiros, de guerreiros, de comerciantes e de aflitos esperançados.
Esta exposição resulta da cooperação entre a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e a Fakultet Likovnih Umjetnosti Univerziteta Crne Gore (Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Montenegro) através de um programa apoiado pelo Erasmus+. Para além do importante modelo de mobilidades, esta cooperação apoiou-se num projeto mais amplo que visa restabelecer diálogos no espaço Mediterrâneo através da arte contemporânea. O espaço do Outro perscrutado através de um processo dialógico que visa atualizar sons e olhares perdidos.
Surgem, como primeiros resultados deste projeto, três abordagens distintas que têm em comum a utilização da fotografia: Ana Caria Pereira, Cláudio Melo, Fernando Fadigas e Rogério Taveira.
Incluem-se no trabalho do último bifurcações para incursões gráficas e sonoras de alunos montenegrinos e portugueses, dentro e fora do programa.
*Matvejevitch, Predrag, Breviário Mediterrâneo, Lisboa, Quetzal, 1987, p.17
laboratório — exposição coletiva de escultura
Mar 01 2018
16 FEVEREIRO > 10 MARÇO I OFICINAS DE FORMAÇÃO E ANIMAÇÃO CULTURAL DE ALJUSTREL
Decorre entre 16 de fevereiro a 10 de março de 2018, a exposição coletiva de escultura “Laboratório”, que reúne trabalhos de dezasseis alunos da FBAUL, alocados à Licenciatura e Mestrados em Escultura e Arte Multimédia, responsáveis também pela realização de dois workshops destinados à população local.
As quarenta obras em exposição propõem um percurso pelos diversos processos e matérias da escultura, cruzando os caminhos da fotografia, da videoarte e da instalação.
A exposição, organizada pela Secção de Investigação em Escultura (CIEBA), realiza-se ao abrigo do protocolo estabelecido entre a FBAUL e a Câmara Municipal de Aljustrel.
ARTISTAS: Bruno Bastos, Carlos Cavaleiro, Catarina Morgado, Cecília Cornélio, Christiano Mere, Constantina Dali, Diana Barreiros de Sousa, Diana Botas, Francisco Trêpa, Gabriel Ribeiro, Jéssica Burrinha, Marta Ferreiro, Maria Ribeiro Oliveira, Pablo Quiroga Devia, Rafael Vasconcelos, Rita Sampaio
a cartuxa não se visita
Mar 01 2018
08 > 28 MARÇO I GALERIA
Inaugura no dia 8 de março, às 18h00, na Galeria das Belas-Artes, a exposição de fotografia “A CARTUXA NÃO SE VISITA” de Francisco Pereira Gomes, com curadoria de Eduardo Duarte. A exposição estará patente até 28 de março.
Este evento é passível de ser registado em vídeo e fotografia.
horário
2ª a 6ª › 11h–19h
Uma vez num ano em Matinas, uma vez por mês em Vésperas, ou menos, é o que uma Comunidade Cartusiana vê um hóspede no coro. O Prior não tem autoridade para dispensar da clausura papal para mulheres e para varões faz excepções raras e por motivos sérios. Os parentes dos monges, claro, mas cada um destes recebe os seus familiares duas vezes por ano. Amigos na cidade, se são amigos conhecem os desejos dos anfitriões e respeitam-nos, como amigos.
Pode haver motivos profissionais, mas são tão infrequentes como atentamente valorados. Historiadores, arquitectos, catedráticos, escritores. O Prior valora a autoridade da pessoa e sobretudo o seu trabalho em curso que pareça exigir ao aconselhar a visita ao mosteiro. Ou mais exactamente, uma visita será menos dificilmente autorizada do que uma participação na Liturgia, pois esta para os Cartuxos é verdadeiramente oração, não apenas um cumprimento legal, e por isso não gostam de ter assistência que sempre distrairá. Os que menos dificuldades encontram para participar no coro são os clérigos ou religiosos, apresentados ordinariamente por colegas do âmbito dessa Cartuxa.
E os fotógrafos? Estes podem sentir-se especialmente atraídos por um mosteiro com séculos de idade, com arte altamente valorada, com figuras humanas inusuais. A mesma frequência e insistência dos seus pedidos põem em guarda os priores, que necessariamente devem responder negativamente, com a fácil escusa de que as fotos do mosteiro estão já muito divulgadas, conhecidas, e portanto apenas poderiam dar lugar a repetição injustificada.
Recentemente foi concedida uma licença excepcional a um fotógrafo, motivada em parte pela mútua amizade e em parte pelo seu nível profissional e artístico. Ele correspondeu respeitando a vida dos monges e aproveitando o que lhe aparecia por diante. E sobretudo conseguiu estar na igreja durante a oração cantada, mesmo no melhor dos seus momentos, as Matinas a meia-noite. Os Cartuxos consideram a vigília como o tempo mais feliz na sua vida. Possivelmente um fotógrafo com sensibilidade religiosa poderá considerar igualmente essa ocasião como algo único na sua experiência profissional.
O nosso amigo Francisco teve a intuição duma palavra muito valorada na Cartuxa: a Simplicidade. Por isso ele fotografou coisas simples, considerando-as representativas do ambiente em que se lhe permitiu entrar e estar e trabalhar. O antifonário, os livros, o sino, a chave cartusiana tão original, o prato esperando a comida…
Este fotógrafo recebeu o pedido de não divulgar a licença obtida. Afinal o resultado foi tão excepcional quanto a dispensa foi e por isso ele pensou em expor as suas obras de arte gráfica. Com a anuência, também excepcional, dos seus amigos Cartuxos mas também com a admiração e gratidão destes.
PADRE ANTÃO LOPEZ (prior da Cartuxa de Scala Coeli)
A CARTUXA NÃO SE VISITA
Qualquer exposição sobre a Ordem dos Cartuxos é um acontecimento raro. Vem esta consideração a propósito do presente trabalho de Francisco Gomes no qual se revelam fotografias feitas na Cartuxa de Évora. A Ordem dos Cartuxos[1] é uma das mais antigas ordens contemplativas da Igreja Católica, fundada por São Bruno (1030-1101), que, em 1084, procurou a solidão das montanhas da Chartreuse, na região do Auvergne-Rhône-Alpes, em França.
Em Portugal, existiu a Cartuxa de Lisboa (em Laveiras, Caxias) e a de Évora, criadas no século XVI. Ambas suprimidas aquando da extinção das Ordens Religiosas, em 1834, a de Évora foi restaurada em 1960 e ainda hoje permanece ativa.
A Cartuxa de Santa Maria Scala Coeli, em Évora, fundada em 1587, foi construída entre esse ano e 1598 e insere-se, em termos arquitetónicos, no designado “estilo chão”, conceito criado pelo historiador de arte norte-americano George Kubler, em 1972, no livro Portuguese Plain Architecture between Spices and Diamonds 1521-1706. A arquitetura do “estilo chão” é caracterizada pela clareza, ordem, proporção e simplicidade.
As fotografias de Francisco Gomes souberam captar a arquitetura e o design dos espaços, objetos, assim como a vivência dos monges que aí vivem, sete, como os fundadores, daí o símbolo de esta ordem religiosa contemplar sete estrelas que rodeiam o globo encimado por uma cruz.
Como o incontornável filme Die Grosse Stille (O Grande Silêncio) de Philip Gröning (2005), notável introdução estética e plástica à Ordem dos Cartuxos, também as fotografias de Francisco Gomes, conscientemente a preto e branco, evocam espaços, objetos, gestos, presenças, transcendências, sombras, mas, sobretudo, a luz chã da arquitetura alentejana e os hábitos dos monges…
EDUARDO DUARTE
Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa
Ao contrário daquilo que imaginamos de uma ordem religiosa antiga, fechada e contemplativa, entrar na Cartuxa não nos transporta para uma dimensão diferente do tempo, nem para uma ordem diferente das coisas.
O tempo de um cartuxo é intensivamente programado, ocupado e balizado; numa sucessão de tarefas ora terrenas, ora espirituais, para as quais são chamados pelo constante toque de um sino.
O quotidiano de um cartuxo é o resultado de um processo centenário de simplificação e eliminação do acessório para que cada um destes homens consiga entregar-se exclusivamente à contemplação, oração e leitura.
As imagens aqui expostas são o resultado do imenso privilégio de poder viver e fotografar no interior do Mosteiro da Cartuxa de Évora.
FRANCISCO PEREIRA GOMES
artlab terra incógnita — tapeçaria contemporânea
Fev 20 2018
14 DEZEMBRO > 25 FEVEREIRO I MUSEU TAPEÇARIA DE PORTALEGRE GUY
A Imagem Paradoxal: Francisco Afonso Chaves (1857-1926)
Fev 20 2018


12 OUTUBRO > 26 FEVEREIRO | MNAC — MUSEU DO CHIADO (PARTE I)
a presença do oco na escultura — OCULTAÇÃO // finissage 1 fevereiro
Jan 01 2018
17 NOVEMBRO > 01 FEVEREIRO I CAPELA BELAS-ARTES
ENCONTRO COM O DESIGN DE EQUIPAMENTO DAS BELAS-ARTES
Nov 01 201725 OUTUBRO > 16 NOVEMBRO I CISTERNA BELAS-ARTES
colóquio expressão múltipla — teoria e prática do desenho
Nov 01 2017
24–25/11/2017, 10H-13H e 15H-18H | AUDITÓRIO LAGOA HENRIQUES
de. para. de. em correspondência — exposição coletiva pós-graduação em discursos da fotografia contemporânea
Set 02 201721 SETEMBRO > 06 OUTUBRO | GALERIA BELAS-ARTES
SynaísThesis — Natureza Interactiva
Ago 01 20177 > 14 SETEMBRO | GALERIA /// FINISSAGE 14 SETEMBRO > 21H00
327 – Exposição de Alunos do 3º ano de Pintura
Ago 01 201730 JUNHO > 28 AGOSTO I Centro Cultural de Cascais
finalistas de pintura belas-artes ulisboa 15’16
Ago 01 2017