Arte
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A designer at the end of the designer – mesa redonda
Mai 25 202629 MAIO 2026 | 18H | ESCADARIA DA CAPELA DA FACULDADE DE BELAS-ARTES
A designer at the end of the designer — Mesa Redonda c/ Joana Tavares, Mário Moura e Silvio Lorusso
A designer at the end of the designer surge da proposta de completar a frase “a designer at the end of…”, mote à produção académica do 2.º semestre em Design de Comunicação VI na Faculdade de Belas-Artes. Desenvolvido como projeto final de licenciatura, partiu de uma ideia lançada numa das aulas introdutórias: a de que o designer-hifenizado era hoje uma tendência na prática profissional e no modo como nos apresentamos e definimos.
Num momento em que a proliferação de títulos especializados parece garantir identidade e relevância – e em que a inteligência artificial reconfigura o que se entende por competência e autoria –, dizer simplesmente “sou designer” tornou-se um ato quase suspeito. A hifenização do perfil profissional promete precisão, mas pode apenas revelar a ambição de um estatuto. Esta mesa redonda parte de uma provocação: e se o título genérico fosse, afinal, o mais exigente? E se reivindicar “designer”, sem adjetivos, fosse assumir uma responsabilidade que o hífen dilui?
Em torno desta pergunta, reunidos numa mesa redonda, Silvio Lorusso, Mário Moura e Joana Tavares encontram-se para discutir a identidade de uma profissão em crise — ou em expansão, conforme se olhe.
Entrada livre.
Organização:
Inês Campos, Isa Goulart, Mariana Coelho, Marta Bello
e Departamento de Design de Comunicação
atelier aberto de serigrafia – lisbon design week
Mai 25 202629 MAIO 2026 | 11H E 15H | LABORATÓRIO DE SERIGRAFIA DA FACULDADE DE BELAS-ARTES
Seguindo a tradição das edições anteriores da Lisbon Design Week, dia 29 de maio das 11-12h e das 15-16h pode assistir ao atelier aberto de serigrafia pelo Mestre Paulo Sousa para a produção de uma serie limitada do poster da quarta edição da Lisbon Design Week. Depois dos designers Silvia Matias e Bernardo Berga, este ano é a Joana Areal que assina um tríptico que foi pensado para ser digital e agora é adaptado à serigrafia. Inscreva-se para acompanhar o processo e conhecer a designer.
As inscrições são limitadas a 10 participantes por sessão e devem ser feitas diretamente para o e-mail ana@lisbondesignweek.pt até ao final do dia 28.05.26.
19ª Edição das Galerias Abertas de Belas-Artes (GAB-A)
Mai 24 20265 > 7 JUNHO 2026 | FACULDADE DE BELAS-ARTES
Durante o fim de semana de 5, 6 e 7 de JUNHO de 2026, a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa vai acolher a 19ª Edição das Galerias Abertas de Belas-Artes (GAB-A).
Horário:
5 de JUNHO: 17h-20h
6 e 7 de JUNHO: 14h-20h
Entrada Livre.
As GAB-A são um evento anual que promove a exposição de projetos artísticos dos alunos da faculdade, bem como dos respectivos ateliês, oficinas e espaços criativos. São, simultaneamente, um fórum de discussão e mostra de jovens artistas, de produtos de investigação artística e de obras em contexto de ensino superior artístico público, integradas no espaço físico onde são pensadas e produzidas. Não é uma exposição numa galeria, museu ou centro cultural. É a abertura dos espaços de trabalho e de investigação artística que a Faculdade de Belas-Artes encerra, num espírito de ateliê aberto pontuado pela presença dos jovens criadores. Esta edição será marcada pelos Diálogos pela Arte, os POP-UP e a Mostra de Trabalhos.
DIÁLOGOS PELA ARTE
Ciclo de conversas com programação todas as sextas-feira até ao fim de semana da Mostra de Trabalhos.
08/05 | às 10h | Auditório Lagoa Henriques
ARTE NAS PERIFERIAS: PRÁTICAS, TERRITÓRIO E COMUNIDADE
15/05 | às 11h | Auditório Lagoa Henriques
PUBLICAR ARTE: DO CONCEITO AO OBJETO
29/05 | às 10h | Grande Auditório
ENTRE O OLHAR E A COLEÇÃO: CURADORIA E COLECIONISMO HOJE
03/06 | às 10h | Grande Auditório
MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA PARA JOVENS ARTISTAS
POP-UP
De 1 a 3 de junho, marcando o início da programação semanal dos GAB-A, será uma feira de objetos de menor escala, não obrigatoriamente representativos da prática artística no contexto de faculdade, mas igualmente apreciados. Durante o dia, poderão ver pelo espaço térreo da faculdade bancas com vendas de stickers, joalharia, cerâmicas utilitárias, pins, merchandising, entre outros.
MOSTRA DE TRABALHOS
No dia 5 de junho, das 17h00 às 20h00, e nos dias 6 e 7 de junho, das 14h00 às 20h00, a faculdade abre portas com uma exposição que se estende pelas salas e corredores de todo o edifício. A mostra de trabalhos inclui trabalhos de alunos de Escultura, Pintura, Desenho, Design, Multimédia e outras práticas contemporâneas, que se expandem pelo espaço. A Mostra inclui ainda um Ciclo de Curtas-Metragens, um Ciclo de Vídeo e Vídeo Performance, e um Ciclo de Performance.
Para saber mais sobre as Galerias Abertas das Belas-Artes, vê o Instagram das GAB-A.
II Jornadas Internacionais de Cenografia & Figurinos // chamada de trabalhos
Mai 24 2026CHAMADA DE TRABALHOS > ATÉ 28 JUNHO 2026
A Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa e a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, a partir do CIEBA (Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes), convidam a comunidade académica, artistas e investigadores, a submeteram propostas de comunicação para a conferência internacional II Jornadas Internacionais de Cenografia & Figurinos.
Na continuação da sua primeira edição, as Jornadas pretendem ser um fórum de partilha de pensamento e discussão na área do design de cena. O design de cena – ou a cenografia e os figurinos – é um campo próprio e específico que, no entanto, existe na proximidade, ou até na intersecção, com as belas-artes, as artes performativas e a arquitectura, entre muitos outros saberes, alguns eminentemente técnicos. Maioritariamente, a sua afirmação tem-se feito na prática e são esses processos criativos e técnicos, herdeiros de uma tradição de artistas e mestres, que se procuram perspectivar na actualidade, quando a visualidade da cena se expandiu ao desenho da performance e à prática da instalação.
Interessa alargar as discussões sobre a prática, a história e a teoria do design de cena, permitindo a partilha entre geografias diversas; mas interessa, igualmente, pensar a prática portuguesa, pouco documentada e com necessidade de estudo e arquivo, e colocá-la em relação.
Nesta edição, para além das secções dedicadas a artistas e investigadores, convidam-se estudantes e artistas emergentes a participar numa secção especialmente dedicada à exploração e ensaio de ideias.
Aceitam-se propostas que abordem, entre outros, os seguintes tópicos:
História e teoria da cenografia e dos figurinos
Processos criativos
Estudo de casos
Ensino da cenografia e dos figurinos
Na secção “estudantes e artistas emergentes: 1 IDEIA + 1 IMAGEM”, propõem-se apresentações de cerca de 5 minutos, realizadas a partir do lançamento de uma ideia e de uma imagem.
1. Normas para Submissão
As propostas devem ser enviadas em formato PDF para o email jornadascenografiaefigurinos@gmail.com e devem incluir:
- Título da comunicação;
- Resumo (Abstract) de 300 a 500 palavras;
- Palavras-chave (3 a 5);
- Nota biográfica do autor (máx. 150 palavras);
- Filiação institucional e contactos.
São aceites submissões em português, inglês, espanhol, francês e italiano.
As apresentações orais devem ser realizadas em português ou inglês.
2. Calendário
Prazo limite para submissão: 28 de Junho
Notificação de aceitação: 31 de Julho
3. Publicação
Informa-se que uma seleção de artigos apresentados na conferência será publicada em livro de actas.
Prazo limite para a submissão de textos: 15 de Dezembro
São aceites textos em português, inglês, espanhol, francês e italiano, devendo sempre existir um resumo em língua inglesa.
A participação nas Jornadas implica a potencial publicação da investigação no livro de actas. A participação na conferência e a publicação estão, ambas, sujeitas a processos de revisão por pares.
Organização
Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes (CIEBA)
Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa (FBA-UL)
Escola Superior de Teatro e Cinema, Politécnico de Lisboa (ESTC-IPL)
Parceiros (em actualização)
Associação Portuguesa de Cenógrafos (APCEN) / Festival Alkantara
Coordenação Geral
Fernando Rosa Dias / João Calixto / Marta Cordeiro / Paulo Morais-Alexandre / Sara Franqueira / Susana Vidal
Comissão Científica (em actualização)
Ana Mira (ESTC/ IFILNOVA)
Armando Nascimento Rosa (ESTC-CIAC)
Fernando Rosa Dias (FBAUL / CIEBA)
Helder Maia (I2ADS / ESMAE)
Isis Saz Tejero (UCLM)
João Calixto (ESTC / CIEBA)
Jorge Palinhos (CECS)
José Capela (EAAD / Lab2PT)
Marta Cordeiro (ESTC / CIEBA)
Paulo Morais-Alexandre (ESTC / CIEBA)
Sara Franqueira (ESTC / CIEBA)
Susana Vidal (ESTC / CIEBA)
Teresa Projecto (IPLuso – UL / CIEBA)
Teresa Varela (ESTC / CIEBA)
Contactos
jornadascenografiaefigurinos@gmail.com
Revista Convocarte nº 20/21 – Arte e Povos Indígenas // chamada de trabalhos
Mai 24 2026CHAMADA DE TRABALHOS > ATÉ 26 JUNHO 2026
Prazos de submissão
26 de junho de 2026 – Entrega da proposta inicial (título, resumo e palavras-chave; máx. 1000 carateres s/ espaços) e link para currículo/portefólio.
9 de outubro de 2026 – Entrega do texto completo.
Envio – convocarte.belasartes@gmail.com
Manifesto para uma chamada de trabalhos: Arte e Povos Indígenas
Arte. A relação entre arte e povos indígenas não é de abordagem simples. Els Lagrou (2012), num texto programático para a antropologia da arte, em que mensura os impactos da obra de Alfred Gell (2018) na área, fala de uma relação de amor e ódio entre arte e antropologia. Desse modo, pode-se pensar que a conjunção “e” que conecta arte e povos indígena nesta chamada tem função antes adversativa que aditiva.
Povos indígenas. Coloca-se assim o primeiro problema desta chamada. Arte contra povos indígenas ou povos indígenas contra a arte? Comentando o debate de Manchester (Ingold, 1996) a respeito da “universalidade do conceito de estética/arte”, Lagrou (2012) coloca a pergunta: “existiria uma arte das sociedades contra o Estado?”. Ela faz referência à célebre expressão de Pierre Clastres (2003) que propõe caracterizar a organização política (ou cosmopolítica) dos povos indígenas da América como “sociedades contra o Estado”, em lugar da expressão evolucionista “sociedades sem Estado”.
Terra. Com isso, Clastres (Idem) desloca a questão de como definir “o que é” um povo indígena ou “quem são” os indígenas e a aproxima bem mais da realidade contemporânea em que mais do que peças de museu ecoando o passado de uma única “humanidade” separada definitivamente do cosmos, esses povos apontam para o futuro da política planetária.
Cosmofobia. Deleuze & Guattari (1976), desde o que Clastres (2003) e Lévi-Strauss (1976) haviam aprendido com os ameríndios, redefinem essas sociedades contra o Estado como formação social territorial, destacando a relação intrínseca desses povos com a terra, em contraste com o Estado moderno e sua origem/fundamento cosmofóbica, conforme definição de Nego Bispo (Santos, 2018).
Cosmopolítica. Se propõe a falar com povos indígenas, para além de falar de ou sobre povos indígenas, e que tais interlocutores se definem por sua relação intrínseca com a terra e essa relação orienta suas práticas de conhecimento, compreende-se que tais interlocutores são todos aqueles modos de existência que falam e fazem território através dessas comunidades e indivíduos humanos.
Antropoceno. Tanto quanto o pensamento moderno foi transfigurado pelo conceito-problema de Antropoceno, enterrando de vez o século XX com a percepção de que, por fim, “jamais havíamos sido modernos” e fazendo cumprir a persistente profecia de Lévi-Strauss (1976) de que o pensamento mitológico “voltaria a se encontrar” com o pensamento científico, também a arte contemporânea tem sido decisivamente afetada pelas obras-problemas colocadas pela arte indígena contemporânea.
Arte indígena contemporânea. Correndo todos os riscos prováveis e improváveis, instituições de arte e artistas indígenas reconfiguram o cenário da arte contemporânea. Articulando denúncia e procedimentos que atualizam as práticas de conhecimento indígenas, orientada pela inominável obra A queda do céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert (2015), a arte indígena contemporânea pode ser entendida como uma das primeiras expressões de um “pensamento antropocênico”. Isso porque, como sugeriu Dipesh Chakrabarty (2009), o Antropoceno, antes de ser algo que pudesse ser pensado pelo pensamento tal como o conhecemos, seria um conceito-problema que redefiniria os limites do pensável (e, portanto, do sensível) e a própria natureza do pensamento.
(Amilton Mattos)
Chamada de Trabalhos

A noção de «Arte», tal como hoje se conhece globalmente, é um recente paradigma ocidental. Depois da criação da ideia de Belas-Artes, com o processo do Renascimento, a consciência da arte e de autonomia da esfera artística é já devida ao século XVIII. Será que podemos falar de arte perante as culturas indígenas? Se há dimensões de artístico como se movem e entendem? Neste sentido, olhar a cultura de um Povo ou Nação indígena pode ser um confronto à própria ideia de «Arte» e aos seus confortos.
Qual o fundamento de produções artísticas inscritas no corpo e na paisagem, fundindo-se com eles, criando perturbações às artes da separação entre obra e sujeito, produção e recepção, etc.? Falar de cultura indígena e dos seus artefactos de dimensão artística pode servir de problematização às garantidas noções de «arte», «obra», «autor», etc..
As separações entre artes também se problematizam, visto que há um modo fundacional de relações e fusões entre artes, tradicionalmente separadas no Ocidente. Não se trata de híbrido, que resulta já de um princípio de separação e sua perturbação, mas algo que se funda na não separação. Assim, perante a cultura indígena são as ontologias ocidentais, das obras e dos processos relacionais, além dos valores e trocas simbólicas, entre outras, que se desassossegam. Encontrar essas zonas de inquietação, enquanto estados vacilantes, que interessam não só entender, mas confrontar, é uma das premissas desta chamada.
Qualquer tradição recente da Antropologia reconhece que estas culturas não são estanques numa repetição do mesmo, e que, pelo contrário, têm a transformação como centro, em que as práticas rituais de continuidade e sobrevivência cultural têm uma dinâmica própria interna. A repetição do ritual, enquanto prossecução cultural, é fundadora de processos de transformação e é mediante essa repetição que o mesmo e o «novo» se oferecem como prossecução e continuidade cultural.
Convocar a cultura indígena e assumir a própria autenticidade da sua diferença abre uma extensão relacional que relativiza, podendo servir de problematização ao dominante paradigma ocidental. Mais que um ataque a este paradigma dominante, interessa a recusa da sua exclusividade e da autoridade da sua voz, para abrir a escuta do outro a partir do seu lugar, onde os seus artefactos se libertem de vez do paradigma do gabinete de curiosidades que ainda remanescem nos museus etnográficos e antropológicos ocidentalizados. Abordar este tema passa pela procura de uma relação de alteridade enriquecedora, que exorte o vai e vem da diferença como extensão mútua, recusando o olhar unidirecional da curiosidade ou objecto científico, para uma relação equipara e dialogante, onde a experiência e a voz do outro tenha inscrição e seja partilhada.
Em geral, as culturas indígenas são de Memória e não de História, de oralidade e não de escrita. São os corpos que suportam e comportam as mediações culturais, que agregam as memórias e as transferem. A cultura como salvaguarda de si é muitas vezes feita a partir desses corpos, com responsabilidades de transferência e continuidade, que é sempre fatal mudança, mas inerente e genuína.
Quando se fala em povos indígenas, há uma natural propensão para estudos focados no eixo Sul global, tendendo a englobar a América central e sul, a África, a Austrália e grande parte do Pacífico, ou ainda partes de Indonésia ou Índia. Mas ela pode ser vista ainda noutros lugares, mesmo que de modo quase arqueológico, em torno de ecos de memórias indígenas massacradas, tal o grau de desaparição ou extinção cultural em vários casos, como no Canadá e, sobretudo, Estados Unidos.
Pensar o papel da arte e da cultura nos povos indígenas passa várias vezes pela sua resistência perante a violência colonial ocidental e global, no que tanto pode ser feito a partir da força da própria sobrevivência, do que muitas vezes são restos resilientes, como da sua regeneração, da sua recuperação de uma situação de quase extinção cultural, retomando autenticidades possíveis que não se reduzam a modos de negócio e neo-turismo exótico.
Outra questão é o problema da periferia nas questões culturais ou de política cultural. Não a periferia entre os grandes centros dominantes, que decidem os valores históricos, económicos e simbólicos da arte e da cultura, como a da arte portuguesa perante a de França, Londres ou os Estados Unidos, ou do Brasil perante a arte europeia e norte-americana, ou entre as artes orientais e as ocidentais ou as do Sul e as do Norte, nem sequer dos grandes centros perante as pequenas localidades, mas uma periferia mais radical: a periferia que toca o lugar da diferença obliterada e da sua sobrevivência. Uma periferia que já está muitas vezes de fora, numa espécie de alteridade total. Mas essa é a riqueza da sua voz.
Podemos assim avançar com alguns tópicos de abordagem, sempre com a ressalva que não circunscrevem todas as possibilidades de abordar o tema:
- Compreensão conceptual: As dimensões da noção de «indígena» e as suas especificidades culturais e artísticas.
- Lugares do Artístico: Estudo dos modos e espaços da produção artística nos povos indígenas.
- Identidade e Transmissão: Processos de subjetivação e diálogos culturais
- Alteridade e Relativização: O confronto de diferenças como via para o alargamento das possibilidades da cultura humana.
- Sobrevivência e Regeneração: A produção artística como ato cultural e político de resistência e recuperação face à ameaça de extinção.
- Geografias da Arte Indígena: Análise de diferentes contextos e escalas (do Brasil à Austrália, do Canadá ao Sudeste Asiático).
- Descolonização Metodológica: Revisão de conceitos da antropologia e etnografia em prol de uma deontologia que privilegie a voz do «outro» enquanto sujeito cultural e artístico, e não apenas objeto de estudo.
Equipa Convocarte
Coordenação geral: Fernando Rosa Dias
Co-coordenação (secção francesa): Pascal Krajewski
Coordenação executiva: Bruna Lobo e Jamila Pontes
Coordenação do Dossier temático Arte e Povos Indígenas:
Amilton Pelegrino de Mattos é pesquisador e docente na Licenciatura Indígena da Universidade Federal do Acre, UFAC – Campus Floresta. Doutor em Antropologia pelo PPGSA da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, com tese dedicada aos processos de pesquisa de acadêmicos indígenas junto a suas comunidades. http://lattes.cnpq.br/4467650905915696
Referências utilizadas no «Manifesto para uma chamada de trabalhos: Arte e Povos Indígenas»:
- Chakrabarty, Dipesh (2009). The Climate of History: Four Theses. In: Critical inquiry 35.2: 197-222.
- Clastres, Pierre (2003). A sociedade contra o Estado. São Paulo: Cosac & Naify.
- Deleuze, Gilles & Guattari, Felix (1976) O Anti-édipo. Capitalismo e esquizofrenia, Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda.
- Ingold, Kim (Ed.) (1996). Key debates in Anthropology. London and New York: Routledge.
- Gell, Alfred. (2018). Arte e agência: uma teoria antropológica. Trad. Jamille Pinheiro Dias. São Paulo: Unu Editora.
- Kopenawa, Davi & Albert, Bruce (2015). A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras.
- Lagrou, E. (2012). Existiria uma arte das sociedades contra o Estado?. Revista De Antropologia, 54(2). https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2011.39645
- Lévi-Strauss, Claude (1976). O pensamento selvagem. São Paulo: CEN.
- Santos, Antônio Bispo dos. (2018). Somos da terra. Piseagrama, Belo Horizonte, n.12, p.44-51. https://piseagrama.org/artigos/somos-da-terra/
xCoAx 2026 — 14th International Conference on Computation, Communication, Aesthetics and X
Mai 24 2026
08 > 10 JULY 2026 I TORINO, ITALY
xCoAx 2026 – 14th International Conference on Computation, Communication, Aesthetics and X
8-10 July 2026 – Torino, Italy
Submit before February 1, 2026.
xCoAx explores the intersections where computational tools and media meet art and culture in the form of multi-disciplinary enquiries on aesthetics, computation, communication and the elusive X factor that connects and affects them all.
xCoAx is a great chance for international audiences to exchange ideas in search of interdisciplinary synergies between artists, media practitioners, computer scientists, and theoreticians at the thresholds between digital arts and culture.
xCoAx 2026 will take place at the Palazzo Madama museum in Torino, Italy, under the auspices of the Department of Philosophy and Education Sciences of the University of Torino.
Call for papers, artworks, performances, School of X applications.
xCoAx 2026 calls for papers, artworks, performances and research works-in-progress by scholars, artists, performers and students working on any of its multi-disciplinary facets.
You are invited to submit theoretical, practical or experimental research work in the form of papers, artworks, or performances, on a range of topics that includes but is not limited to the following:
Computation / Communication / Aesthetics / X / Algorithms / Systems / Models / Artificial Aesthetics / Artificial Intelligence & Creativity / Artistic explorations of digital game technologies / Audiovisuals / Multimodality / Design / Interaction / Generative Art & Design / History / Mechatronics / Physical Computing / Music / Sound Art / Performance / Philosophy of Art & of Computation / Computational Photography and Image Technologies / Technology / Ethics / Epistemology
If you are a Master’s or PhD student you also have the opportunity to apply for the School of X.
All information on how to submit papers, artworks, performances, and applications to the School of X is available at https://xcoax.org
Important dates:
- February 1 (end of day anywhere on Earth): Deadline for submissions.
- March 23: Notifications to authors.
- April 20: Registration deadline for authors.
- April 26: Delivery of final versions of full papers and extended abstracts of artworks and performances for the proceedings.
- May 3: Delivery of final versions of multimedia files for the website.
- July 6 to 7: xCoAx exhibition set-up at Palazzo Madama.
- July 8 to 10: xCoAx conference, exhibition, and performances.
Contacts:
email: info@xcoax.org
instagram: @xcoaxorg
bluesky: xcoax.org
VIII Colóquio Expressão Múltipla: chamada de trabalhos – Desenho Aplicado | Teoria e Prática do Desenho
Mai 23 2026Primeira chamada de trabalhos – Desenho Aplicado
Segunda Chamada de trabalhos -Teoria e Prática do Desenho
Datas de realização do Colóquio – 23 – 24 novembro de 2026
Este congresso visa proporcionar uma visão abrangente sobre a investigação na área do Desenho. Divide-se em duas chamadas de trabalho com vista a duas publicações anuais e a um colóquio/congresso.
A primeira chamada é dirigida ao Desenho Aplicado. Por Desenho aplicado entendem-se todas as vertentes em que o desenho é um elemento central, sendo, no entanto, concretizado com outros fins que não ele próprio. Assim áreas do desenho como as da concept art, ilustração, animação, desenho digital, realidade virtual, banda-desenhada, desenho de produção, entre outras, serão os maiores alvos nesta iniciativa. É por isso dirigida aos estudiosos que pretendam seguir, ou que já estejam a desenvolver trabalho nestas áreas, de maneira a permitir uma disseminação de experiência e de resultados.
A segunda chamada é dirigida à Teoria e Prática do Desenho num âmbito mais geral onde as suas relações com a arte e com os processos artísticos são investigadas.
O colóquio é dirigido sobretudo aos estudiosos que procuram desenvolver dissertações e teses na área do Desenho ou noutras que possam de alguma forma ampliar as discussões relativas a estas áreas de conhecimento. Pretende-se a disseminação das diversas experiências, metodologias e resultados. Assim, aos interessados em participar convida-se à submissão dos artigos relativos a comunicações orais a serem apresentadas no colóquio atendendo à especificidade das chamadas de trabalhos.
Todos os artigos serão submetidos a uma revisão peer review. Cada artigo recebido pelo secretariado é reenviado, sem referência ao autor, a dois ou mais membros da Comissão Científica, garantindo-se no processo o anonimato de ambas as partes (double-blind). No procedimento privilegia-se a distância geográfica entre a origem de autores e a dos revisores científicos.
O colóquio, a ter lugar entre 23 e 24 de novembro de 2026 no Grande Auditório da FBAUL, será composto por comunicações de 20 minutos e por um posterior momento para resposta a questões do público. Está prevista a abertura do colóquio/congresso com a presença de um ou dois keynotes.
A realização do colóquio deverá ser presencial. Em caso de impossibilidade de comparência física dos autores, os mesmos poderão apresentar uma gravação com a sua comunicação. A não participação no colóquio poderá levar à exclusão do livro de atas.
Os artigos revistos e aprovados serão publicados online no Repositório da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
CALENDÁRIO:
VIII Colóquio Expressão Múltipla: Desenho Aplicado
Até 21 de junho, data-limite para o envio do resumo.
Até 28 de junho, notificação de aceitação.
VIII Colóquio Expressão Múltipla: Teoria e Prática do Desenho
Até 18 outubro, data-limite para o envio doresumo.
Até 25 outubro, notificação de aceitação.
VIII Colóquio Expressão Múltipla
Colóquio – comunicações orais
23 – 24 de novembro de 2026, Grande Auditório da FBAUL. (Esta data está sujeita a alterações).
VIII Colóquio Expressão Múltipla
Até 31 janeiro de 2027, entrega dos artigos.
Até 15 de fevereiro de 2027 notificação dos pareceres da revisão.
VIII Colóquio Expressão Múltipla
Até 31 de março entrega dos artigos finais.
Até 31 de maio de 2027, publicação online do livro de atas.
*Os artigos deverão ser enviados para expressaomultipla@gmail.com segundo a seguinte formatação:
Formato do Resumo
Cada resumo não deverá ultrapassar os 1600 caracteres incluindo espaços, sem contar com o título, autoria, afiliação, palavras-chave e legendas.
- Título: Fonte Times New Roman, tamanho 14, maiúsculas, negrito, centralizado.
- Autor principal e afiliação: Nome do autor ou autores principais e respetivos centros de estudos. Times New Roman, tamanho 12.
- Autores secundários e afiliações (caso existam): Nome dos autores secundários e respetivos centro de estudos. Times New Roman, tamanho 12.
- Corpo de texto: Times New Roman, tamanho 12, espaçamento 1,5. Parágrafo justificado.
- palavras-chave: 3 a 5 palavras-chave.
- Até 2 imagens: legendadas e referidas.
- Legendas: Numeradas, Times New Roman, tamanho 10.
Formato do Artigo
Cada artigo deverá ter entre 10000 e 15000 caracteres sem espaços referentes ao corpo do texto, isto é, sem contar com o título, resumo, palavras-chave, legendas e bibliografia.
- Título: Fonte Times New Roman, tamanho 14, maiúsculas, negrito, centralizado.
- Autor principal e afiliação: Nome do autor ou autores principais e respetivos centros de estudos. Times New Roman, tamanho 12.
- Autores secundários e afiliações (caso existam): Nome dos autores secundários e respetivos centro de estudos. Times New Roman, tamanho 12.
- Resumo e palavras-chave: Times New Roman, até 1600 caracteres incluindo espaços, tamanho 12, espaçamento simples, parágrafo justificado. 3 a 5 palavras-chave.
- Abstract e keywords: Em inglês, Times New Roman, até 1600 caracteres incluindo espaços, tamanho 12, espaçamento simples, parágrafo justificado.
- Subtítulos: Fonte Times New Roman, negrito, tamanho 12.
- Corpo de texto: Times New Roman, tamanho 12, espaçamento 1,5. Parágrafo justificado.
- Legendas: Numeradas, Times New Roman, tamanho 10.
- Referências Bibliográficas: Devem seguir o Modelo APA ou NP 405. Fonte Times New Roman, tamanho 12 (APA), 10 (NP 405) espaçamento simples.
- Até 10 imagens: Inseridas no correr do texto, legendadas e referidas (atenção aos direitos de autor).
O documento deve ser enviado em formato word, e em formato pdf. No formato pdf, o documento deverá omitir os autores e a filiação.
ivens perspectives — exposição de francisco cardoso
Mai 23 202618 MAIO > 25 JUNHO 2026 I IVENS LIVING REAL ESTATE
Inaugura no dia 18 de maio, no espaço IVENS Living Real Estate, Rua Ivens 2, 1200- 227 Lisboa, a exposição de Francisco Cardoso, no âmbito do acordo de colaboração entre a IVENS e a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, para a realização de exposições de obras dos seus artistas, em contexto formativo.
Coordenação: Investigadora Ana Matilde Sousa
Francisco Cardoso nasceu em Évora e reside atualmente em Lisboa, onde frequenta o curso de Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. No seu trabalho, aborda frequentemente o corpo como meio de expressão, utilizando o autorretrato como um processo de autoconhecimento e de partilha com o mundo. Através da imagem, explora emoções, questões internas e a relação com o próprio corpo, procurando uma constante experimentação de técnicas, abordagens e linguagens visuais, onde o erro é encarado não como fracasso, mas como oportunidade de aprendizagem e descoberta. Esse processo de tentativa, erro e reinvenção é essencial para o seu crescimento artístico, procurando construir uma narrativa honesta, vulnerável e em constante transformação. Participou em exposições coletivas como Corrente de Ar Vol. V (2025), Casa da Ladra (2025), resultante de uma residência artística de três meses, Fora de Zona (2025) e O Último Tranca a Porta (2025).
Exposição e Seminário O Movimento da Alma na ‘Paixão de Cristo’ de Rafael Bordalo Pinheiro | Museu José Malhoa
Mai 23 2026
14 MAIO > 30 SETEMBRO 2026 | MUSEU JOSÉ MALHOA, CALDAS DA RAINHA
No dia 14 de Maio de 2026, às 10h30, inaugura no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, a exposição de desenho e o seminário intitulados O Movimento da Alma na “Paixão de Cristo” de Rafael Bordalo Pinheiro – Entre desenhos e reflexões. A exposição ficará patente até 30 setembro.
A exposição apresenta os desenhos produzidos durante a residência e, no dia da abertura, decorre um seminário dedicado ao debate e à reflexão crítica sobre a obra de Bordalo Pinheiro, os museus e as suas possibilidades contemporâneas.
O seminário contará com investigadores e profissionais como Artur Ramos, Luís Jorge Gonçalves, João Alpuim Botelho, Dora Mendes, Marta Galvão Lucas, entre outros convidados.
O público é convidado a participar neste diálogo sobre património, criação e pensamento artístico atual.
Acesso gratuito.
Este evento é uma organização do:
Museu José Malhoa/Museus e Monumentos de Portugal
Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa/ VICARTE Vidro e cerâmica para as artes/ CIEBA, Centro de Investigação e de Estudo em Belas-Artes
Universidade Federal de Rio Grande do Norte/ Grupo de Pesquisa de Género, Políticas Públicas e Sociedade
Quando Rafael Bordalo Pinheiro, entre 1887 e 1899, criou a Paixão de Cristo, para as capelas da Via Sacra da Mata do Buçaco, por encomenda do governo português, através do Ministro Emidio Navarro, estava a retomar uma tradição da arte ocidental sobre a dramatização da vida de Jesus, em esculturas policromadas de terracota.
Previam-se 86 esculturas de escala natural, com 12 Passos da Paixão. Por diferentes dificuldades, o projeto inicial não foi concluído, tendo chegado aos nossos dias as seguintes cenas: Jesus no Horto, Traição de Judas, Passagem do Cedron; Jesus em casa de Anás; Jesus na casa de Caifás; Jesus perante Pilatos; Jesus perante Herodes; Pilatos lavando as mãos e Jesus a Caminho do Calvário.
Na atualidade encontra-se no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, cidade onde Rafael Bordalo Pinheiro localizava a sua fábrica de cerâmica. Trata-se do seu projeto mais ambicioso, que nos demonstra as suas capacidades como artista. Através das esculturas observamos dramatismo, expressão e uma plasticidade muito bem explorada, que nos conduz ao sublime. Tinham passados os tempos do dramatismo do Barroco, onde se explorava com emoção os Passos da Paixão, através das vias sacras, em esculturas que podemos examinar no Bom Jesus do Monte, em Braga, na Serra do Pilar, na Póvoa de Lanhoso, ou em Congonhas, em Minas Gerais, no Brasil. No entanto, Rafael Bordalo Pinheiro explorou, na terracota, o dramatismo através dos rostos, dos corpos, das panejamentos e das cores.
A diversidade das cenas é um desafio para o desenho que foi proposto a alunos de desta disciplina da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Estes desenhos, executados a partir dos originais e no próprio espaço do Museu José Malhoa, constituem dez aproximações individuais à obra de Rafael Bordalo Pinheiro A Paixão de Cristo. A diversidade fisionómica aliada à modelação ligeiramente inacabada das esculturas é o cruzamento de interpretações ilimitadas à reconstrução e à reinvenção das figuras. Todos os dez artistas convidados abordaram a obra segundo múltiplos pontos de vista e não só no sentido literal. Cada uma das aproximações reconstrói o espaço, cria contextos, reinventa as personagens, acentua expressões e idealiza visões e fisionomias. O desenho, associado vulgarmente ao essencial acaba por aliar o rigor da forma com a agradabilidade da cor, para nos surpreender com o potencial da obra de Rafael. Na verdade, estas sessões desenvolvidas no museu constituem momentos únicos de observação, análise, descoberta e conhecimento sem paralelo graças ao contacto direto e natural com as obras de arte. Estes desenhos são a celebração desses momentos.
Em Trânsito – exposição
Mai 23 20264 > 27 MAIO 2026 | CORREDOR AUDITÓRIO LAGOA HENRIQUES
Estará patente, de 4 a 27 de maio 2026, a exposição colectiva “Em Trânsito” no corredor do auditório Lagoa Henriques.
Organização:
António Trindade (autor do projeto)
Américo Marcelino
Susana Oliveira
Diana Costa
Artistas:
Catarina Lira Pereira
Cygny Astra Malvar
Gabriel Colaço
Gilberto Colaço
Isabelle Faria
Joana Mosi
Joana Paraiso
Lúcia Antunes
Nádia Joaquim
Yun Zhang
Em trânsito. Processos conceptuais multifacetados e em construção.
António Trindade
Em Trânsito reúne o percurso da investigação artística teórico-prática de dez alunos do curso de doutoramento em Belas Artes, nas especialidades de Desenho e de Pintura. Nesta mostra, podemos visitar linhas de investigação diversificadas, que percorrem o desenho e a pintura, de forma analógica e digital, o desenho de modelação 3D, a ilustração, a animação e a forma plástica integrada e elaborada também com o recurso da AI, inteligência artificial. Verificamos percursos heterogéneos onde o Desenho e a Pintura estão presentes, desde a herança cultural, às suas aplicações e projeções em diagramas científicos, na ilustração e narrativa, no trabalho de campo centrado no risco, partindo de geografias, mapas e territórios diversificados, à utopia de territórios possíveis e imaginários, chamativos e alarmantes, até ao desenho ecológico, mapeado e animado pelo comportamento das plantas, com uma mensagem política face às recentes alterações climáticas e aos maus comportamentos humanos que nos ameaçam no presente.
Catarina Lira Pereira mostra-nos trabalhos em confrontação que despertam alguma tensão no observador, jogando entre representações analógicas com aguarelas que se observam em par com desenhos algoritmos que partem daquelas, onde aplica a inteligência artificial, confrontando imagens interessantes e complementares, estabelecendo assim uma ambiguidade entre pintura e desenho. A série apresentada pela autora, parte de uma operação inspirada no teste de Rorschach e explora a passagem da mancha ao contorno, como se este fosse a cristalização daquela.
Cygny Malvar tem vindo a encenar trabalhos questionando as possibilidades da fotografia e da sua abertura e deslocamento para outras representações, onde utiliza o desenho analógico. Nestes desenhos da autora, centrados em Pontos de Vista, Proximidade e Intimidade, a autora representa e transforma com desenho os instantes fixados por registos fotográficos, criando outras representações ambíguas onde a reflexão sobre o tempo, o espaço, a memória e o afeto são parte integrante do seu processo conceptual. Daqui resultam representações com uma enorme força expressiva, partindo de cenas do quotidiano e de espaços íntimos.
Gabriel Colaço trabalha em parceria com o seu irmão Gilberto Colaço, desenvolvendo ambos um percurso artístico marcado pela fenomenologia do território onde concorrem vários instrumentos e médiuns no seu processo conceptual, valorizando as novas tecnologias como o desenho 2D trabalhado pelo primeiro e a modelação e a impressão 3D, trabalhada pelo segundo. Nesta conjugação, constroem objetos interessantes sobre um questionamento e uma reflexão particular sobre a fenomenologia territorial, onde permanece no olhar do observador uma tensão latente entre as intervenções humanas e os lugares diversos da natureza circundante e visível, que se vão modificando no espaço e no tempo segundo as leis naturais metamórficas. Daqui resultam objetos de grande força plástica, como as litofanias que mostram caixas de luz onde são visíveis desenhos realizados de forma digital, gravados a laser e munidos de sensores e iluminação com o auxílio de lâmpadas LED. No trabalho de Gabriel e Gilberto Colaço, os softwares, os dispositivos e as interfaces digitais reconfiguram o gesto gráfico e a materialidade do desenho, onde este é matriz para as representações volumétricas e vice-versa.
Isabelle Faria artista já reconhecida, como se atesta bem no seu Curriculum Vitae, desenvolve e explora o desenho de forma dinâmica e reflexiva, mas de uma grande força expressiva. O movimento, a ação, o risco e o arriscar fazem parte do seu processo criativo, onde o trabalho desenvolve-se entre o espaço territorial e o seu estúdio. A autora realiza viagens pelas longas paisagens áridas e vazias do sul de Espanha, viagens essas que por sí só constituem material que posteriormente é trabalhado no seu estúdio. Utiliza um processo conceptual muito particular, inspirado metaforicamente na dinâmica de um carreto de uma máquina de duas rodas, que permite avanços, recuos e paragens, que alimentam a experimentação, a introspeção e a reflexão. Este movimento, que tanto pode avançar como recuar, ou mesmo parar, reflete a natureza cíclica e fluida do seu processo criativo.
Joana Mosi desenvolve o seu trabalho no desenho de ilustração. Tem vindo a desenvolver um trabalho centrado no Espaço Urbano como Experiência e Representação na Narrativa Gráfica, que corresponde ao seu projeto de doutoramento. A autora interessa-se pela ligação entre a banda desenhada e a abordagem e representação gráfica do espaço urbano. Neste sentido, no seu trabalho estabelece pontes entre o desenho, o pensamento próprio da arquitetura e a narrativa gráfica, onde intervêm questões e reflexões sobre composição, construção e layout. Relaciona os percursos de navegação das cidades com a composição de leitura numa página de ilustração.
Joana Paraíso desenvolve um trabalho centrado no território, não entendido como geografia específica, mas antes como lugar de experiências vividas entre corpo, experiência, memória, correspondências e as suas marcas. O território é assim entendido como lugar habitado, vivido, como lugar não apenas visível, mas também sensorial, com significados precisos, na busca e no encontro sobre o desconhecido, acordando um pouco naquilo que Umberto Eco já referira em tempos na sua obra Estrutura Ausente de 1968. Mediante percursos selecionados a autora regista essas memórias, vivências e experiências, que depois são trabalhadas e materializadas no seu estúdio de forma singular e bastante original.
Lúcia Antunes desenvolve um trabalho de desenho de ilustração científica, trabalhando no presente num projeto de comunicação visual de Ciência para o Católica Biomedical Research Centre (CBR) dando corpo à sua investigação de doutoramento Do Invisível ao Visível através do Desenho como Processo de Comunicação entre Arte e Ciência. O trabalho proposto para esta exposição mostra ilustrações de desenho científico com forte impacto visual, extremamente detalhadas, que são realizadas em articulação direta com a informação que a autora recolhe dos outros agentes e membros do projeto pertencentes à Universidade Católica.
Nádia Joaquim apresenta trabalhos centrados no desenho em torno do luto, pânico e melancolia e no presente desenvolve o seu projeto de doutoramento com o título Desenho e Melancolia. Teoria, estética e transversalidades na construção de um projeto artístico. Os trabalhos propostos de Nádia Joaquim apresentam um forte impacto visual, resultante de um desenho marcante e nervoso e em composições onde figuras desenhadas à linha mostram sobreposições de formas abstratas com rostos sugeridos por linhas igualmente nervosas, gerando uma grande ambiguidade no observador. Conhecedora e investigadora da forte herança cultural da história da arte, da filosofia e da estética, utiliza esse conhecimento abrindo brechas que contribuem para a construção do seu percurso atual, agora apresentando elementos figurativos que jogam, contrastam e se sobrepõem com outros de cariz mais abstrato, figurando assim algo de novo ainda em construção e desenvolvimento, mas com resultados promissores.
Yun Zhang tem vindo a desenvolver um percurso bastante original com imagens e dinâmicas que se destacam pela qualidade do desenho, da pintura e da animação digitais, com forte impacto visual, reveladas na qualidade do traço, na paleta cromática, nos contrastes e no movimento que a autora emprega. Trabalhando com a inteligência artificial AI, a autora valoriza e vem trabalhando na questão da cognição das plantas, da sua visualização, percepção e representação rítmicas, enaltecendo a imaginação ecológica. A artista e investigadora defende e trabalha a cognição como uma estrutura distribuída e processual da atividade viva, não exclusiva do ser humano, mas estendendo-se a outros seres, no seu caso, as plantas, que são formas de uma grande estrutura orgânica constituindo núcleos estruturais da organização das próprias imagens. Com base nesta questão da descentralização da fenomenologia cognitiva, Yun Zhang propõe um método próprio, o do Sistema Ecológico de Imagem Perceptiva, o EPISM, que permite traduzir e visualizar a composição, a temporalidade rítmica e os mecanismos reguladores que geram sistemas de imagens muito particulares. A autora apresenta aqui 3 trabalhos realizados nesse contexto e que são parte integrante do seu projeto mais amplo de doutoramento com o título Visualising Plant Cognition: Rhythmic Perception and Ecological Imagination in Drawing and Digital Painting.
Lisboa, 17 de Março de 2026
António Trindade.
+ Textos de Catálogo
Floating with Cassini _ exposição de José Quaresma _ Academia de Belas Artes de Bolonha
Mai 23 202615 > 31 MAIO 2026 | Ala Collamarini | Academia de Belas Artes de Bolonha
José Quaresma, docente da FBAUL; inaugura dia 15 de maio a exposição de desenho, instalação e pintura Floating with Cassini, na Academia de Belas Artes de Bolonha. No dia 16 de maio, um dia após a inauguração, fica disponível neste site o catálogo digital desta exposição.
A exposição Floating with Cassini reúne desenhos de grande escala, instalação gráfica e pintura, desenvolvendo-se em torno de uma Selenografia (imagem gravada da Lua, séc. XVII), composta por muitos desenhos de observação telescópica do satélite da Terra, num esforço conjunto de contemplação de um corpo celeste por Cassini e pelo gravador Jean Patigny. Esta “saída de órbita” por intermédio de estudos astronómicos, nos quais Cassini não hesitou projectar e desenhar rostos humanos, constituem a motivação central desta exposição. Foi igualmente determinante para o desenvolvimento deste projecto a deambulação pelo pavimento da Basílica de S. Petrónio, no qual se encontra a incisão de um vasto relógio de sol com indicações astronómicas preciosas, iluminando “a vida que corre” com ligações àquilo que transcende a Terra, moldando-a com enigma e espiritualidade.
JOSÉ DIAS SANCHO – CARICATURA E HUMOR. Exposição Museu Bordalo Pinheiro
Mai 22 2026©Museu Bordalo Pinheiro
29 ABRIL > 31 MAIO 2026 | MUSEU BORDALO PINHEIRO
No próximo dia 29 de abril, pelas 18h30, o Museu Bordalo Pinheiro inaugura a exposição JOSÉ DIAS SANCHO – CARICATURA E HUMOR.
A partir de projeto de mestrado de Joana Galrão, defendido na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, no âmbito do Mestrado de Crítica, Curadoria e Teorias de Arte, esta exposição tem a curadoria do Prof. Fernando Rosa Dias.
Esta exposição pretende apresentar as facetas de caricaturista e humorista de José Dias Sancho (1898-1929), figura polifacetada, polémica e dinâmica, mas ainda esquecida da história do Modernismo português. Com protagonismo em várias atividades, foi advogado, poeta, escritor, publicista, autor e dinamizador, tendo criado a primeira empresa cinematográfica do Algarve. A sua morte precoce, sem completar 31 anos, contribuiu para o fim do tempo de ouro do Modernismo Algarvio, diligente durante a Primeira República.
Depois da exposição «Regionalismo e Modernismo» no Museu Municipal de Faro, centrado em diálogos de José Dias Sancho com outras figuras do Modernismo, esta exposição no Museu Bordalo Pinheiro destaca a sua atividade de caricaturista e de humorista, da imagem ao texto, tal como o seu gosto por causas e polémicas, e ainda algum foco nas relações que estabeleceu com os modernistas de Lisboa. A exposição seguirá depois para São Brás de Alportel, como um «Regresso à Terra» Natal.
In https://museubordalopinheiro.pt/expo/jose-dias-sancho/
lista dos finalistas da 1.ª edição dos prémios manuel cargaleiro
Mai 22 2026Criados em parceria com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e com o apoio da Câmara Municipal de Castelo Branco, os prémios afirmam-se como um espaço de encontro entre gerações, instituições e linguagens artísticas, incentivando a experimentação, a investigação e o diálogo entre tradição e contemporaneidade nas artes visuais.
A edição inaugural contempla três categorias distintas:
- Prémio Revelação
Dirigido a estudantes de licenciatura, mestrado ou pós-graduação nas áreas das artes visuais, matriculados em instituições de ensino superior artístico em Portugal. Distingue talentos emergentes e práticas experimentais em fase inicial de percurso artístico. - Prémio Cargaleiro
Aberto a artistas de qualquer idade, nacionalidade ou percurso, desafia a desenvolver obras em diálogo criativo com o universo plástico do Mestre Cargaleiro — seja pela forma, pela cor, pelo suporte ou pela conceptualização. - Prémio Investigação
Destinado a estudantes e profissionais matriculados no ensino superior em Portugal (ou que tenham concluído estudos entre 2021 e 2025). Reconhece projetos inéditos nas áreas da história da arte, museologia, curadoria, conservação e restauro, ou outras disciplinas que aprofundem a compreensão e valorização da obra de Cargaleiro.
Para além da atribuição dos prémios, a iniciativa contempla uma exposição final no Museu Cargaleiro, em Castelo Branco, reunindo as obras selecionadas e promovendo a divulgação pública dos finalistas. Será ainda publicado um catálogo oficial com os projetos distinguidos, reforçando a sua projeção crítica e institucional.
Os vencedores recebem apoios concretos que incluem financiamento de estudos, dotação monetária, publicação de investigação e visibilidade em plataformas nacionais e internacionais.
Os Prémios Manuel Cargaleiro contam o patrocínio da Caixa de Crédito Agrícola da Beira Baixa Sul.
Finalistas da 1ª Edição selecionados pelo júri:
Prémio Revelação
Ana Alves
Giulia Paz
Mônica Lopes Nogueira
Pedro de Sousa Serafim
Raquel Maria Tavares
Rui Dias Monteiro
Sara Gonçalves
Sara Velez Malta
Sílvia Neto
Tomás Caleia Azul
Prémio Cargaleiro
Ana Maria Ferreira
António Jorge
Célia Macedo
Joana Paraíso
Luís Macedo
Luís Mouro
Luísa Ramires
Magda Delgado
Rosário Andrade
Yola Vale
Júri
A avaliação das candidaturas destes finalistas será realizada por um júri independente, designado pela Fundação Manuel Cargaleiro em articulação com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. O júri é composto por Alexandre Farto (aka Vhils), Sandra Vieira Jürgens e Graça Morais, três personalidades de reconhecido mérito no domínio das artes visuais e funcionará com total autonomia.
Próximos passos:
Anúncio do vencedor em cada uma das categorias e preparação da exposição, cuja inauguração está prevista para setembro de 2026.
ponto nemo – exposição de ana franco neto
Mai 20 202618 > 27 MAIO 2026 | GALERIA BELAS-ARTES
A exposição Ponto Nemo de Ana Franco Neto inaugura dia 18 maio pelas 17h e está patente de 18 a 27 maio, na Galeria da Faculdade de Belas-Artes.
Curadoria: Joane Brandão de Carvalho
Horário: 2ª a sábado – 11h00/19h00
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
O trabalho de Ana Franco Neto transporta-nos para um universo entre o arquivo e a ficção, onde objetos, imagens e fragmentos surgem como vestígios de um sistema desconhecido. Como no Ponto Nemo — o lugar mais remoto do planeta e destino simbólico de satélites desativados, as suas obras habitam uma zona suspensa entre presença e abandono, entre possível memória e futuro. Como fragmentos de uma cosmologia ficcional ou relíquias de um tempo que nunca existiu, estas obras afirmam-se enquanto entidades autónomas, regidas por uma lógica própria e por um sistema simbólico que escapa à leitura absoluta.
Ana Franco Neto (Lisboa, 1998) artista visual que desenvolve a sua prática artística no cruzamento entre pintura, escultura e cerâmica. Licenciada e mestranda em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, tem desenvolvido o seu percurso através da participação em exposições coletivas, bienais e residências artísticas. Incluindo a XVI Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro (2023), PISO 3 na Sociedade Nacional de Belas-Artes (2023) Bienal de Arte de Gaia (2025), a Bienal de Espinho (2025), Amplitude – Exposição Coletiva de Cerâmica, Almada (2025) e a residência O MAU, Taguspark, Oeiras (2025-2026). Em abril de 2026, apresentou a sua primeira exposição individual, Apócrifos, na Fundação Leal Rios.
Investigação artística. A experimentação poiética perante a inteligência artificial – Ciclo Internacional de Conferências
Mai 18 202622 MAIO 2026 | 9H30 > 17H30 | FBAUL | GRANDE AUDITÓRIO
Reunindo um conjunto de artistas e de investigadores em arte e tecnologia, entre os quais se destaca a participação (presencial) de Jay Bolter, o segundo ciclo internacional de conferências designado Investigação artística. A experimentação poiética perante a inteligência artificial, terá lugar no dia 22 de maio, no Grande Auditório, FBAUL.
No início das conferências será lançado o livro de ensaios que fundamenta as diversas contribuições (as de agora e as de dezembro de 2025), edição que tem a coordenação dos docentes José Quaresma e Fernando Rosa Dias, ambos da FBAUL.
Solicita-se aos interessados que preencham uma ficha de inscrição criada para o efeito, pois, embora a assistência às conferências seja gratuita, é necessário um registo prévio assim como a manifestação de interesse no Certificado de Participação.
Partindo da investigação artística como campo de trabalho e reflexão, o ciclo internacional de conferências e o livro a publicar visam o questionamento livre e criativo da inteligência artificial, perscrutando os seus “espantosos” recursos atinentes à transformação das artes, das ciências e das sociedades, mas analisando com igual intensidade os respectivos impactos nas formas ancestrais de produção artística, na intersubjectividade humana, na empatia real (isto é, “cara a cara”, em solo plural e realmente coabitado), na ética digital, na vida laboral, entre muitos outros aspectos do mundo contemporâneo. Os autores também foram convidados a pensar e a apresentar uma caracterização da investigação artística, diferenciando-a da investigação em artes e da criação artística, mesmo que se verifiquem profundas afinidades entre estas três esferas de reflexão e prática expressiva.
Experimenta o Futuro | 21 a 24 de maio – Pavilhão de Portugal
Mai 18 202621 > 24 MAIO | PAVILHÃO DE PORTUGAL
O futuro não se prevê. Vive-se. Experimenta-se. De 21 a 24 de maio, o Pavilhão de Portugal transforma-se num organismo vivo: inquieto, curioso, cheio de perguntas que não pedem permissão para existir.
A ULisboa celebra um ano de Pavilhão de Portugal como espaço de ligação à sociedade, onde ciência, cultura, inovação e participação pública se encontram, com o evento Experimenta o Futuro.
Durante quatro dias, este espaço respira ideias, provoca gestos, acende descobertas. E tu és parte do pulso.
O Experimenta o Futuro não é apenas uma semana de programação. É um convite para parar, levantar a cabeça e perceber que o futuro não está longe. Acontece aqui, nas ideias que partilhamos, nas perguntas que fazemos, nas experiências que vivemos juntos.
De 21 a 24 de maio, o Pavilhão de Portugal da Universidade de Lisboa torna-se um espaço onde a ciência se aproxima das pessoas, a cultura se abre à cidade e a inovação ganha corpo. Aqui, cada visitante encontrará algo que o move: uma conversa inesperada, uma descoberta luminosa, um silêncio que faz pensar, uma música que desarma ou uma história que fica.
Aqui, cada faísca pode virar caminho. Cada experiência pode deslocar certezas. Cada pergunta pode reinventar o que parecia óbvio.
O futuro não é um destino. É um movimento. E começa quando alguém decide dar o primeiro passo. Dá-o connosco no Pavilhão de Portugal.
Vem experimentar o que ainda não existe. Vem imaginar o que pode ser. Vem participar na construção de um amanhã.
Podes contar com:
Concertos à Pala
Ciência em 3 minutos
Alumni espalhados pelo mundo, reunidos num só ecrã
As Escolas da ULisboa a moldar o amanhã
Teatro universitário, exposições, oficinas e experiências
Um espaço para abrandar e outro para acelerar
Movimento, comunidade e futuro em construção
A entrada é livre.
O tempo como virtualidade incarnada – ciclo internacional de conferências
Mai 16 202620 MAIO 2026 | 14H30 > 17H | GRÉMIO LITERÁRIO
Ciclo internacional de conferências no Grémio Literário sobre o fluxo da temporalidade.
Dia 20 de maio, às 14.30, inicia-se o Ciclo de conferências sobre “O Tempo como virtualidade Incarnada” na qual participam vários especialistas em Pintura, Música, História de Arte e Curadoria para tratar da produção e da expressão da temporalidade através das formas artísticas. Ao mesmo tempo será apresentada a publicação lançada em Bolonha com a designação “ O tempo como virtualidade incarnada”, edição da FBAUL, coordenação de José Quaresma.
Solicita-se aos interessados que preencham uma ficha de inscrição criada para o efeito, pois, embora a assistência às conferências seja gratuita, é necessário um registo prévio assim como a manifestação de interesse no Certificado de Participação.
uma história da ilustração – aula aberta
Mai 15 202627 MAIO | 10H | SALA 4.06
Realiza-se, no dia 27 maio, às 10h, na sala 4.06, a aula aberta “Uma História da Ilustração“, com Daniela Gonçalves.
A história da Ilustração tem vindo a ser escrita, com base em artefactos frequentemente atribuídos a outras artes, que agora são reconsiderados sob uma nova perspetiva. Esta é uma história da Ilustração, construída ao longo da investigação levada a cabo por Daniela Gonçalves no contexto da sua tese de doutoramento. Uma história contada por uma pluralidade de vozes que, juntas, definem o corpo teórico da área – um corpo em expansão e evolução, que reforça o reconhecimento da Ilustração enquanto arte autónoma. Nesta aula aberta abordaremos questões como a comunicação visual, a função enquanto critério discernente, e a importância do desenho. Serão explorados os espaços – de separação e interseção – entre artes e o desenvolvimento da área, do ilustrador e do estatuto de ambos. Acima de tudo, esta aula visa fomentar pensamento crítico no âmbito da história da Arte, e proporcionar uma perspetiva abrangente sobre a área e a sua concetualização que, embora parta de um referencial ocidental, não se restringe a ele.
BIO | Daniela Gonçalves (1993) é professora-artista, atualmente a concluir a sua tese de doutoramento em Educação Artística na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Neste âmbito desenvolveu uma investigação qualitativa cujo foco recaiu sobre o ensino de Ilustração em Portugal, a sua história e os seus intervenientes. Licenciada em Pintura (FBAUL) e mestre em Design Editorial (ESTT), dá aulas e workshops de Ilustração, técnicas de expressão plástica e encadernação. No seu trabalho artístico explora a relação entre texto/conceito e imagem, através de ilustração com técnicas mistas, ensaios visuais e escrita em prosa e poesia – elementos que integram também o seu processo investigativo.
do ponto ao pixel – conferência e oficina
Mai 15 202629 MAIO 2026 | 14H | SALA 4.06
A conferência e a oficina intituladas “Do ponto ao pixel” exploram o potencial da integração das tecnologias digitais na educação das artes visuais, através de uma abordagem híbrida, articulada com os materiais analógicos geralmente utilizados no ensino artístico. Parte-se do princípio de que a tecnologia, quando mobilizada de forma crítica, pode enriquecer as aprendizagens, expandir as potencialidades criativas e promover uma educação artística mais significativa. Esta proposta, especialmente concebida para a UC Arte, Educação e Novas Tecnologias, do Mestrado em Educação Artística, decorre de um estudo, realizado precisamente no âmbito deste mestrado (recentemente concluído, a 14 de maio de 2026), assente numa metodologia de investigação-ação, implementado na educação formal, em contexto de sala de aula, com uma turma do 4.º ano de escolaridade.
A prática pedagógica consistiu na realização de quatro exercícios distintos que combinam o recurso a tecnologias e técnicas manuais com ferramentas digitais, promovendo uma aprendizagem ativa e exploratória, sem descurar o pensamento crítico. A análise dos dados (recolhidos entre fevereiro e junho de 2023) revela, não apenas o interesse manifestado pelos alunos, mas também a sua capacidade de articular diferentes linguagens visuais, potenciando o desenvolvimento de competências técnicas, expressivas e reflexivas durante o processo de criação.Os resultados evidenciam o valor das experiências proporcionadas e o potencial transformador de uma abordagem tecnológica híbrida no ensino das artes visuais, que promove o perfil de um aluno do século XXI.
encontros paragone 2026 — diálogos através das artes – o lugar
Mai 15 2026
25 > 29 MAIO 2026
O programa de Doutoramento em Artes Performativas e da Imagem em Movimento – APIM (Universidade de Lisboa e Instituto Politécnico de Lisboa) anuncia os 2.º ENCONTROS PARAGONE – DIÁLOGOS ATRAVÉS DAS ARTES, a decorrer em Lisboa entre 25 e 29 de maio de 2026.
Os Encontros Paragone pretendem convocar e estimular diálogos transversais e multidisciplinares em torno do pensamento teórico e da prática artística.
Como conceito aglutinador das diferentes comunicações, propõe-se o conceito de ‘LUGAR’. As considerações filosóficas sobre a ideia de Lugar, as suas implicações político-culturais e as suas manifestações artísticas serão os eixos centrais sobre os quais a mesma poderá ser experimentada, articulada e exposta/exibida, numa extensa lista de possibilidades, relações e tópicos, da qual os que se seguem são sugestão:
Lugar, espaço vivido, simbólico ou existencial
Espaço, lugar, território
Lugar e lugares
Lugar, não lugar, entre-lugar, lugar de passagem
Lugar, afetos, memória, identidade
Memória e território
Lugar-corpo
Lugar-imagem
Lugar de fala
Lugares de resistência
Ecologia do lugar
…
In, out, in-between
Utopia, distopia, heterotopia
Topos, locus, lugar
Genius loci
Lugares da arte, lugares das artes
Lugar e ficção, lugares-imaginários
Lugares invisíveis
Lugares de margem
Performance e lugar
Instalação
Espaço cenográfico
Site specific
Lugar e olhares
Lugar e movimento
Cinesfera
Paisagem sonora
…
Interseccionalidades
Lugares do pensamento
Ontologia do lugar
Poética do lugar
Políticas do lugar
Topologia, topografia, toponímia
Permanência e vestígio
Traço
Pele
…
Datas
25 a 29 de maio
Locais
25, 27 de tarde e 28 – Escola Superior de Teatro e Cinema
26 e 27 de manhã – Escola Superior de Música de Lisboa
29 – Faculdade de Belas-Artes
Coordenação Geral
David Antunes, IPL – ESTC
Marta Mendes, IPL – EST
Comissão científica
Ana Isabel Soares (Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais)
António de Sousa Dias (Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes)
Armando Nascimento Rosa (Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Teatro e Cinema)
Carlos Caires (Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Música de Lisboa)
Carlos Cayetano Vizcaíno Fernández (Universidade da Coruña, Departamento de Letras)
Carlos Marecos (Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Música de Lisboa)
Carlos Pimenta (Universidade Lusófona)
David Antunes (Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Teatro e Cinema)
Fátima Chinita (Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Teatro e Cinema)
Fernando Rosa Dias (Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes)
Francesca Clare Rayner (Universidade do Minho, Departamento de Estudos Ingleses e Norte-Americanos)
Iana Ferreira (Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Teatro e Cinema)
Jean Paul Bucchieri (Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Teatro e Cinema)
Jorge do Ó (Universidade de Lisboa, Instituto de Educação)
Jorge Palinhos (Centro de Estudos Arnaldo Araújo/CESAP)
Jorge Salgado Correia (Universidade de Aveiro, Departamento Comunicação e Arte)
José Maria Vieira Mendes (Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras)
Luca Aprea (Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Teatro e Cinema)
Madalena Xavier (Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Dança)
Manuela Penafria (Universidade da Beira Interior, Faculdade de Artes e Letras)
Maria José Fazenda (Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Dança)
Marta Cordeiro (Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Teatro e Cinema)
Marta Mendes (Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Teatro e Cinema)
Rui Pina Coelho (Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras)
Susana de Sousa Dias (Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes)
Comissão Executiva
Annaluana Tallarita
António de Sousa Dias
David Antunes
Fátima Chinita
Francisco Zaiden
Gabriela Marramaque
Isabel Machado
Janice Landritsky
Mariana Vieira
Marta Domingues
Marta Mendes
Nuno P. Custódio
Rafael Medrado Guimarães
Sofia B. Pires
Talita Caselato
Contacto: paragone.apim@belasartes.ulisboa.pt
Elogio da Loucura ou a Loucura do Pintor_ exposição de Agostinho Santos
Mai 06 20266 > 28 MAIO 2026 | CAPELA DA FACULDADE DE BELAS-ARTES
No dia 6 de Maio, às 17h00, inaugura na Capela da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, a exposição “Elogio da Loucura ou a Loucura do Pintor”, de Agostinho Santos.
Curadoria: Beatriz Meireles e de Luís Jorge Gonçalves.
Nesta data, será também realizado o lançamento do Livro de Artista Elogio da Loucura ou a Loucura do Pintor.
A exposição e a edição do livro resultam de uma colaboração entre a Faculdade de Belas-Artes e Câmara Municipal de Paredes.
Horário: 2ª a sábado – 11h00/19h00
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
Agostinho Santos expressa, através do conjunto de obras apresentadas, onde inclui um Diário Gráfico, as suas faces da loucura. As suas imagens são também um convite a se refletir sobre como a loucura é quotidiana. Sentimos que a loucura está para além do que a cultura popular associa à insanidade, ou à demência, ou seja, os estados de desequilíbrio químico no cérebro, ao nível neurológico.
Agostinho Santos, como jornalista foi uma pessoa que lutou pela liberdade e como artista, no seu conjunto de desenhos e pinturas exprime a liberdade, o seu poder crítico e o seu olhar sobre o tempo em que vivemos. Encontramos a deusa loucura, Erasmus de Roterdão, porque esta foge à essência do racional. Nesta busca, as imagens da loucura levam-nos a questionar o mundo atual. Somos loucos a olhar para um personagem desequilibrado, que governa uma grande potência, apoiado em narrativas da desinformação, com uma ideologia de domínio de recursos, para uma oligarquia restrita, veiculado e ampliada através de uma cadeia humana e tecnológica, com discursos justificando o que não é racional, mas jogando com as emoções. A irracionalidade está a tomar conta de nós e esta série, de desenhos e do Diário Gráfico de Agostinho Santos conduz-nos a essa reflexão e provocam emoções em nós. Para que mundo caminhamos, com a deusa Loucura?
ivens perspectives — exposição de amália bragança
Mai 05 202610 ABRIL > 17 MAIO 2026 I IVENS LIVING REAL ESTATE
Inaugura no dia 10 de abril, no espaço IVENS Living Real Estate, Rua Ivens 2, 1200- 227 Lisboa, a exposição de Amália Bragança, no âmbito do acordo de colaboração entre a IVENS e a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, para a realização de exposições de obras dos seus artistas, em contexto formativo.
Coordenação: Investigadora Ana Matilde Sousa
Amália Bragança (n. 2005) reside e trabalha em Lisboa, frequentando atualmente o 3.º ano da licenciatura em Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. O seu corpo de trabalho, de natureza multidisciplinar, explora as potencialidades da imagem estática e em movimento, procurando construir narrativas a partir do confronto entre realidades distintas. Desenvolve a sua prática através de diversos suportes e técnicas, como o desenho, a pintura, a fotografia e o vídeo, navegando entre o bidimensional e o tridimensional. Participou em diversas exposições coletivas, entre as quais se destacam The Conception of Youth (Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, 2026), O Último Tranca a Porta (Lugar Específico, Lisboa, 2025), Casa da Ladra – Residência Artística SAFRA (Lisboa, 2025), Vogados (Rua Camilo Castelo Branco, Lisboa, 2025) e GABA – Galerias Abertas (Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, 18.ª edição, 2025; 17.ª edição, 2024; 16.ª edição, 2023).
Entrelaçar – Investigações em Património // 7 e 8 de maio
Mai 01 20267 e 8 de MAIO 2026 > AUDITÓRIO DA CASA DOS BICOS – FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO
Nos dias 7 e 8 de maio de 2026 realizar-se-á a 3ª edição do Encontro Entrelaçar – Investigações em Património Cultural, uma colaboração entre a Faculdade de Belas-Artes e a Casa dos Bicos – Fundação José Saramago.
Este evento visa promover o estreitamento das relações entre antigos, atuais e futuros alunos dos mestrados em Conservação de Arte Moderna e Contemporânea e em Museologia e Museografia da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, criando um espaço de partilha e reflexão sobre as práticas e os desafios atuais nas respetivas áreas de investigação. Além disso, o evento permitirá a apresentação de projetos desenvolvidos por antigos e atuais alunos, assim como a partilha de novas propostas, fomentando o diálogo e a colaboração entre todos os envolvidos.
O evento terá lugar de forma exclusivamente presencial, no Auditório Casa dos Bicos – Fundação José Saramago
As comunicações são de 10 minutos, seguidas de perguntas após concluída as apresentações do painel.
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
Contactos
Comissão organizadora
Ana Bailão
Ana Carolina Carvalho
Eduardo Rovisco
Filipa Lopes
Henrique Costa
Margarida Boavida
Micaela Mazel
Rita Monteiro
Comissão técnica
Carolina Ganchas
Mafalda Ferreira
José Guerra
Comissão científica
Eduardo Duarte
Elsa Pinho
Frederico Henriques
José Carlos Pereira
Marta Manso
Teresa Lousa
Inscrição
O evento é gratuito, contudo é necessária inscrição que deverá ser realizada através do seguinte formulário.
+INFO [website / instagram]
Website: https://sites.google.com/view/entrelacarevento/home
Instagram: @entrelacar.evento
estudos para uma cábula – exposição de joão palmeira
Mai 01 202623 ABRIL > 13 MAIO 2026 | GALERIA BELAS-ARTES
A exposição Estudos para uma cábula de João Palmeira, está patente de 23 de abril a 13 maio, na Galeria da Faculdade de Belas-Artes.
Curadoria: Nuno Sousa Vieira
Horário: 2ª a sábado – 11h00/19h00
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
A cábula não é apenas um objeto, nem um simples repositório de informações, mas sim um dispositivo de transformação, que não se limita a guardar o que o tempo deposita, atuando sobre ele, uma vez que vai revelando camadas de sentido que só se tornam visíveis através da experiência de quem a manipula, de quem o dobra, de quem o guarda ou de quem o usa. Neste contexto, a pergunta que a cábula suscita permanece: como apreender e compreender o que o tempo nos deixa? A informação que contém pode ser a mesma, mas a resposta nunca é única. Cada gesto, cada olhadela, cada espirro e cada dobra, reescrevem o seu significado, como se a cábula fosse um espelho que, em vez de refletir, multiplica as possibilidades do que já existe. Neste sentido, considerando que a informação que ela contém parece imutável, mas as respostas se multiplicam e se desdobram, cada leitura é um novo gesto e cada interpretação é uma nova camada de sentido. A cábula é, assim, um manual de operações abertas: não prescreve, sugere; não comprime, amplia; segundo o qual, a cada resposta precede sempre uma nova pergunta.
[excerto de «A Cábula do Nariz para o Bolso», de Nuno Sousa Vieira]
folded over itself – exposição de Lola Sementsova
Abr 12 20269 > 17 ABRIL 2026 | GALERIA BELAS-ARTES
Inaugura no dia 9 de abril, às 18h, na Galeria da Faculdade de Belas-Artes, a exposição Folded Over Itself de Lola Sementsova.
Curadoria: Alexia Alexandropoulopu
Coordenação: Marta Castelo
Horário: 2ª a sábado – 11h00/19h00
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
Folded Over Itself
A exposição desenrola-se através de uma sequência de obras que oscilam entre o íntimo e o arquitectónico, o corporal e o estrutural.
Começa com uma mesa. Sobre ela, um vaso de cerâmica branca abre-se ao longo de um corte que parece demasiado deliberado para ser acidental e demasiado exposto para ser puramente decorativo. A ferida é revestida por pequenas pedras brilhantes que captam a luz e a retêm. Ao lado, um pedaço de carne, vermelho e igualmente incrustado, repousa junto de uma faca e de um garfo. A cena parece familiar, quase doméstica, mas algo está fora do lugar. Aquilo que é apresentado como se pudesse ser consumido resiste a essa possibilidade.
Há uma certa atração nisto. O cenário é teatral, até sedutor, mas conduz gradualmente a algo mais desconfortável. Esta tensão evoca o que Georges Bataille descreveu como a proximidade entre o desejo e a perturbação, em que aquilo que nos atrai é também aquilo que nos inquieta.
Mais adiante no espaço, surge uma gaiola vermelha. É grande, próxima da escala do corpo humano, e sente-se em relação ao próprio corpo. A sua estrutura é rígida, repetitiva, quase fria, mas foi envolvida, suavizada, trabalhada à mão. O fio vermelho altera tudo. Confere densidade à estrutura, como se transportasse algo no seu interior, mesmo quando parece vazia. A cor é insistente. Traz associações ao sangue, à vida interior, mas também ao aviso, a algo que talvez não devesse ser tocado.
Há aqui algo de excessivo, algo que não se fixa num único significado. Parece simultaneamente protetor e restritivo. Como sugere Julia Kristeva, são estes os momentos em que as fronteiras começam a esbater-se, em que o interior e o exterior deixam de estar claramente separados.
Noutra sala, um vídeo mostra uma mão a verter areia para dentro de uma gaiola. O gesto repete-se. A areia escapa, acumula-se, desaparece e recomeça. Nada se acumula. Nada se resolve. Com o tempo, a ação torna-se quase hipnótica, não porque mude, mas porque não muda. Permanece na mesma tentativa, repetida vezes sem conta, de reter algo que não pode ser retido.
Ao longo da exposição, os materiais assumem uma presença forte: lã, cerâmica, areia, vidro. São familiares, enraizados, mas utilizados de formas que deslocam o seu significado. O doméstico encontra algo mais visceral. A proteção começa a assemelhar-se à contenção.
Não há aqui uma conclusão clara. As obras permanecem num estado intermédio. Mantêm as coisas juntas, mas não completamente. Deixam algo em aberto, não totalmente exposto, mas também não inteiramente contido.
Open Day Mestrados Belas-Artes | Abril 2026
Abr 12 202622 > 23 ABRIL 2026 | ONLINE
Este ano, a Faculdade de Belas-Artes organiza, pela primeira vez, um Open Day dedicado aos nossos mestrados, especialmente pensado para quem deseja conhecer melhor a oferta formativa e o ambiente criativo que nos define.
Nesta sessão online, terá a oportunidade de explorar os nossos cursos de mestrado, compreender abordagens pedagógicas e artísticas.
O Open Day decorrerá em formato remoto, nos dias 22 e 23 de abril, permitindo a participação de todos, independentemente da localização, e oferecendo um espaço aberto para esclarecer dúvidas, ouvir experiências e descobrir o percurso que poderá transformar o futuro académico e artístico.
Em ambos os dias o formato de participação será exclusivamente online, com o seguinte programa:
17h00 – Sessão de Boas-Vindas*
17h20 – Sessões Específicas de Mestrados
*Na Sessão de Boas-Vindas serão facultados os links para os diferentes mestrados, de modo a que os interessados possam escolher aquele em que querem participar.
Divisão dos cursos pelos dois dias:
OPEN DAY MESTRADOS – 22 DE ABRIL
ARTE MULTIMÉDIA – Prof.ª Mónica Mendes
DESENHO – António Trindade em colaboração com o Prof. Henrique Costa
DESIGN DE COMUNICAÇÃO – Prof.ªSofia Gonçalves
EDUCAÇÃO ARTÍSTICA – Prof.José Carlos Pereira
ESCULTURA – Prof.ª Ângela Ferreira em colaboração com o Prof. José Revez)
PRÁTICAS TIPOGRÁFICAS E EDITORIAIS CONTEMPORÂNEAS – Prof.Jorge dos Reis
OPEN DAY MESTRADOS – 23 DE ABRIL
CONSERVAÇÃO DE ARTE MODERNA E CONTEMPORÂNEA - Prof.ª Ana Bailão
CRÍTICA E CURADORIA DA ARTE – Prof.Fernando Rosa Dias
DESIGN DE EQUIPAMENTO – Prof.Cristóvão Pereira
DESIGN PARA A SUSTENTABILIDADE – Prof.ªAna Thudichum Vasconcelos
MUSEOLOGIA E MUSEOGRAFIA – Prof. Eduardo Duarte
PINTURA – Prof. Tomás Maia
Palestra — Molecular Typography Laboratory com Kobi Franco
Abr 10 202620 ABRIL 2026 | 17h00 | AUDITÓRIO LAGOA HENRIQUES
Molecular Typography Laboratory é um projeto de investigação especulativo que explora a tipografia experimental e examina a interseção entre função e estética, bem como entre conteúdo e forma. Este estudo assume que as letras latinas e hebraicas possuem uma estrutura molecular e procura compreender de que forma esta hipótese pode ser aplicada a diferentes alfabetos e línguas. Trata-se de um projeto interdisciplinar que estabelece pontes entre o design, a ciência e a linguagem.
Kobi Franco é designer, investigador, curador e diretor do Mestrado em Design no Shenkar College, em Telavive. Dirige um estúdio de referência especializado em design para a cultura e as artes. O seu trabalho tem sido amplamente apresentado em Israel e a nível internacional, tendo recebido diversos prémios, como o Typographic Excellence do Type Directors Club, Nova Iorque; o Excellence Work do Tokyo Type Directors Club; o Prémio do Ministério da Cultura e do Desporto de Israel; os International Design Awards (IDA), EUA; e os DNA Paris Design Awards.
Entrada livre, sujeita à lotação da sala.
Organização: Departamento de Design de Comunicação.
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
workshop Farmácia do século xviii na ponta dos dedos
Abr 10 202613 ABRIL 2026 | Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Heritage Lab [Sala 3.63]
Apresentação
E se pudéssemos visitar uma farmácia do século XVIII… sem usar a visão?
Este workshop convida o público a explorar o património de forma sensorial, através do toque e da descoberta ativa.
A partir de uma maquete especialmente concebida, os participantes são desafiados a conhecer os materiais, formas e detalhes de uma antiga farmácia, em exposição no Museu da Farmácia de Lisboa, numa experiência que privilegia outros sentidos e promove uma nova forma de relação com o património.
Mais do que uma visita, esta é uma experiência imersiva que questiona como vemos, e sentimos os espaços culturais, abrindo caminho a práticas mais acessíveis e inclusivas para todos.
Data: 13 de abril de 2026
Horários:
1ª sessão: 10h00 – 12h00
2ª sessão: 14h00 – 16h00
Modalidade: presencial, com a combinação de demonstrações e componente prática.
Vagas: 7 participantes por sessão
Público-alvo: Atividade aberta a todos os públicos.
Inscrição: O evento é gratuito, mas a inscrição é obrigatória e deverá ser feita até 10 de abril de 2026, às 17:00H.
E-mail de contacto/inscrição: heritagelab@office365.ulisboa.pt
Arte Contemporânea em Diálogo #6
Abr 10 202623 ABRIL 2026 | SOCIEDADE NACIONAL DE BELAS-ARTES | 18H30
A arte contemporânea é um território complexo e diversificado, inclusivamente, do ponto de vista da sua própria definição conceptual e temporal. Sobretudo desde a década de 90, e do processo de globalização a ela associado, que se foi verificando uma mudança de paradigma ao nível da produção e da recepção da arte, nomeadamente, com a proliferação dos meios de comunicação e da forte pressão das indústrias culturais, assim como com a crescente subjectivação e individualização do gosto. Nas últimas décadas, foi-se implantando uma nova ordem de relações entre a arte, as instituições, a obra e o público.
Para esta sessão do ciclo de diálogos sobre a arte contemporânea Isabel Nogueira convida Sérgio Fazenda Rodrigues, para discutir o tema “Qual o lugar da curadoria na complexidade artística e institucional da arte contemporânea?”
courier de mário caeiro /// a casa – all my colors de pedro rosa
Mar 21 2026
19 MARÇO > 09 ABRIL 2026 I CAPELA BELAS-ARTES
Inaugura no dia 19 de março, às 18h30, na Capela da Faculdade de Belas-Artes, a exposição A Casa – All my Colors de Pedro Rosa. Trata-se de uma exposição de fotografias esquecidas dos tempos partilhados nas Belas Artes. Designers formados nos anos 80 na ESBAL, Caeiro, hoje curador, e Rosa, hoje designer, manifestam neste reencontro o seu interesse pela memória dos afetos. The kids are allright.
A exposição ficará patente até 9 de abril.
Horário: 2º a sábado – 11h/19h
Ainda na Capela, no mesmo dia à mesma hora, será apresentado o livro Courier de Mário Caeiro. Trata-se de um livro de poesia em modo fanzine arty e exposição em recato registo de escrita lumínica celebram memórias pessoais dos anos 80. Mário Caeiro publica esquecíveis poemas de juventude. Courier de seu título, em edição de autor.
A publicação de poesias de juventude por Mário Caeiro [n. 1966], juntamente com uma exposição de fotografia com imagens da mesma época feitas por Pedro Rosa [n. 1967], lançam (aceitam) um desafio. Como celebrar — e tornar oportuna — a memória dos afetos? Num registo íntimo, Caeiro e Rosa, ambos designers de formação, que passaram pela ESBAL em meados dos anos 80, mostram esquecidos poemas arquivados, folhas dactilografadas e impressões fotográficas até aqui guardadas em rolos.
A conversa é instigada por Fernando Rosa Dias, investigador, docente na FBAUL e diretor da revista CONVOCARTE.
Na antevisão do inenarrável livro de poesia, Caeiro aproveita a ocasião para apresentar Collage, seleção de colagens recentes. E Pedro Rosa reúne seleção de fotografias do seu arquivo na exposição A CASA – ALL MY COLOURS. Aos visitantes é disponibilizada banda sonora via Spotify.
O livro ficará disponível exclusivamente na LIVRARIA LINHA DE SOMBRA na Cinemateca Portuguesa em Lisboa.