Arte
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Dia das Belas-Artes 2026 – 23 outubro
Out 22 2026190 ANOS DA FACULDADE DE BELAS-ARTES DA UNIVERSIDADE DE LISBOA | 23 OUTUBRO 2026*
No dia 25 de outubro a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, a instituição de ensino artístico mais antiga de Portugal, comemora os 190 anos da sua fundação, então designada por Academia das Belas-Artes de Lisboa, da qual é hoje sucessora.
* As comemorações foram antecipadas para dia 23 de outubro, considerando que o dia 25 é um domingo.
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
PROGRAMAÇÃO
9h30 – Receção aos convidados – Atuação da TUBA
10h – Grande Auditório
Cerimónia Dia das Belas-Artes 2026 – 190 anos da FBAUL
> Sessão de Abertura | Discursos de boas-vindas
> Apresentação do Dicionário de Pintura na Era da Inteligência Artificial. Práticas, Tecnologias, Conceitos
> Lançamento do Livro Free Radicals: Attuning to Plants in Creative Practices
> Apresentação da Medalha Comemorativa dos 190 Anos da FBAUL, da autoria do Prof. Doutor Escultor João Duarte
> Entrega dos Troféus aos Professores aposentados e jubilados no ano de 2025-2026
> Revelação dos Vencedores da 1ª edição dos Prémios Manuel Cargaleiro
> Inauguração da exposição alusiva aos 190 Anos da FBAUL
Momentos musicais a cargo da TUBA e de Rafael Alves (vencedor do The Voice e ex-aluno da FBAUL)
Às 13 horas será servido um cocktail.
Posteriormente, realizam-se diversas ações no âmbito da exposição Ways of Growing / Modos de Crescer do projeto de investigação Free Radicals.
> Exposição 190 anos das Belas-Artes | Corredor Auditório Lagoa Henriques, Capela e Galeria da AEFBAUL
Integrada nas comemorações dos 190 anos da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, a exposição reúne obras e objetos dos diferentes acervos da FBAUL, a par de trabalhos mais recentes desenvolvidos no âmbito dos departamentos.
A mostra procura dar a conhecer a diversidade do património da Faculdade e, ao mesmo tempo, mostrar como as diferentes áreas foram evoluindo ao longo do tempo. Obras de pintura, desenho, escultura, cerâmica, medalhística, gravura, vidro e mosaico, design de comunicação, design de equipamento, arte multimédia, instrumentos científicos e espólios de artistas ajudam a entender diferentes formas de ensinar, criar, estudar e conservar nas Belas-Artes. No seu conjunto, mostram não só a história da instituição, mas também um percurso que continua a ser construído e preservado no presente.
> Ways of Growing (Modos de Crescer) | Galeria Belas-Artes e Jardim
Esta exposição constitui o culminar de Free Radicals, um projeto de investigação de dois anos que explora as interseções entre a biodiversidade vegetal e a prática artística. A mostra reúne obras de vinte artistas, designers, profissionais das áreas criativas e investigadores interdisciplinares, que dão a conhecer as suas respostas às realidades ecológicas específicas do atual contexto climático europeu: da expansão das monoculturas de eucalipto em Portugal à perda de floresta na Arménia, passando pela transformação dos conhecimentos tradicionais sobre plantas nas comunidades de montanha da Galiza. Ao longo do projeto, os participantes questionam como podemos integrar as plantas na investigação artística enquanto co-criadoras de um imaginário coletivo, em vez de as tratar como simples temática ou objeto, contribuindo simultaneamente para uma reflexão mais ampla sobre as interseções entre a biodiversidade vegetal e a prática criativa.
Ativações artísticas: 23 de outubro de 2026, das 10h00 às 15h00, no jardim da Galeria, incluindo performances, sessão de leitura, programa de rádio, projeções de filmes e refeição performativa*
Lançamento do livro Free Radicals: Attuning to Plants in Creative Practices: 23 de outubro, entre as 10h00 e as 13h00, no Grande Auditório (integrado nas cerimónias do Dia das Belas-Artes).
*A refeição performativa, planeada para as 14h00, tem lotação máxima de 35 participantes.
Ways of Growing / Modos de Crescer – exposição coletiva
Out 22 202622 OUTUBRO > 28 NOVEMBRO 2026 | GALERIA BELAS-ARTES
Ways of Growing / Modos de Crescer, a exposição final do projeto europeu Free Radicals, inaugura no dia 22 de outubro, às 19h00, na Galeria da Faculdade de Belas-Artes. A exposição estará patente até 28 de novembro.
Horário: segunda a sábado, das 11h00 às 19h00
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
Ativações artísticas: 23 de outubro de 2026, das 10h00 às 15h00, no jardim da Galeria, incluindo performances, sessão de leitura, programa de rádio, projeções de filmes e refeição performativa*
Lançamento do livro Free Radicals: Attuning to Plants in Creative Practices: 23 de outubro, entre as 10h00 e as 13h00, no Grande Auditório (integrado nas cerimónias do Dia das Belas-Artes).
*A refeição performativa, planeada para as 14h00, tem lotação máxima de 35 participantes.
Free Radicals: Ways of Growing (Modos de Crescer)
O que podemos aprender sobre o bem-estar planetário – e sobre as nossas responsabilidades para com ele – se as plantas passarem a participar na produção de conhecimento que emerge da investigação artística e do trabalho cultural? Como podemos criar um espaço que reúna diferentes formas de conhecimento (referindo-nos a todo o ecossistema multiespécies de que as plantas e os seres humanos fazem parte), promovendo um diálogo sustentado capaz de gerar perspectivas que nenhum dos intervenientes conseguiria alcançar isoladamente? Talvez responder à crise da biodiversidade exija repensar não só a própria noção de natureza, mas também o lugar da humanidade nela integrada. Se a tendência dominante é ignorar as plantas e o seu contributo para a construção do mundo, cultivemos então a literacia botânica como forma de contrariar essa tendência. Intitulada Ways of Growing (Modos de Crescer), esta exposição constitui o culminar de Free Radicals, um projeto de investigação de dois anos que explora as interseções entre a biodiversidade vegetal e a prática artística. A mostra reúne obras de vinte artistas, designers, profissionais das áreas criativas e investigadores interdisciplinares, que dão a conhecer as suas respostas às realidades ecológicas específicas do atual contexto climático europeu: da expansão das monoculturas de eucalipto em Portugal à perda de floresta na Arménia, passando pela transformação dos conhecimentos tradicionais sobre plantas nas comunidades de montanha da Galiza. Ao longo do projeto, os participantes questionam como podemos integrar as plantas na investigação artística enquanto co-criadoras de um imaginário coletivo, em vez de as tratar como simples temática ou objeto, contribuindo simultaneamente para uma reflexão mais ampla sobre as interseções entre a biodiversidade vegetal e a prática criativa. A exposição assinala também o lançamento do livro Free Radicals: Attuning to Plants in Creative Practices, publicado em colaboração com a editora neerlandesa Onomatopee. Concebida coletivamente enquanto toolkit – em parte manifesto, em parte espaço de encontro – esta publicação destina-se a todas as pessoas que procuram aprofundar a relação entre as plantas e a sua prática. A publicação reúne o trabalho de 70 artistas, designers, investigadores, curadores, cientistas, detentores de conhecimentos locais, jardineiros e educadores que cultivam formas de colaboração lentas, imperfeitas e recíprocas entre pessoas e plantas. Através de ensaios, entrevistas, poesia, reflexões e receitas, a publicação percorre culturas materiais, ecologias sonoras, artes visuais, conhecimentos incorporados, metodologias orientadas pelo design e investigações de base comunitária, reunindo e transmitindo histórias e encontros que revelam o papel indissociável das plantas na configuração das nossas sociedades.
Com obras de Blanca Allegue, Kač Bártková, Aly Beveridge, Morgane Billuart, CARUMA, Gabriela Carvalho, Alejandra Díaz-Guerra Acedo, Eleonora Edreva, Elena Falomo, Maria Ilieva, Adam Kvaček, Jamie McGhee, Ricardo Nugra Madero, Ivana Papić, Béatrice Pépin, Inês Quente, Emilie Rážová, Miguel Tavares, Daria Titova e Yanna Varbanova.
Conceito curatorial: Sasha Střelcová (Haenke)
Comissão artística: Beatriz Manteigas (CIEBA/FBAUL / Associação Quinta das Relvas), Lilit Stepanyan (Today Art Initiative), Uxío Novoneyra Rei e Branca Novoneyra (Fundación Uxío Novoneyra), Linsey Rendell (Haenke)
Coordenação criativa e de produção: Inés Karčáková (Haenke)
Design gráfico: Jolana Sýkorová
Produção e comunicação: Catarina Pires, Teresa Sabido
Iluminação: Ana Caria
Apoio técnico: António Aguiar, Guilherme Resende
IVENS Perspectives – exposição de mariana almeida
Out 12 202614 SETEMBRO > 30 OUTUBRO 2026 | IVENS Living Real Estate
Rua Ivens 2, 1200- 227 Lisboa
No dia 14 de setembro irá inaugurar na IVENS Living Real Estate, Rua Ivens 2, 1200- 227 Lisboa, a exposição de obras de Mariana Almeida, no âmbito do acordo de colaboração entre a IVENS e a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, para exposição de obras dos seus artistas em contexto formativo.
Coordenação: Investigadora FCT Júnior Ana Matilde Sousa (CIEBA e departamento de Pintura)
Artista:
Mariana Almeida (Lisboa, 2004) vive e trabalha em Lisboa, frequentando atualmente a licenciatura em Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. No seu trabalho, utiliza a pintura a óleo figurativa para investigar o trauma, a psicanálise e os aspetos reprimidos do indivíduo. Combinando a técnica clássica do claro-escuro com uma tensão visual contemporânea, a sua obra transforma elementos do quotidiano em veículos de confronto e introspeção psicológica. Em 2025, participou nas exposições Fora de Zona (Galeria Liminare, Lumiar), JOV´ARTE Bienal Jovem (Galeria Municipal Vieira da Silva, Loures), Quantos Queres (Pavilhão do Fórum Luís de Camões, Brandoa), XXIV Bienal de Artes da Festa do Avante (Quinta da Atalaia, Amora-Seixal) e GABA – Galerias Abertas de Belas-Artes, 18ª Edição (Faculdade de Belas-Artes, Lisboa).
Exposição finalistas Prémios Manuel Cargaleiro
Out 12 2026© Fundação Manuel Cargaleiro/Alberto Ladeira
EXPOSIÇÃO FINALISTAS PRÉMIOS MANUEL CARGALEIRO
VIII Colóquio Expressão Múltipla – Desenho Aplicado | Teoria e Prática do Desenho
Out 12 2026
Datas de realização do Colóquio – 23 – 24 novembro de 2026
Primeira chamada de trabalhos – Desenho Aplicado
Segunda Chamada de trabalhos -Teoria e Prática do Desenho
Este congresso visa proporcionar uma visão abrangente sobre a investigação na área do Desenho. Divide-se em duas chamadas de trabalho com vista a duas publicações anuais e a um colóquio/congresso.
A primeira chamada é dirigida ao Desenho Aplicado. Por Desenho aplicado entendem-se todas as vertentes em que o desenho é um elemento central, sendo, no entanto, concretizado com outros fins que não ele próprio. Assim áreas do desenho como as da concept art, ilustração, animação, desenho digital, realidade virtual, banda-desenhada, desenho de produção, entre outras, serão os maiores alvos nesta iniciativa. É por isso dirigida aos estudiosos que pretendam seguir, ou que já estejam a desenvolver trabalho nestas áreas, de maneira a permitir uma disseminação de experiência e de resultados.
A segunda chamada é dirigida à Teoria e Prática do Desenho num âmbito mais geral onde as suas relações com a arte e com os processos artísticos são investigadas.
O colóquio é dirigido sobretudo aos estudiosos que procuram desenvolver dissertações e teses na área do Desenho ou noutras que possam de alguma forma ampliar as discussões relativas a estas áreas de conhecimento. Pretende-se a disseminação das diversas experiências, metodologias e resultados. Assim, aos interessados em participar convida-se à submissão dos artigos relativos a comunicações orais a serem apresentadas no colóquio atendendo à especificidade das chamadas de trabalhos.
Todos os artigos serão submetidos a uma revisão peer review. Cada artigo recebido pelo secretariado é reenviado, sem referência ao autor, a dois ou mais membros da Comissão Científica, garantindo-se no processo o anonimato de ambas as partes (double-blind). No procedimento privilegia-se a distância geográfica entre a origem de autores e a dos revisores científicos.
O colóquio, a ter lugar entre 23 e 24 de novembro de 2026 no Grande Auditório da FBAUL, será composto por comunicações de 20 minutos e por um posterior momento para resposta a questões do público. Está prevista a abertura do colóquio/congresso com a presença de um ou dois keynotes.
A realização do colóquio deverá ser presencial. Em caso de impossibilidade de comparência física dos autores, os mesmos poderão apresentar uma gravação com a sua comunicação. A não participação no colóquio poderá levar à exclusão do livro de atas.
Os artigos revistos e aprovados serão publicados online no Repositório da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
CALENDÁRIO:
VIII Colóquio Expressão Múltipla: Desenho Aplicado
Até 21 de junho, data-limite para o envio do resumo.
Até 28 de junho, notificação de aceitação.
VIII Colóquio Expressão Múltipla: Teoria e Prática do Desenho
Até 18 outubro, data-limite para o envio doresumo.
Até 25 outubro, notificação de aceitação.
VIII Colóquio Expressão Múltipla
Colóquio – comunicações orais
23 – 24 de novembro de 2026, Grande Auditório da FBAUL. (Esta data está sujeita a alterações).
VIII Colóquio Expressão Múltipla
Até 31 janeiro de 2027, entrega dos artigos.
Até 15 de fevereiro de 2027 notificação dos pareceres da revisão.
VIII Colóquio Expressão Múltipla
Até 31 de março entrega dos artigos finais.
Até 31 de maio de 2027, publicação online do livro de atas.
*Os artigos deverão ser enviados para expressaomultipla@gmail.com segundo a seguinte formatação:
Formato do Resumo
Cada resumo não deverá ultrapassar os 1600 caracteres incluindo espaços, sem contar com o título, autoria, afiliação, palavras-chave e legendas.
- Título: Fonte Times New Roman, tamanho 14, maiúsculas, negrito, centralizado.
- Autor principal e afiliação: Nome do autor ou autores principais e respetivos centros de estudos. Times New Roman, tamanho 12.
- Autores secundários e afiliações (caso existam): Nome dos autores secundários e respetivos centro de estudos. Times New Roman, tamanho 12.
- Corpo de texto: Times New Roman, tamanho 12, espaçamento 1,5. Parágrafo justificado.
- palavras-chave: 3 a 5 palavras-chave.
- Até 2 imagens: legendadas e referidas.
- Legendas: Numeradas, Times New Roman, tamanho 10.
Formato do Artigo
Cada artigo deverá ter entre 10000 e 15000 caracteres sem espaços referentes ao corpo do texto, isto é, sem contar com o título, resumo, palavras-chave, legendas e bibliografia.
- Título: Fonte Times New Roman, tamanho 14, maiúsculas, negrito, centralizado.
- Autor principal e afiliação: Nome do autor ou autores principais e respetivos centros de estudos. Times New Roman, tamanho 12.
- Autores secundários e afiliações (caso existam): Nome dos autores secundários e respetivos centro de estudos. Times New Roman, tamanho 12.
- Resumo e palavras-chave: Times New Roman, até 1600 caracteres incluindo espaços, tamanho 12, espaçamento simples, parágrafo justificado. 3 a 5 palavras-chave.
- Abstract e keywords: Em inglês, Times New Roman, até 1600 caracteres incluindo espaços, tamanho 12, espaçamento simples, parágrafo justificado.
- Subtítulos: Fonte Times New Roman, negrito, tamanho 12.
- Corpo de texto: Times New Roman, tamanho 12, espaçamento 1,5. Parágrafo justificado.
- Legendas: Numeradas, Times New Roman, tamanho 10.
- Referências Bibliográficas: Devem seguir o Modelo APA ou NP 405. Fonte Times New Roman, tamanho 12 (APA), 10 (NP 405) espaçamento simples.
- Até 10 imagens: Inseridas no correr do texto, legendadas e referidas (atenção aos direitos de autor).
O documento deve ser enviado em formato word, e em formato pdf. No formato pdf, o documento deverá omitir os autores e a filiação.
identidade e ruína – exposição de artur ramos
Out 11 202606 OUTUBRO > 17 OUTUBRO 2026 | GALERIA BELAS-ARTES
A exposição Identidade e Ruína, de Artur Ramos, inaugura dia 06 outubro pelas 17h30 e está patente de 06 a 17 de outubro, na Galeria da Faculdade de Belas-Artes.
Horário: 2ª a sábado – 11h00/19h00
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
Artur Ramos, nasceu em Aveiro. Licenciou-se em pintura, na FBAUL, em 1992. Em 2001 obteve o grau de Mestre em Estética e Filosofia da Arte na FLUL. Em 2007 doutorou-se em Desenho pela UL. É professor de desenho na FBAUL há 31 anos.
O seu trabalho artístico sempre esteve intimamente ligado ao desenho de figura, as suas exposições ficam marcadas pela presença do corpo desenhado na sua individualidade. Assim, o estudo em torno do desenho da figura humana, nomeadamente da cabeça humana e do retrato acompanhou praticamente toda a sua formação académica. Desse estudo emergiu uma investigação que se desenvolveu e culminou na dissertação de mestrado, O Auto-retrato ou a Reversibilidade do Rosto, na tese de doutoramento, Retrato: o Desenho da Presença e em vários artigos posteriores.
A incontornável ligação entre o retrato e a alma ou o retrato e a morte não deixam de ser um assunto cada vez mais presente na sua investigação à qual a essência da ruína se junta para dar uma unidade vital à consciência da nossa vida.
Apresenta um conjunto de trabalhos em que cada um envolve simultaneamente o desenho e a pintura. Retirados do natural e in situ, foram nascendo em diferentes momentos e espaços envolvendo vários elementos como corpos humanos, cabeças, paisagens e ruínas.
Este projeto pretende uma continuidade existencial em que a herança de memórias ilumina, de algum modo, a força da contemplação.
A ruína, as memórias da presença do outro, do corpo e do rosto, acentuam a profundidade da resistência face ao tempo, à destruição da natureza e ao esquecimento de tudo e de nós próprios.
Um registo gráfico essencial “corrigido” pela emoção da cor que em camadas e transparências mergulha as nossas representações numa recordação futura.
21 outubro – artist talk com Yuliya Lanina: Storytelling Through Installation and Public Art
Out 10 202621 OUTUBRO 2026 | 11h00 | SALA 3.49
No âmbito da aula de Experiência da Interacção, da responsabilidade da Prof.ª Mónica Mendes, irá realizar-se, no dia 21 de outubro, às 11h, uma artist talk com Yuliya Lanina: Storytelling Through Installation and Public Art.
Este evento é aberto a todos os que quiserem também assistir.
Yuliya Lanina: Storytelling Through Installation and Public Art
Yuliya Lanina is an interdisciplinary artist based in Austin, Texas, working across painting, animation, mechanical sculpture, performance, and public art. Her work explores memory, identity, transformation, and the human condition, often combining humor, absurdity, and fantastical imagery to address complex personal and collective experiences. She has exhibited internationally, including at the Blanton Museum of Art, Seoul Museum of Art, SIGGRAPH Asia, the 798 Beijing Biennial, Vienna MuseumsQuartier, and the High Line in New York. Her honors include fellowships and residencies from Fulbright, Yaddo, Headlands Center for the Arts, and Artpace. She is an Associate Professor of Practice at the University of Texas at Austin.
In this artist talk, Lanina will present a selection of her installations and public art projects, focusing on storytelling across different media and scales. She will discuss how painting, animation, sculpture, and performance come together to create narrative experiences, and how her work extends beyond traditional exhibition spaces into architecture and the public realm. Through these projects, she will reflect on how storytelling can connect personal and collective memory, explore identity and displacement, and create shared experiences across different media and public spaces. More info at https://www.yuliyalanina.com
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Coordenação: Mónica Mendes | Departamento de Arte Multimédia
Entrada livre.
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
lançamento do catálogo da exposição soneto de Ilídio Salteiro – 17 de outubro
Out 10 2026
15 JULHO > 18 OUTUBRO 2026 I PANTEÃO NACIONAL
No dia 17 de Outubro, às 15h00, no Panteão Nacional, será apresentado o catálogo relativo à exposição Soneto do artista plástico e pintor Ilídio Salteiro.
A exposição ficará patente até 18 de outubro de 2026.
O evento de apresentação contará com as intervenções de:
Santiago Macias, Diretor do Panteão Nacional
Juan Sandoval, Curador da exposição
Ilídio Salteiro, Artista plástico e autor da mostra
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
Horário: 3ª a domingo – 10h00/18h00
Entrada: segundo as normas do monumento
Soneto explora a relação entre Pintura e a Poesia, assumindo um percurso bidirecional: da pintura à poesia e da poesia à pintura. Ele embrionou nas leituras de Ilídio Salteiro sobre a tratadística da Pintura antiga, em paralelo com leituras de poesia dos séculos XV e XVI.
Trata-se de uma instalação de quatorze pinturas, cada uma das quais com 162 cm x 200 cm, realizadas entre 2023 e 2025, compostas no espaço central do Panteão Nacional, em dois prismas quadrangulares e dois prismas triangulares, ou seja, em dois quartetos e em dois tercetos de um soneto à maneira de Petrarca, Camões ou Miranda.
Soneto, torna-se um pensamento, uma forma e um corpo estruturado a partir de ligação entre pintura e poesia: catorze unidades iguais (catorze versos decassilábicos) divididas em quatro setores (quartetos e tercetos) e organizadas por ritmos (rimas) iconográficos ou plásticos. É uma obra cujo objetivo será propiciar uma visão estética capaz de gerar metáforas, alcançadas por sensibilidade, intuição, criatividade e imaginação.
Ilídio Salteiro, professor na FBAUL, investigador e pintor, iniciou sua carreira artística na década de 1970, a sua produção plástica enquadra-se nas correntes artísticas da pós-modernidade, aproximando-se dos movimentos de renovação da arte portuguesa. Sua obra atual releva uma poética no âmbito da pintura figurativa, entre realidade e ficção, imbuída de uma metafísica espacial como a reação humanista possível ao “estranho” mundo atual.
Juan García Sandoval e Olga C. Rodriguez Pomares acompanham este projeto desde 2023 e são respetivamente crítico de arte e diretor do Museu de Belas Artes de Múrcia e artista e professora da Faculdade de Belas Artes de Granada.
fora do algoritmo – exposição colectiva
Out 08 202618 SETEMBRO > 10 OUTUBRO 2026 | GALERIA DO PAVILHÃO 31
Resultado de uma residência artística que reuniu alunos do Departamento de Arte e Multimédia da FBAUL e artistas do ateliê da P28, Fora do Algoritmo convida o público a mergulhar no universo múltiplo das práticas transmedia, do som e da imagem em movimento.
Sob a curadoria de Susana Sousa Dias e da P28, a exposição integra um conjunto de expressões artísticas que partem da premissa de preservar a liberdade de experimentar, desviar e explorar diferentes campos de criação no atual cenário de produção algorítmica.
A exposição encerra com um evento de finissage no dia 10 de outubro, às 18h.
Corpo Esculpido_workshop inclusivo com performance e visita mediada
Set 28 202628 SETEMBRO 2026 | 11H00- 18H00 | CORREDOR PRINCIPAL, JUNTO AOS FRISOS PÁRTENON, FACULDADE DE BELAS-ARTES DA UNIVERSIDADE DE LISBOA
Horário da exposição: 11h- 18h
Workshop “Corpo esculpido” com performance e visita mediada: 14h e 16h
Duração: 1 hora
Vagas: 15
“Corpo Esculpido” faz parte da investigação de pós-doutoramento de Daniella Forchetti, no campo do artivismo, numa relação entre arte e acessibilidade poética.
Inspirada nas reproduções dos frisos do Pártenon conservadas na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, esta exposição e performance propõem uma reinterpretação contemporânea e acessível da procissão das Panateneias, em honra da deusa Atena.
Através de impressões 3D, audiodescrição poética e um livro de artista em multiformatos, a artista convida diferentes públicos a explorarem o património clássico através de uma experiência multissensorial, um convite a tocar, ouvir e ver as obras.
O workshop está aberto ao público e contará com 15 vagas.
Inscrição gratuita, mas obrigatória através do e-mail: daniforchetti@gmail.com
Instagram: @m_m_acessibilidade_cultural
Fotografia: Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
workshop de papéis marmoreados_29 setembro
Set 24 202629 SETEMBRO 2026 | 10H00–13h00 > 14H30 – 17H00 | HERITAGE LAB — SALA 3.63
O workshop de Papéis Marmoreados apresenta esta técnica nas suas dimensões histórica e técnica e proporciona aos participantes uma demonstração sobre a execução prática de folhas marmoreadas.
Público-Alvo
Exclusivo para público interno da Faculdade de Belas-Artes: estudantes e docentes de artes plásticas, design, conservação e restauro, história da arte e ciências do património; encadernadores, bibliotecários e arquivistas; e interessados nas artes do livro. Não é exigida experiência prévia.
Horário: 10h00–13h00 | 14h30 – 17h00
Vagas: 15 participantes
Inscrições AQUI
Programa
Parte I — Sessão teórica
Apresentação da investigação sobre os papéis marmoreados presentes nos incunábulos da Biblioteca Nacional de Portugal, acervo composto por 1.078 obras impressas entre 1454 e 1500.
- Origem oriental da técnica: suminagashi japonês, ebru turco e persa.
- Materiais e princípios de funcionamento: banho de goma, mordente, fel de boi e pigmentos.
- Terminologia dos padrões de design dos papéis marmoreados.
- Os papéis marmoreados nas reencadernações dos incunábulos da Biblioteca Nacional de Portugal.
Parte II — Demonstração
- Execução de alguns exemplos
Materiais
Todos os materiais e utensílios são fornecidos.
Recomenda-se vestuário adequado ou avental próprio.
FORMADORES
Marcelo Amaral
É doutor em Letras (Edição de Livros) pelo Centro Federal de Educação Tecnológica do Estado de Minas Gerais (Brasil), editor do Grupo Editorial Autêntica e artista dedicado aos papéis marmoreados. Desenvolve investigação de pós-doutoramento no VICARTE (Vidro e Cerâmica para as Artes), em Lisboa, sob orientação do Prof. Dr. Luís Jorge Gonçalves, com o projeto “A Marmorização de Papéis e os Incunábulos: estudo e releituras artísticas”.
Cristiane Amaral
É arquiteta urbanista e artista dedicada aos papéis marmoreados. Com Marcelo Amaral criou um ateliê de papéis e produtos marmoreados em Belo Horizonte, Brasil.
lisbon street photo fest
Set 23 2026
24 > 27 SEPTEMBER 2026 I FACULDADE BELAS-ARTES UNIVERSIDADE LISBOA
On 24-27 September 2026, we’ll meet in Lisbon for the second edition of Lisbon Street Photo Fest: a celebration of street photography, bringing together photographers, enthusiasts, and curious minds from around the world. The 2026 edition will take place, once again, at the Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Focused on celebrating street photography, the festival offers exhibitions, talks, photo walks, portfolio reviews, and workshops, fostering creative exchange between photographers from around the world.
FREE WORKSHOP EXCLUSIVE TO STUDENTS FROM FBAUL
Workshop • PT Street Collective
The Fundamentals of Street Photography
Exclusive to students from Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL)
Dates: 26th to 27th of September 2026
Language: English/Portuguese
Max. number of Participants: 14
Dispositivo de Práticas Intermediais: Design, Performance e Cinema_10 SETEMBRO 2026_ONLINE (ZOOM)
Set 04 2026
10 SETEMBRO 2026 | 16h00 >18h00 | ONLINE (ZOOM)
Apresentação pública de práticas artísticas e de investigação contemporâneas nos domínios do design, música, performance, cinema e artes visuais.
Apresentação de processos criativos e reflexão crítica num enquadramento intermedial
Investigadores CIEBA
Yan Mikirtumov
Ana Patrícia Paquete
David Swartz
Inesa Markava
Hugo Oliveira Martins
Michele Dias Augusto
Juliana F. Duque
Maria João Bom
Participação gratuita, mas necessária INSCRIÇÃO
TEXTO RESUMOS (versão completa)
O evento Dispositivo de Práticas Intermediais (ou Práticas Intermediais em Conexão) reúne um conjunto de investigadores cujas práticas se situam no cruzamento entre design, performance/música e cinema, entendendo a criação artística como espaço de produção de conhecimento e a intermedialidade como estratégia operativa de articulação entre meios, linguagens e metodologias.
Os contributos apresentados partilham uma atenção aos processos criativos, à investigação artística e às práticas performativas, explorando relações entre corpo, imagem, som, tecnologia, narrativa, memória e educação. A intermedialidade surge aqui não apenas como resultado estético, mas como princípio metodológico: uma forma de pensar e produzir através da tradução entre sistemas expressivos distintos — do popular ao académico, do analógico ao digital, do efémero ao documentado, do sensível ao conceptual.
Neste contexto, as palavras-chave escolhidas pelos investigadores — tais como cinema, música, práticas educativas, criação artística, processos criativos, transdisciplinaridade, investigação artística, intermedialidade e design gráfico e editorial — configuram um campo de afinidades que evidencia a pluralidade das práticas contemporâneas e a sua inscrição crítica nos contextos sociais, culturais e tecnológicos do presente.
O evento propõe-se como um dispositivo de apresentação e reflexão sobre obras, processos e investigações em curso, sem impor uma unidade temática rígida, mas antes construindo um espaço de convergência entre experiências singulares. Através da partilha de materiais digitais, excertos, registos e reflexões, procura-se tornar visível a diversidade de abordagens e, simultaneamente, sublinhar os pontos de contacto entre práticas visuais, sonoras e performativas.
Este dispositivo coletivo assume, assim, a criação como território comum, a intermediação como linguagem transversal e a reflexão como gesto crítico, configurando um espaço onde investigação, arte e educação se encontram e se interrogam mutuamente.
Reflorir — um jardim de memórias feitas à mão – exposição de Dani Nectoux Remião
Ago 26 202603 SETEMBRO > 21 SETEMBRO 2026 | GALERIA BELAS-ARTES
A exposição Reflorir — um jardim de memórias feitas à mão inaugura dia 03 setembro pelas 17h e está patente de 03 setembro a 21 setembro, na Galeria da Faculdade de Belas-Artes.
Curadoria: Teresa Flores
Horário: 2ª a sábado – 11h00/19h00
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
“Reflorir — um jardim de memórias feitas à mão” reúne obras desenvolvidas a partir de vestígios de histórias familiares, preservados em caixas de fotografias. Ao apropriar-se dessas imagens e deslocá-las do espaço doméstico para o campo da arte, Dani Nectoux Remião investiga as relações entre presença e ausência, memória e esquecimento, documento e imaginação.
O jardim constitui o eixo espacial e conceptual do processo criativo. Mais do que cenário, configura-se como laboratório fotográfico, lugar de passagem e espaço de transformação. É nele que as imagens são expostas à luz, combinadas com flores, folhas, extratos vegetais, transferidas para diferentes suportes e submetidas a processos de impressão, tingimento, bordado.
Nesse processo, o fazer manual introduz uma temporalidade expandida e uma dimensão tátil na elaboração das imagens. O gesto de tocar, manipular e transformar demoradamente cada fotografia aproxima a artista dos afetos nela inscritos, como se o trabalho sobre a matéria constituísse uma forma de acariciá-los. A mão acompanha a fragilidade dos vestígios e participa da construção de novas formas de presença. Cada obra preserva algo das fotografias de origem, mas também o desloca e o reconfigura, estabelecendo relações entre diferentes tempos, corpos e lugares.
O título Reflorir nomeia esse movimento de transformação. Não se trata de recuperar integralmente o passado, mas de reativar as suas imagens e presenças sob outras formas. A exposição propõe um jardim de imagens em que a fotografia é compreendida como matéria viva, sujeita ao desgaste, à metamorfose e à renovação. Ao tornar visível o tempo do processo e a intervenção da mão, as obras prolongam, no presente, a existência das histórias e dos afetos familiares. Reflorir designa, assim, tanto a possibilidade de dar nova vida às presenças evocadas pelas fotografias de família quanto o processo pelo qual a própria artista transforma a saudade em matéria artística e encontra, na criação, uma possibilidade de se transformar.
Dani Remião (1972, Porto Alegre, RS, Brasil) Fotógrafa, artista visual, curadora, professora e pesquisadora. Vive e trabalha em Portugal. Doutoranda em Belas Artes na Universidade de Lisboa, na área de Ciência da Arte e do Património; mestre em Artes Visuais (UFRGS, 2018), na área de Poéticas Visuais; e mestre em Ciências da Computação (PUCRS, 1999), na área de Inteligência Artificial. É membro da Comissão de Poéticas Artísticas da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas do Brasil (ANPAP), do Conselho Científico da Editora Atena, do Centro de Investigação e Estudos em Belas Artes da Universidade de Lisboa (CIEBA), do Instituto de Comunicação da Universidade Nova (ICNOVA) e da Árvore Cooperativa de Atividades Artísticas (Porto, PT). Fun dadora e curadora do Chat Noir .ART – atelier & galerie. Pesquisa sobre mulheres na fotografia, fotografias de família, arte e ciência, processos fotográficos históricos e alternativos e seu hibridismo com processos digitais. Possui obras em acervos públicos e privados. Como artista, participou de exposições individuais e coletivas em todas as regiões do Brasil, e em Portugal, Bélgica, França, Inglaterra, Itália, Suíça e Estados Unidos. Como curadora, realizou exposições individuais e coletivas no Brasil e em Portugal.
O Movimento da Alma na ‘Paixão de Cristo’ de Rafael Bordalo Pinheiro
Ago 05 2026
14 MAIO > 30 SETEMBRO 2026 | MUSEU JOSÉ MALHOA, CALDAS DA RAINHA
No dia 14 de Maio de 2026, às 10h30, inaugura no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, a exposição de desenho e o seminário intitulados O Movimento da Alma na “Paixão de Cristo” de Rafael Bordalo Pinheiro – Entre desenhos e reflexões. A exposição ficará patente até 30 setembro.
A exposição apresenta os desenhos produzidos durante a residência e, no dia da abertura, decorre um seminário dedicado ao debate e à reflexão crítica sobre a obra de Bordalo Pinheiro, os museus e as suas possibilidades contemporâneas.
O seminário contará com investigadores e profissionais como Artur Ramos, Luís Jorge Gonçalves, João Alpuim Botelho, Dora Mendes, Marta Galvão Lucas, entre outros convidados.
O público é convidado a participar neste diálogo sobre património, criação e pensamento artístico atual.
Acesso gratuito.
Este evento é uma organização do:
Museu José Malhoa/Museus e Monumentos de Portugal
Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa/ VICARTE Vidro e cerâmica para as artes/ CIEBA, Centro de Investigação e de Estudo em Belas-Artes
Universidade Federal de Rio Grande do Norte/ Grupo de Pesquisa de Género, Políticas Públicas e Sociedade
Quando Rafael Bordalo Pinheiro, entre 1887 e 1899, criou a Paixão de Cristo, para as capelas da Via Sacra da Mata do Buçaco, por encomenda do governo português, através do Ministro Emidio Navarro, estava a retomar uma tradição da arte ocidental sobre a dramatização da vida de Jesus, em esculturas policromadas de terracota.
Previam-se 86 esculturas de escala natural, com 12 Passos da Paixão. Por diferentes dificuldades, o projeto inicial não foi concluído, tendo chegado aos nossos dias as seguintes cenas: Jesus no Horto, Traição de Judas, Passagem do Cedron; Jesus em casa de Anás; Jesus na casa de Caifás; Jesus perante Pilatos; Jesus perante Herodes; Pilatos lavando as mãos e Jesus a Caminho do Calvário.
Na atualidade encontra-se no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, cidade onde Rafael Bordalo Pinheiro localizava a sua fábrica de cerâmica. Trata-se do seu projeto mais ambicioso, que nos demonstra as suas capacidades como artista. Através das esculturas observamos dramatismo, expressão e uma plasticidade muito bem explorada, que nos conduz ao sublime. Tinham passados os tempos do dramatismo do Barroco, onde se explorava com emoção os Passos da Paixão, através das vias sacras, em esculturas que podemos examinar no Bom Jesus do Monte, em Braga, na Serra do Pilar, na Póvoa de Lanhoso, ou em Congonhas, em Minas Gerais, no Brasil. No entanto, Rafael Bordalo Pinheiro explorou, na terracota, o dramatismo através dos rostos, dos corpos, das panejamentos e das cores.
A diversidade das cenas é um desafio para o desenho que foi proposto a alunos de desta disciplina da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Estes desenhos, executados a partir dos originais e no próprio espaço do Museu José Malhoa, constituem dez aproximações individuais à obra de Rafael Bordalo Pinheiro A Paixão de Cristo. A diversidade fisionómica aliada à modelação ligeiramente inacabada das esculturas é o cruzamento de interpretações ilimitadas à reconstrução e à reinvenção das figuras. Todos os dez artistas convidados abordaram a obra segundo múltiplos pontos de vista e não só no sentido literal. Cada uma das aproximações reconstrói o espaço, cria contextos, reinventa as personagens, acentua expressões e idealiza visões e fisionomias. O desenho, associado vulgarmente ao essencial acaba por aliar o rigor da forma com a agradabilidade da cor, para nos surpreender com o potencial da obra de Rafael. Na verdade, estas sessões desenvolvidas no museu constituem momentos únicos de observação, análise, descoberta e conhecimento sem paralelo graças ao contacto direto e natural com as obras de arte. Estes desenhos são a celebração desses momentos.
sopro — exposição de alunos finalistas em escultura
Ago 05 2026 
11 JULHO > 08 SETEMBRO 2026 I BIBLIOTECA E ARQUIVO DO MUNICÍPIO DE GRÂNDOLA
Inaugura no dia 11 de julho, às 18h00, na Biblioteca e Arquivo do Município de Grândola, a exposição Sopro de alunos finalistas da licenciatura em Escultura. A exposição ficará patente até 08 de setembro de 2026.
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
Os alunos, quando concluem a licenciatura em Escultura, adquiriram competências que lhes permitem elaborar um programa de trabalho artístico independente, em diálogo com a realidade artística que foram lendo e interpretando ao longo de três anos de formação, formação que cruza referências artísticas, capacidade de criar e analisar cenários em diálogo natural com a história das artes e do pensamento artístico contemporâneo.
Os artistas presentes nesta exposição são um excelente exemplo do que se procura construir como um currículo sólido de formação em escultura: da defesa da herança centenária do modelo Beaux-Arts fundado na Academia à afirmação individual da experimentação bauhausiana, cultiva-se um aprender que poderemos definir como contínua experimentação oficinal, assente na individualidade artística de cada um, ou seja, a transmissão do conhecimento baseada num conjunto de disciplinas de prática de atelier, de carácter oficinal, complementadas por um corpo teórico ministrado em unidades curriculares de áreas científicas afins. A prática da escultura surge assim como um modelo de enriquecimento académico, informado por um pensamento sobre a prática trazido da experiência individual e da influência do entorno.
A representação do corpo ocupa o seu lugar nesta exposição. A representação é um dos pilares da tradição da escultura ocidental, um dos temas fundadores, que pressupõe o domínio simultâneo da observação, do conhecimento anatómico e da capacidade de traduzir esse conhecimento na matéria.
O fascínio pela qualidade plástica dos materiais da escultura constitui a outra dimensão estruturante desta mostra. Trabalhar a cerâmica, a madeira, o metal ou a pedra por exemplo, não é apenas uma escolha laboratorial é uma decisão poética. A cerâmica, expressão ligada às origens da própria civilização, guarda nos processos alquimistas da sua transformação, a irreversibilidade e a fragilidade aparente da sua matéria. Os modelos subtractivos ou construtivos que reconhecemos na madeira ou no metal, processos muito ligados à ductilidade ou rigidez da matéria, encontra nos processos de trabalho a expressividade que oscila entre a brutalidade industrial e a leveza do traço artístico. A pedra, por seu lado, impõe ao escultor uma relação física, de resistência e também de paciência, no fundo as peças aqui presentes são fruto da relação da matéria e o tempo da sua modelação. O domínio da representação ou dos materiais não são um fim em si mesmos, mas o meio através do qual, ao longo do seu percurso, cada estudante desenvolveu a linguagem que lhe é própria.
Encontramos assim peças que revelam um sentido apurado da representação do natural e da experiência anatómica, lado a lado com esculturas em que o domínio laboratorial e a poética individual são sinónimos de mestria. Esta exposição não procura ser una nem temática, mas procura espelhar acima de tudo, a diversidade de quem estuda escultura, num ambiente descomplexado de liberdade e expressão individual, intimamente ligado à relação intrínseca e natural entre o ensinar, o investigar e o criar. São três dimensões do saber que possibilitam o aprofundamento do conhecimento em arte, ampliando a discussão sobre o que é o projeto na investigação em Escultura.
Lisboa, 23 de junho, 2026
Sérgio Vicente e José Esteves
paez lança coleção assinada por dois jovens artistas portugueses
Ago 04 2026
08 JULHO 2026 > 18H00 I VARANDA PRESIDÊNCIA FBAUL
Marca portuguesa reforça a aposta na criatividade nacional ao transformar projetos académicos em seis modelos exclusivos, resultado de uma colaboração inédita com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Realiza-se no dia 8 de julho, às 18h00, na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, o lançamento da nova coleção PAEZ, em edição limitada, dos modelos exclusivos dos jovens artistas Marta Pais de Almeida e Martim Jacaré.
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
A PAEZ, marca de sapatos portuguesa, acaba de lançar uma nova coleção em edição limitada que nasce de uma ideia simples: criar oportunidades reais para o talento emergente português. O resultado materializa-se em seis modelos exclusivos, assinados pelos jovens artistas Marta Pais de Almeida e Martim Jacaré, vencedores de um desafio criativo lançado pela marca à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.

Após a avaliação das candidaturas, foram selecionados dois projetos vencedores, dando início a uma colaboração desenvolvida ao longo dos últimos meses entre os jovens artistas e a equipa criativa da PAEZ. O processo permitiu adaptar cada proposta ao universo da marca, respeitando sempre a identidade criativa de cada autor, dando origem a seis modelos exclusivos que passam agora a integrar a coleção da PAEZ em edição limitada.
O projeto de Marta Pais de Almeida inspira-se na natureza, nos mercados locais e nos produtos sazonais, recorrendo a padrões orgânicos e a uma paleta cromática fresca para celebrar a simplicidade e a beleza do quotidiano.
Já a proposta de Martim Jacaré explora os habitats naturais e a biodiversidade, utilizando a ilustração para criar narrativas visuais sobre diferentes ecossistemas, numa linguagem artística contemporânea e muito própria.
Mais do que uma coleção, esta iniciativa representa um novo passo na estratégia da PAEZ de valorização da criatividade portuguesa, promovendo a ligação entre a academia e a indústria e demonstrando que projetos desenvolvidos em contexto académico podem chegar ao mercado sem perder a sua identidade artística. A marca pretende continuar a desenvolver iniciativas deste género com diferentes instituições de ensino e áreas criativas, reforçando o seu compromisso com a promoção do talento emergente.
“Na PAEZ acreditamos que a criatividade merece oportunidades reais. Esta coleção representa exatamente isso: aproximar a indústria da academia, dar palco a jovens artistas portugueses e mostrar que uma boa ideia pode nascer em qualquer instituição de ensino e chegar às ruas. Queremos continuar a construir pontes entre a criatividade, a cultura e as novas gerações de criativos portugueses.”
Luís Gaivão, Diretor de Marketing da PAEZ
“O ensino artístico ganha uma dimensão ainda mais relevante quando estabelece pontes com o tecido empresarial. Esta colaboração demonstra o potencial dos nossos estudantes e evidencia a importância de criar oportunidades concretas para que o talento desenvolvido na academia encontre expressão no mercado.”
Prof. Eduardo Manuel Alves Duarte, Presidente da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa
“Ver um projeto desenvolvido em contexto académico transformar-se numa coleção comercial é uma experiência muito especial. Foi um processo de aprendizagem e colaboração que me permitiu preservar a essência do meu trabalho, adaptando-o ao universo da PAEZ.”
Marta Pais de Almeida
“Foi uma experiência muito enriquecedora acompanhar todo este processo e ver um projeto pessoal ganhar uma nova dimensão através da PAEZ. Sou muito grato pela confiança e pela oportunidade de transformar uma ideia desenvolvida em contexto académico numa coleção que agora chega ao público.”
Martim Jacaré
A nova coleção já se encontra disponível em edição limitada nas lojas PAEZ de Alvalade (R. Marquesa de Alorna 29, Lisboa) e Campo de Ourique (R. Infantaria 16 77-A, Lisboa), no corner PAEZ do El Corte Inglés e em www.paez.com.
concurso de arte e design da medalha forges 2026 — menção honrosa para joão maria sousa
Ago 04 2026
MENÇÃO HONROSA PARA JOÃO MARIA SOUSA
O Concurso de Arte e Design da Medalha FORGES 2026, uma iniciativa com o objetivo de selecionar uma proposta artística e de design para a Medalha FORGES – Mérito Académico e Institucional no Ensino Superior Lusófono, destinou-se a estudantes de áreas criativas — nomeadamente arte, design, comunicação visual ou áreas afins de instituições de ensino superior associadas da FORGES.
Após análise realizada pela Comissão Avaliadora, a FORGES atribuiu a Menção Honrosa em Inovação e Criatividade a João Maria Sousa, mestrando em Design de Equipamento da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, pela medalha Voz.
A medalha Voz assenta num conceito artístico e simbólico que procura materializar os valores fundamentais do Ensino Superior no espaço lusófono, destacando o mérito académico, a cooperação internacional e a identidade institucional. O elemento central desta conceção é a ideia de “Voz”, entendida como a expressão ativa dos estudantes ao longo do seu percurso formativo, simbolizando o reconhecimento, a participação e a valorização das suas conquistas. É por isso composta por dez discos de bronze que formam a onda sonora da palavra voz. Os dez elementos independentes representam também os nove países membros, e o maior elemento, e único com elementos gráficos, representa a FORGES.
O primeiro prémio foi atribuído a Erivaldo Santos Samungue Bundi do Instituto Superior Politécnico Tundavala, Angola.
ivens perspectives — exposição de laura ribeiro
Ago 04 202626 JUNHO > 13 SETEMBRO 2026 I IVENS LIVING REAL ESTATE
Inaugura no dia 26 de junho, no espaço IVENS Living Real Estate, Rua Ivens 2, 1200- 227 Lisboa, a exposição de Laura Ribeiro, no âmbito do acordo de colaboração entre a IVENS e a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, para a realização de exposições de obras dos seus artistas, em contexto formativo.
Coordenação: Investigadora Ana Matilde Sousa
Laura Ribeiro (n. 2004) vive e trabalha em Lisboa, onde frequenta o 3.º ano da Licenciatura em Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Nas obras apresentadas nesta exposição, dedica-se à transposição da linguagem musical para o campo pictórico, transformando a tela num espaço de tradução sinestésica, onde cada pintura corporiza uma composição específica. Participou em exposições como a coletiva Novos Artistas de Setúbal (Instituto Português do Desporto e Juventude de Setúbal, com o apoio do Gabinete da Juventude de Setúbal), Primary Colors (residência de coworking Sítio, Setúbal) e GABA – Galerias Abertas (Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, 18.ª edição, 2025, e 19.ª edição, 2026).
lista dos finalistas da 1.ª edição dos prémios manuel cargaleiro
Ago 04 2026Criados em parceria com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e com o apoio da Câmara Municipal de Castelo Branco, os prémios afirmam-se como um espaço de encontro entre gerações, instituições e linguagens artísticas, incentivando a experimentação, a investigação e o diálogo entre tradição e contemporaneidade nas artes visuais.
A edição inaugural contempla três categorias distintas:
- Prémio Revelação
Dirigido a estudantes de licenciatura, mestrado ou pós-graduação nas áreas das artes visuais, matriculados em instituições de ensino superior artístico em Portugal. Distingue talentos emergentes e práticas experimentais em fase inicial de percurso artístico. - Prémio Cargaleiro
Aberto a artistas de qualquer idade, nacionalidade ou percurso, desafia a desenvolver obras em diálogo criativo com o universo plástico do Mestre Cargaleiro — seja pela forma, pela cor, pelo suporte ou pela conceptualização. - Prémio Investigação
Destinado a estudantes e profissionais matriculados no ensino superior em Portugal (ou que tenham concluído estudos entre 2021 e 2025). Reconhece projetos inéditos nas áreas da história da arte, museologia, curadoria, conservação e restauro, ou outras disciplinas que aprofundem a compreensão e valorização da obra de Cargaleiro.
Para além da atribuição dos prémios, a iniciativa contempla uma exposição final no Museu Cargaleiro, em Castelo Branco, reunindo as obras selecionadas e promovendo a divulgação pública dos finalistas. Será ainda publicado um catálogo oficial com os projetos distinguidos, reforçando a sua projeção crítica e institucional.
Os vencedores recebem apoios concretos que incluem financiamento de estudos, dotação monetária, publicação de investigação e visibilidade em plataformas nacionais e internacionais.
Os Prémios Manuel Cargaleiro contam o patrocínio da Caixa de Crédito Agrícola da Beira Baixa Sul.
Finalistas da 1ª Edição selecionados pelo júri:
Prémio Revelação
Ana Alves
Giulia Paz
Mônica Lopes Nogueira
Pedro de Sousa Serafim
Raquel Maria Tavares
Rui Dias Monteiro
Sara Gonçalves
Sara Velez Malta
Sílvia Neto
Tomás Caleia Azul
Prémio Cargaleiro
Ana Maria Ferreira
António Jorge
Célia Macedo
Joana Paraíso
Luís Macedo
Luís Mouro
Luísa Ramires
Magda Delgado
Rosário Andrade
Yola Vale
Júri
A avaliação das candidaturas destes finalistas será realizada por um júri independente, designado pela Fundação Manuel Cargaleiro em articulação com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. O júri é composto por Alexandre Farto (aka Vhils), Sandra Vieira Jürgens e Graça Morais, três personalidades de reconhecido mérito no domínio das artes visuais e funcionará com total autonomia.
Próximos passos:
Anúncio do vencedor em cada uma das categorias e preparação da exposição, cuja inauguração está prevista para setembro de 2026.
traje para todos — exposição de ana margarida valente
Ago 01 2026
14 JULHO > 16 AGOSTO 2026 I MUSEU NACIONAL DOS COCHES
A partir de 14 de julho, está patente no Museu Nacional dos Coches a apresentação do projeto inclusivo Traje para Todos, da autoria de Ana Margarida Valente, em colaboração com o Museu Nacional do Traje e a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
RTP (17/07/2026)
Agenda Cultural de Lisboa
Museu Nacional do Traje (vídeo)
TRAJE PARA TODOS é um projeto que tem vindo a ser desenvolvido por Ana Margarida Valente, no âmbito do seu doutoramento em Belas-Artes – especialidade de Ciências da Arte e do Património, da Universidade de Lisboa.
Tem como objetivo principal contribuir para uma experiência museológica mais inclusiva e acessível através da integração de conteúdos táteis associados à coleção de traje histórico. Os materiais produzidos neste projeto visam complementar a observação visual das peças expostas, permitindo uma compreensão mais aprofundada das formas, volumes, texturas, técnicas de confecção e elementos decorativos presentes nos trajes.
Através de reproduções e amostras concebidas especificamente para manipulação, os visitantes podem explorar aspetos do património têxtil normalmente inacessíveis devido às necessidades de conservação das peças originais. Esta abordagem beneficia particularmente pessoas com deficiência visual, mas enriquece igualmente a experiência de todos os públicos, reconhecendo o tato como uma importante ferramenta de aprendizagem, descoberta e envolvimento com o património cultural.
Já se encontram finalizadas 5 recriações de trajes históricos que permitem explorar a evolução do traje ao longo dos períodos representados na coleção do Museu Nacional do Traje. Estas peças são maioritariamente confeccionadas pela doutoranda, com técnicas e materiais historicamente adequados sempre que possível, nomeadamente:
- Um traje feminino e um traje masculino do último quartel do século XVIII
- Um traje infantil feminino de estilo Império;
- Um traje masculino da década de 1830, proveniente da antiga exposição “Pare, Escute e Toque”, patente no Museu Nacional do Traje entre 1995 e 2008;
- Um traje feminino da Belle Époque c. 1894-1897).
As recriações incluem todas as peças necessárias à utilização, desde a roupa interior e as estruturas responsáveis pela construção das silhuetas características de cada época até às camadas exteriores visíveis, permitindo uma compreensão global da forma como estes trajes eram construídos e usados.
Encontra-se em fase de conclusão pela doutoranda 1 Dossier de Amostras Têxteis (acompanhado de legendas em Braille e em caracteres ampliados, bem como de símbolos ColorADD em relevo que permitem a identificação tátil das cores) e 1 Maleta Pedagógica dedicada ao ciclo de processamento do linho, contendo amostras da fibra nas diferentes fases da sua preparação, cedidas pela associação O Saber Fazer.
O projeto encontra-se numa fase de avaliação em contexto expositivo. A apresentação destes materiais num museu permitirá testar metodologias, recolher contributos dos visitantes e avaliar o impacto dos recursos táteis na mediação do património.
Estando o Museu Nacional do Traje encerrado para requalificação, numa lógica colaborativa entre entidades da Museus e Monumento de Portugal, E.P.E., e dada a ligação histórica entre as duas instituições, ambas prosseguindo objetivos nas áreas da acessibilidade e da inclusão, as reproduções de traje criadas por Ana Margarida Valente vão agora estar disponíveis ao público numa ala da exposição do Museu Nacional dos Coches, o que também contribui para a maior contextualização histórica e social dos coches e carruagens e seus utilizadores. Todos os visitantes são convidados a tocar e explorar as reproduções de traje, acompanhando a evolução das suas principais características entre o final do século XVIII e o final do século XIX.
A exposição abre ao público no dia 14 de julho, pelas 18h30, estando patente até 16 de agosto.
Assim, no âmbito desta parceria, o Museu Nacional dos Coches e o Museu Nacional do Traje, em articulação com a investigadora Ana Margarida Valente e a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, promovem a experiência de conhecer o traje histórico de forma mais participativa, inclusiva e multissensorial.
Afinal, a acessibilidade beneficia TODOS os visitantes, tornando a interpretação e a fruição do património cultural mais ricas e verdadeiramente inclusivas.
Projeto “Traje para Todos. Criação de Acessibilidades para a Exposição Permanente do Museu Nacional do Traje”. Doutoramento de Ana Margarida Valente em Belas-Artes – especialidade de Ciências da Artes e do Património, com orientação de Marta Frade (Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa) e Dóris Santos (Museu Nacional do Traje), financiamento com uma bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), em colaboração com o Museu Nacional do Traje e com o apoio da ColorADD.
Nota Biográfica de Ana Margarida Valente
Ana Margarida Valente é licenciada em Línguas, Literaturas e Culturas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Na mesma instituição concluiu o mestrado em Tradução e uma pós-graduação em Estudos Medievais. Encontra-se atualmente a concluir o Doutoramento em Belas-Artes, especialidade de Ciências da Arte e do Património, na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, sob a orientação das Professoras Doutoras Marta Frade e Dóris Santos.
O projeto “Traje para Todos” nasceu de uma experiência pessoal. Enquanto visitante cega, Ana Margarida Valente encontra frequentemente barreiras no acesso às exposições museológicas, onde a informação é transmitida quase exclusivamente através da visão.
Numa visita ao Museu Nacional do Traje, em 2021, interrogou-se sobre como seria possível tornar aquele património mais acessível sem comprometer a conservação das peças históricas. Dessa questão surgiu um percurso de investigação que deu origem ao projeto, hoje dedicado ao desenvolvimento de soluções táteis inclusivas para a interpretação do património cultural.
entre pontos e desvios – exposição coletiva
Ago 01 202630 JULHO > 26 AGOSTO 2026 | GALERIA BELAS-ARTES
A exposição Entre Pontos e Desvios inaugura dia 30 julho pelas 17h e está patente de 30 julho a 26 agosto, na Galeria da Faculdade de Belas-Artes.
Curadoria: Leal Pereira e Miguel Jerónimo
Horário Julho: 2ª a sábado – 11h00/19h00
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
“Entre Pontos e Desvios” conecta um conjunto de artistas em torno de uma reflexão sobre o espaço enquanto construção coletiva, questionando o que significa habitar, pertencer e ser local num território continuamente transformado pelas memórias, pelas migrações e pelas narrativas que o atravessam.
Partindo da ideia de que o espaço onde habitamos não é apenas territorial, mas um corpo vivo de memórias, linguagens, deslocações e descendências, a exposição toma a cidade como um organismo vivo, simultaneamente físico e simbólico, onde as histórias individuais e coletivas se cruzam, sobrepõem e transformam. Habitar deixa, assim, de corresponder apenas à ocupação de um lugar para se afirmar como um gesto de inscrição, relação e construção de identidade.
Inspirada na reflexão sobre a condição ex situ e a perda contemporânea do lugar, a exposição entende a cidade como um território em permanente deslocação, onde lugar, espaço e escala são continuamente renegociados. Convocam-se espaços que coexistem no tecido urbano e revelam as camadas invisíveis de memória, pertença e experiência que constituem o ato de habitar. Entre presenças e ausências, permanências e desvios, a cidade afirma-se como um organismo vivo, continuamente reescrito por aqueles que a percorrem e nela deixam a sua inscrição.
Entre raízes e deslocações, permanência e reinvenção, “Entre Pontos e Desvios” convida o público a percorrer um conjunto de obras que investigam as relações entre espaço, linguagem, memória e identidade, propondo novas formas de pensar a cidade como um texto vivo, sempre inacabado e em constante metamorfose.
Com curadoria de Leal Pereira e Miguel Jerónimo e acompanhamento do Professor José Esteves, esta exibição reúne o trabalho de Benjamin Guerra Santos, Capi, Gabriel, Henrique Netto, Leal Pereira, Luís Martins, Marcos Duvágo, Mariana Pombo, M. Lambin e Miguel Jerónimo, propondo um percurso onde diferentes práticas artísticas convergem na reflexão sobre o espaço, o habitar e a construção de pertença.
A ser caminho Não há mapa para quem está A ser caminho – exposição finalistas pintura 2024-2025
Ago 01 202623 JULHO > 22 AGOSTO 2026 I SALÃO DA SOCIEDADE NACIONAL BELAS-ARTES
Inaugura no dia 23 de julho, às 18h30, no Salão da Sociedade Nacional de Belas Artes, a exposição A ser caminho Não há mapa para quem está A ser caminho – Finalistas Pintura 2024-2025. A exposição ficará patente até 22 de agosto.
Será, no mesmo dia, lançado o catálogo da exposição.
Horário
2ª a 6ª: 12h/19h
sábado: 14h/19h
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
Não há mapa para quem está A ser caminho.
Esta justaposição entre mapa e caminho, que apenas parecem consequentes uma na relação com outra são, neste contexto, mais do que isso. O mapa, à priori, reclama um destino, uma rota traçada, uma ‘resposta’. No entanto, o caminho, quando é um ato de ser, é sempre destinação, e uma descoberta. Este grupo de artistas não traz mapas, traz obras que são passos, que decorrem de corpos e mentes, que aprenderam procedimentos e que elaboram perguntas, que são elas próprias, mapas. Por isso, a ser caminho é sempre a ser e o mapa estará sempre por RECOMEÇAR.
Nuno Sousa Vieira, maio 2026
The Ongoing Seminar #04 | Pablo La Parra Pérez apresenta Pere Portabella_“Era uma vez, numa meia-noite sombria…” O cinema clandestino de Pere Portabella no final do Franquismo
Jul 30 202603>04 SETEMBRO 2026| 16H00-20H00 | AUDITÓRIO LAGOA HENRIQUES
“Era uma vez, numa meia-noite sombria…”
O cinema clandestino de Pere Portabella no final do Franquismo
Seminário com Pablo La Parra Pérez (Filmoteca de Catalunya | Acció Portabella)
Este seminário aprofunda os projetos radicais que o cineasta catalão Pere Portabella realizou clandestinamente nos últimos anos do regime de Franquista. Portabella produziu obras que desafiaram os limites da censura estatal — com destaque para Viridiana (1961), de Luis Buñuel — e vivenciou, enquanto cineasta, a repressão cultural e política do regime. Posteriormente, Portabella recorreu à clandestinidade no final da década de 1960, trabalhando na ilegalidade e fora da indústria cinematográfica.
Nestes anos, em que o cineasta alternou entre o cinema underground e a participação ativa na oposição antifranquista, Portabella deixou para trás um conjunto de filmes que desafiam a categorização: nos quais a crítica feroz ao regime coexiste com uma requintada experimentação formal em torno das possibilidades expressivas e políticas do cinema. Combinando exibições de filmes, documentos do arquivo do cineasta recentemente confiados à Filmoteca da Catalunya e diálogos críticos com outras fontes, alguns dos temas a abordar incluem a dialética entre a estética de vanguarda e o compromisso político; as possíveis iterações do conceito de cinema militante; e a perenidade e a ativação política dos vestígios arquivísticos de lutas passadas.
PROGRAMA
Quinta-feira, 3 Setembro, 16h-20h
Lath House: Uma Breve Introdução a Pere Portabella
Exibição do filme: Umbracle (Pere Portabella, 1972, 85’), acompanhada por uma palestra e pela apresentação de excertos do filme.
Sexta-feira, 4 Setembro, 16h-20h
Um Arquivo de Imagens Impossíveis
Exibição do filme: El sopar [versão de 1974] (Pere Portabella, 1974, 60’), acompanhada por uma palestra ilustrada com documentos e filmes do arquivo de Portabella e outras fontes políticas e artísticas da época.
BIOGRAFIA
Pablo La Parra Pérez é o diretor da Filmoteca de Catalunya. Entre 2018 e 2024, foi professor e diretor do Departamento de Investigação da Elías Querejeta Zine Eskola. Liderou o projeto de arquivo e investigação Zinemaldia 70: All Possible Histories (Zinemaldia 70: Todas as Histórias Possíveis), que resultou na preservação, investigação e disponibilização do arquivo histórico do Festival Internacional de San Sebastian. É doutorado pela New York University, com uma tese intitulada “Displaced Cinema: Militant Film Culture and Political Dissidence in Spain (1966-1982)” (Cinema Deslocado: Cultura Cinematográfica Militante e Dissidência Política em Espanha, 1966-1982). O seu trabalho académico foi publicado em revistas internacionais como Journal of Spanish Cultural Studies, Alphaville e Sociologias, e em volumes como Cinemas of Global Solidarity (Oxford UP, 2026), Performing Memory: Corporeality, Visuality, and Mobility after 1968 (Berghahn Books, 2023), Global Perspectives on Amateur Film Histories and Cultures (Indiana UP, 2020) e 1968 and Global Cinema (Wayne State UP, 2018), entre outros.
Programa concebido pelo Doc’s Kingdom em parceria com o Institute of Radical Imagination e com a Filmoteca de Catalunya, por ocasião do centenário de Pere Portabella, Acción Portabella.
O seminário vai decorrer em inglês. Entrada livre, com inscrição obrigatória através do email: phildoc@fcsh.unl.pt.
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The Ongoing Seminar é um ciclo de encontros pontuais em Lisboa dedicados ao pensamento crítico e à reflexão colectiva sobre o papel do cinema no presente, as relações entre imagens e política, os potenciais emancipatórios das práticas documentais. Co-organizado por Doc’s Kingdom e IFILNOVA/CineLab, financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do projeto UID/00183/2025.
docentes da fbaul venceram duas das três categorias dos Prémios Nacionais de Banda Desenhada 2026
Jul 27 2026©Lusa/Jornal Público/DanielRocha
PRÉMIOS NACIONAIS DE BANDA DESENHADA 2026
O Professor da FBAUL António Jorge Gonçalves recebeu o Prémio de Carreira, em reconhecimento pelo seu percurso e contributo para a banda desenhada portuguesa.
Por sua vez, a obra Rumo ao Eclipse, da autoria da docente da FBAUL Ana Matilde Sousa, juntamente com Ana Simões, Hugo Soares, Diogo Jesus e André Nóvoa, venceu o Prémio Inovação em BD.
António Jorge Gonçalves e Ana Matilde Sousa são também membros do inbetween – Grupo de Investigação em Banda Desenhada, Ilustração e Animação do CIEBA.
António Jorge Gonçalves foi distinguido pela trajectória “permanentemente inovativa e ecléctica, que nunca estagnou ou se acomodou a um tipo de traço”.
O júri, composto por Sara Figueiredo Costa, Pedro Cleto e Sara Ludovico, destacou o “trabalho experimental do autor com cores, materiais e linguagens narrativas, assim como a forma consistente com que tem reflectido sobre os limites e possibilidades da BD”.
O Prémio Inovação em Banda Desenhada foi atribuído a Rumo ao Eclipse, de Ana Matilde Sousa, Ana Simões, André Nóvoa, Hugo Soares e Diogo Jesus, uma obra editada pela Chili Com Carne e descrita pelo júri como “um jogo de role play a partir de um livro de banda desenhada preexistente”, que expande as possibilidades do meio sem o simplificar, antes tirando partido das suas lógicas narrativas.
Já o Prémio Obra do Ano foi atribuído a Dormindo entre Cadáveres, de Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci, uma edição da Zigurate descrita pelo júri como “um testemunho muito relevante sobre a pandemia da Covid-19 no Brasil, particularmente no espaço amazónico”, construído a partir de um registo pessoal e crítico que não reduz personagens a meros veículos de informação.
Finissage da Exposição Designing Sustainable Futures
Jul 16 202623 JULHO 2026 | 18h00 | PAVILHÃO DE PORTUGAL
A exposição “Designing Sustainable Futures“ convidou famílias, estudantes e curiosos a descobrir como o design, a ciência e a natureza se unem para responder aos desafios do nosso planeta. A Finissage da exposição tem lugar no dia 23 de julho, às 18h00, no Centro de Exposições do Pavilhão de Portugal.
Este momento assinala o encerramento de uma exposição que, ao longo dos últimos meses, recebeu milhares de visitantes e promoveu dezenas de sessões públicas, visitas guiadas, workshops e simpósios dirigidos a diferentes públicos.
Uma programação que procurou aproximar a academia à sociedade e contribuir para a reflexão e a sensibilização dos grandes desafios do desenvolvimento sustentável.
A finissage da exposição Designing Sustainable Futures conta com a presença da curadora da exposição Professora Ana Mestre e de vários convidados institucionais. A exposição ficará aberta ao público até ao dia 31 de Julho, para os últimos dias de exibição.
tolerance project
Jul 09 2026
17 JUNHO > 15 JULHO 2026 I CHIADO E BAIXA LISBOA
O Tolerance Project [Projeto Tolerância] é uma iniciativa internacional de design dedicada à promoção da tolerância, da inclusão e do diálogo através do cartaz. Criado em 2017, pelo designer Mirko Ilić, o projeto reúne artistas e designers de diversos países, convidados a interpretar graficamente a palavra «tolerância» nas suas línguas nativas, explorando a comunicação visual como ferramenta de reflexão e intervenção no espaço público.
Em Lisboa, o Tolerance Poster Show apresenta uma seleção de cartazes internacionais distribuídos por um percurso urbano que tem início na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, passa pelo Largo do Teatro Nacional de São Carlos e pela Praça do Município e termina no MUDE – Museu do Design.
Apresentação do livro de atas e Lançamento das ll Jornadas Internacionais de Cenografia e Figurinos
Jul 09 2026SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL | SALA BERNARDO SASSETTI > 13 JULHO | 18H30
Apresentação do livro de atas das Primeiras Jornadas Internacionais de Cenografia e Figurinos e Lançamento das II Jornadas Internacionais de Cenografia e Figurinos
As Jornadas Internacionais de Cenografia & Figurinos afirmam-se como um espaço de encontro, reflexão e partilha dedicado ao estudo e à prática da cenografia e do figurino nas artes performativas. Reunindo investigadores, criadores, docentes, discentes e artistas nacionais e internacionais, esta iniciativa promove o diálogo entre diferentes áreas disciplinares, explorando as múltiplas relações entre teatro, dança, cinema, ópera, performance e estudos visuais.
Nesta sessão será apresentado o volume de atas resultante das I Jornadas, testemunho da riqueza dos debates e das investigações então desenvolvidas.
A ocasião assinalará igualmente o lançamento oficial das II Jornadas Internacionais de Cenografia & Figurinos, que decorrerão em novembro de 2026, numa organização conjunta do Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes (CIEBA), da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL) e da Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa (ESTC/IPL).
Este evento pretende reforçar o intercâmbio entre investigação académica e criação artística contemporânea, consolidando uma plataforma internacional dedicada ao pensamento crítico sobre os espaços, os corpos e as visualidades da cena.
Coord. Fernando Rosa Dias, Marta Cordeiro, Paulo Morais-Alexandre
Jornadas Internacionais de Cenografia & Figurinos – Teatro São Luiz.
faculdade de belas-artes da universidade de lisboa » II Jornadas Internacionais de Cenografia & Figurinos // chamada de trabalhos
Jornadas internacionais de cenografia e figurinos : livro de atas
Revista Convocarte nº 20/21 – Arte e Povos Indígenas // chamada de trabalhos – prolongamento de data
Jul 09 2026CHAMADA DE TRABALHOS > PROLONGAMENTO DE DATA ATÉ 17 JULHO 2026
Prazos de submissão
17 de julho de 2026 – Entrega da proposta inicial (título, resumo e palavras-chave; máx. 1000 carateres s/ espaços) e link para currículo/portefólio.
9 de outubro de 2026 – Entrega do texto completo.
Envio – convocarte.belasartes@gmail.com
Manifesto para uma chamada de trabalhos: Arte e Povos Indígenas
Arte. A relação entre arte e povos indígenas não é de abordagem simples. Els Lagrou (2012), num texto programático para a antropologia da arte, em que mensura os impactos da obra de Alfred Gell (2018) na área, fala de uma relação de amor e ódio entre arte e antropologia. Desse modo, pode-se pensar que a conjunção “e” que conecta arte e povos indígena nesta chamada tem função antes adversativa que aditiva.
Povos indígenas. Coloca-se assim o primeiro problema desta chamada. Arte contra povos indígenas ou povos indígenas contra a arte? Comentando o debate de Manchester (Ingold, 1996) a respeito da “universalidade do conceito de estética/arte”, Lagrou (2012) coloca a pergunta: “existiria uma arte das sociedades contra o Estado?”. Ela faz referência à célebre expressão de Pierre Clastres (2003) que propõe caracterizar a organização política (ou cosmopolítica) dos povos indígenas da América como “sociedades contra o Estado”, em lugar da expressão evolucionista “sociedades sem Estado”.
Terra. Com isso, Clastres (Idem) desloca a questão de como definir “o que é” um povo indígena ou “quem são” os indígenas e a aproxima bem mais da realidade contemporânea em que mais do que peças de museu ecoando o passado de uma única “humanidade” separada definitivamente do cosmos, esses povos apontam para o futuro da política planetária.
Cosmofobia. Deleuze & Guattari (1976), desde o que Clastres (2003) e Lévi-Strauss (1976) haviam aprendido com os ameríndios, redefinem essas sociedades contra o Estado como formação social territorial, destacando a relação intrínseca desses povos com a terra, em contraste com o Estado moderno e sua origem/fundamento cosmofóbica, conforme definição de Nego Bispo (Santos, 2018).
Cosmopolítica. Se propõe a falar com povos indígenas, para além de falar de ou sobre povos indígenas, e que tais interlocutores se definem por sua relação intrínseca com a terra e essa relação orienta suas práticas de conhecimento, compreende-se que tais interlocutores são todos aqueles modos de existência que falam e fazem território através dessas comunidades e indivíduos humanos.
Antropoceno. Tanto quanto o pensamento moderno foi transfigurado pelo conceito-problema de Antropoceno, enterrando de vez o século XX com a percepção de que, por fim, “jamais havíamos sido modernos” e fazendo cumprir a persistente profecia de Lévi-Strauss (1976) de que o pensamento mitológico “voltaria a se encontrar” com o pensamento científico, também a arte contemporânea tem sido decisivamente afetada pelas obras-problemas colocadas pela arte indígena contemporânea.
Arte indígena contemporânea. Correndo todos os riscos prováveis e improváveis, instituições de arte e artistas indígenas reconfiguram o cenário da arte contemporânea. Articulando denúncia e procedimentos que atualizam as práticas de conhecimento indígenas, orientada pela inominável obra A queda do céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert (2015), a arte indígena contemporânea pode ser entendida como uma das primeiras expressões de um “pensamento antropocênico”. Isso porque, como sugeriu Dipesh Chakrabarty (2009), o Antropoceno, antes de ser algo que pudesse ser pensado pelo pensamento tal como o conhecemos, seria um conceito-problema que redefiniria os limites do pensável (e, portanto, do sensível) e a própria natureza do pensamento.
(Amilton Mattos)
Chamada de Trabalhos

A noção de «Arte», tal como hoje se conhece globalmente, é um recente paradigma ocidental. Depois da criação da ideia de Belas-Artes, com o processo do Renascimento, a consciência da arte e de autonomia da esfera artística é já devida ao século XVIII. Será que podemos falar de arte perante as culturas indígenas? Se há dimensões de artístico como se movem e entendem? Neste sentido, olhar a cultura de um Povo ou Nação indígena pode ser um confronto à própria ideia de «Arte» e aos seus confortos.
Qual o fundamento de produções artísticas inscritas no corpo e na paisagem, fundindo-se com eles, criando perturbações às artes da separação entre obra e sujeito, produção e recepção, etc.? Falar de cultura indígena e dos seus artefactos de dimensão artística pode servir de problematização às garantidas noções de «arte», «obra», «autor», etc..
As separações entre artes também se problematizam, visto que há um modo fundacional de relações e fusões entre artes, tradicionalmente separadas no Ocidente. Não se trata de híbrido, que resulta já de um princípio de separação e sua perturbação, mas algo que se funda na não separação. Assim, perante a cultura indígena são as ontologias ocidentais, das obras e dos processos relacionais, além dos valores e trocas simbólicas, entre outras, que se desassossegam. Encontrar essas zonas de inquietação, enquanto estados vacilantes, que interessam não só entender, mas confrontar, é uma das premissas desta chamada.
Qualquer tradição recente da Antropologia reconhece que estas culturas não são estanques numa repetição do mesmo, e que, pelo contrário, têm a transformação como centro, em que as práticas rituais de continuidade e sobrevivência cultural têm uma dinâmica própria interna. A repetição do ritual, enquanto prossecução cultural, é fundadora de processos de transformação e é mediante essa repetição que o mesmo e o «novo» se oferecem como prossecução e continuidade cultural.
Convocar a cultura indígena e assumir a própria autenticidade da sua diferença abre uma extensão relacional que relativiza, podendo servir de problematização ao dominante paradigma ocidental. Mais que um ataque a este paradigma dominante, interessa a recusa da sua exclusividade e da autoridade da sua voz, para abrir a escuta do outro a partir do seu lugar, onde os seus artefactos se libertem de vez do paradigma do gabinete de curiosidades que ainda remanescem nos museus etnográficos e antropológicos ocidentalizados. Abordar este tema passa pela procura de uma relação de alteridade enriquecedora, que exorte o vai e vem da diferença como extensão mútua, recusando o olhar unidirecional da curiosidade ou objecto científico, para uma relação equipara e dialogante, onde a experiência e a voz do outro tenha inscrição e seja partilhada.
Em geral, as culturas indígenas são de Memória e não de História, de oralidade e não de escrita. São os corpos que suportam e comportam as mediações culturais, que agregam as memórias e as transferem. A cultura como salvaguarda de si é muitas vezes feita a partir desses corpos, com responsabilidades de transferência e continuidade, que é sempre fatal mudança, mas inerente e genuína.
Quando se fala em povos indígenas, há uma natural propensão para estudos focados no eixo Sul global, tendendo a englobar a América central e sul, a África, a Austrália e grande parte do Pacífico, ou ainda partes de Indonésia ou Índia. Mas ela pode ser vista ainda noutros lugares, mesmo que de modo quase arqueológico, em torno de ecos de memórias indígenas massacradas, tal o grau de desaparição ou extinção cultural em vários casos, como no Canadá e, sobretudo, Estados Unidos.
Pensar o papel da arte e da cultura nos povos indígenas passa várias vezes pela sua resistência perante a violência colonial ocidental e global, no que tanto pode ser feito a partir da força da própria sobrevivência, do que muitas vezes são restos resilientes, como da sua regeneração, da sua recuperação de uma situação de quase extinção cultural, retomando autenticidades possíveis que não se reduzam a modos de negócio e neo-turismo exótico.
Outra questão é o problema da periferia nas questões culturais ou de política cultural. Não a periferia entre os grandes centros dominantes, que decidem os valores históricos, económicos e simbólicos da arte e da cultura, como a da arte portuguesa perante a de França, Londres ou os Estados Unidos, ou do Brasil perante a arte europeia e norte-americana, ou entre as artes orientais e as ocidentais ou as do Sul e as do Norte, nem sequer dos grandes centros perante as pequenas localidades, mas uma periferia mais radical: a periferia que toca o lugar da diferença obliterada e da sua sobrevivência. Uma periferia que já está muitas vezes de fora, numa espécie de alteridade total. Mas essa é a riqueza da sua voz.
Podemos assim avançar com alguns tópicos de abordagem, sempre com a ressalva que não circunscrevem todas as possibilidades de abordar o tema:
- Compreensão conceptual: As dimensões da noção de «indígena» e as suas especificidades culturais e artísticas.
- Lugares do Artístico: Estudo dos modos e espaços da produção artística nos povos indígenas.
- Identidade e Transmissão: Processos de subjetivação e diálogos culturais
- Alteridade e Relativização: O confronto de diferenças como via para o alargamento das possibilidades da cultura humana.
- Sobrevivência e Regeneração: A produção artística como ato cultural e político de resistência e recuperação face à ameaça de extinção.
- Geografias da Arte Indígena: Análise de diferentes contextos e escalas (do Brasil à Austrália, do Canadá ao Sudeste Asiático).
- Descolonização Metodológica: Revisão de conceitos da antropologia e etnografia em prol de uma deontologia que privilegie a voz do «outro» enquanto sujeito cultural e artístico, e não apenas objeto de estudo.
Equipa Convocarte
Coordenação geral: Fernando Rosa Dias
Co-coordenação (secção francesa): Pascal Krajewski
Coordenação executiva: Bruna Lobo e Jamila Pontes
Coordenação do Dossier temático Arte e Povos Indígenas:
Amilton Pelegrino de Mattos é pesquisador e docente na Licenciatura Indígena da Universidade Federal do Acre, UFAC – Campus Floresta. Doutor em Antropologia pelo PPGSA da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, com tese dedicada aos processos de pesquisa de acadêmicos indígenas junto a suas comunidades. http://lattes.cnpq.br/4467650905915696
Referências utilizadas no «Manifesto para uma chamada de trabalhos: Arte e Povos Indígenas»:
- Chakrabarty, Dipesh (2009). The Climate of History: Four Theses. In: Critical inquiry 35.2: 197-222.
- Clastres, Pierre (2003). A sociedade contra o Estado. São Paulo: Cosac & Naify.
- Deleuze, Gilles & Guattari, Felix (1976) O Anti-édipo. Capitalismo e esquizofrenia, Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda.
- Ingold, Kim (Ed.) (1996). Key debates in Anthropology. London and New York: Routledge.
- Gell, Alfred. (2018). Arte e agência: uma teoria antropológica. Trad. Jamille Pinheiro Dias. São Paulo: Unu Editora.
- Kopenawa, Davi & Albert, Bruce (2015). A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras.
- Lagrou, E. (2012). Existiria uma arte das sociedades contra o Estado?. Revista De Antropologia, 54(2). https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2011.39645
- Lévi-Strauss, Claude (1976). O pensamento selvagem. São Paulo: CEN.
- Santos, Antônio Bispo dos. (2018). Somos da terra. Piseagrama, Belo Horizonte, n.12, p.44-51. https://piseagrama.org/artigos/somos-da-terra/
voz e linha – exposição de Isabella Navarro
Jul 09 202606 > 23 JULHO 2026 | GALERIA BELAS-ARTES
A exposição Voz e Linha de Isabella Navarro inaugura dia 06 julho pelas 18h e está patente de 06 a 23 julho, na Galeria da Faculdade de Belas-Artes.
Curadoria: Ana Bailão
Horário: 2ª a sábado – 11h00/19h00
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
Voz e Linha aproxima a tradição da cultura popular portuguesa dos Lenços dos Namorados às narrativas contemporâneas. A linha torna-se instrumento de diálogo, assumindo-se como uma linguagem de contínua escuta, criação e preservação da memória.
Na sua produção artística, Isabella Navarro propõe uma reflexão sobre as relações entre tradição e tecnologia, património e inovação, memória e criação contemporânea. A artista investiga diferentes formas de comunicação e de transmissão de conhecimento através do bordado, aproximando práticas artesanais e sistemas computacionais.
A exposição coloca em relação processos humanos e computacionais, revelando aproximações, desvios e novas possibilidades de criação. Ao integrar saberes tradicionais e tecnologias contemporâneas, convida o público a refletir sobre os modos como a cultura é produzida, preservada e continuamente reinventada.
Integrando a investigação doutoral da artista no âmbito das Ciências da Arte e do Património, o projeto Voz e Linha amplia a discussão sobre a documentação dos processos criativos, a preservação do património e os desafios colocados pelas práticas artísticas que incorporam diferentes tecnologias e sistemas computacionais.
Isabella Navarro é artista plástica, investigadora luso-brasileira e reside em Lisboa.
Desenvolve uma produção que estabelece diálogos entre Brasil e Portugal, tendo como eixos a memória, o património e a identidade cultural. A sua prática articula processos artísticos tradicionais e diferentes tecnologias contemporâneas.
É doutoranda em Belas-Artes, especialidade de Ciências da Arte e do Património na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, onde desenvolve investigação em Media Arte. É Mestre em Conservação de Arte Moderna e Contemporânea pela mesma instituição, com a dissertação: A importância da colaboração entre o artista e o conservador-restaurador: o problema da obsolescência. Licenciada em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi também aluna de cursos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.
As suas obras têm sido apresentadas em instituições e espaços culturais no Brasil e em Portugal. Participou da Bienal de Arte Sacra em Portugal, recebeu o Prémio de Pintura no concurso A Brasileira, em Lisboa, entre outras distinções. Realiza projetos colaborativos e educativos que aproximam arte, cultura, comunidade e tecnologia.