Ciências da Arte e do Património
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Exposição e Seminário O Movimento da Alma na ‘Paixão de Cristo’ de Rafael Bordalo Pinheiro | Museu José Malhoa
Mai 31 2026
14 MAIO > 30 SETEMBRO 2026 | MUSEU JOSÉ MALHOA, CALDAS DA RAINHA
No dia 14 de Maio de 2026, às 10h30, inaugura no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, a exposição de desenho e o seminário intitulados O Movimento da Alma na “Paixão de Cristo” de Rafael Bordalo Pinheiro – Entre desenhos e reflexões. A exposição ficará patente até 30 setembro.
A exposição apresenta os desenhos produzidos durante a residência e, no dia da abertura, decorre um seminário dedicado ao debate e à reflexão crítica sobre a obra de Bordalo Pinheiro, os museus e as suas possibilidades contemporâneas.
O seminário contará com investigadores e profissionais como Artur Ramos, Luís Jorge Gonçalves, João Alpuim Botelho, Dora Mendes, Marta Galvão Lucas, entre outros convidados.
O público é convidado a participar neste diálogo sobre património, criação e pensamento artístico atual.
Acesso gratuito.
Este evento é uma organização do:
Museu José Malhoa/Museus e Monumentos de Portugal
Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa/ VICARTE Vidro e cerâmica para as artes/ CIEBA, Centro de Investigação e de Estudo em Belas-Artes
Universidade Federal de Rio Grande do Norte/ Grupo de Pesquisa de Género, Políticas Públicas e Sociedade
Quando Rafael Bordalo Pinheiro, entre 1887 e 1899, criou a Paixão de Cristo, para as capelas da Via Sacra da Mata do Buçaco, por encomenda do governo português, através do Ministro Emidio Navarro, estava a retomar uma tradição da arte ocidental sobre a dramatização da vida de Jesus, em esculturas policromadas de terracota.
Previam-se 86 esculturas de escala natural, com 12 Passos da Paixão. Por diferentes dificuldades, o projeto inicial não foi concluído, tendo chegado aos nossos dias as seguintes cenas: Jesus no Horto, Traição de Judas, Passagem do Cedron; Jesus em casa de Anás; Jesus na casa de Caifás; Jesus perante Pilatos; Jesus perante Herodes; Pilatos lavando as mãos e Jesus a Caminho do Calvário.
Na atualidade encontra-se no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, cidade onde Rafael Bordalo Pinheiro localizava a sua fábrica de cerâmica. Trata-se do seu projeto mais ambicioso, que nos demonstra as suas capacidades como artista. Através das esculturas observamos dramatismo, expressão e uma plasticidade muito bem explorada, que nos conduz ao sublime. Tinham passados os tempos do dramatismo do Barroco, onde se explorava com emoção os Passos da Paixão, através das vias sacras, em esculturas que podemos examinar no Bom Jesus do Monte, em Braga, na Serra do Pilar, na Póvoa de Lanhoso, ou em Congonhas, em Minas Gerais, no Brasil. No entanto, Rafael Bordalo Pinheiro explorou, na terracota, o dramatismo através dos rostos, dos corpos, das panejamentos e das cores.
A diversidade das cenas é um desafio para o desenho que foi proposto a alunos de desta disciplina da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Estes desenhos, executados a partir dos originais e no próprio espaço do Museu José Malhoa, constituem dez aproximações individuais à obra de Rafael Bordalo Pinheiro A Paixão de Cristo. A diversidade fisionómica aliada à modelação ligeiramente inacabada das esculturas é o cruzamento de interpretações ilimitadas à reconstrução e à reinvenção das figuras. Todos os dez artistas convidados abordaram a obra segundo múltiplos pontos de vista e não só no sentido literal. Cada uma das aproximações reconstrói o espaço, cria contextos, reinventa as personagens, acentua expressões e idealiza visões e fisionomias. O desenho, associado vulgarmente ao essencial acaba por aliar o rigor da forma com a agradabilidade da cor, para nos surpreender com o potencial da obra de Rafael. Na verdade, estas sessões desenvolvidas no museu constituem momentos únicos de observação, análise, descoberta e conhecimento sem paralelo graças ao contacto direto e natural com as obras de arte. Estes desenhos são a celebração desses momentos.
II Jornadas Internacionais de Cenografia & Figurinos // chamada de trabalhos
Mai 31 2026CHAMADA DE TRABALHOS > ATÉ 28 JUNHO 2026
A Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa e a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, a partir do CIEBA (Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes), convidam a comunidade académica, artistas e investigadores, a submeteram propostas de comunicação para a conferência internacional II Jornadas Internacionais de Cenografia & Figurinos.
Na continuação da sua primeira edição, as Jornadas pretendem ser um fórum de partilha de pensamento e discussão na área do design de cena. O design de cena – ou a cenografia e os figurinos – é um campo próprio e específico que, no entanto, existe na proximidade, ou até na intersecção, com as belas-artes, as artes performativas e a arquitectura, entre muitos outros saberes, alguns eminentemente técnicos. Maioritariamente, a sua afirmação tem-se feito na prática e são esses processos criativos e técnicos, herdeiros de uma tradição de artistas e mestres, que se procuram perspectivar na actualidade, quando a visualidade da cena se expandiu ao desenho da performance e à prática da instalação.
Interessa alargar as discussões sobre a prática, a história e a teoria do design de cena, permitindo a partilha entre geografias diversas; mas interessa, igualmente, pensar a prática portuguesa, pouco documentada e com necessidade de estudo e arquivo, e colocá-la em relação.
Nesta edição, para além das secções dedicadas a artistas e investigadores, convidam-se estudantes e artistas emergentes a participar numa secção especialmente dedicada à exploração e ensaio de ideias.
Aceitam-se propostas que abordem, entre outros, os seguintes tópicos:
História e teoria da cenografia e dos figurinos
Processos criativos
Estudo de casos
Ensino da cenografia e dos figurinos
Na secção “estudantes e artistas emergentes: 1 IDEIA + 1 IMAGEM”, propõem-se apresentações de cerca de 5 minutos, realizadas a partir do lançamento de uma ideia e de uma imagem.
1. Normas para Submissão
As propostas devem ser enviadas em formato PDF para o email jornadascenografiaefigurinos@gmail.com e devem incluir:
- Título da comunicação;
- Resumo (Abstract) de 300 a 500 palavras;
- Palavras-chave (3 a 5);
- Nota biográfica do autor (máx. 150 palavras);
- Filiação institucional e contactos.
São aceites submissões em português, inglês, espanhol, francês e italiano.
As apresentações orais devem ser realizadas em português ou inglês.
2. Calendário
Prazo limite para submissão: 28 de Junho
Notificação de aceitação: 31 de Julho
3. Publicação
Informa-se que uma seleção de artigos apresentados na conferência será publicada em livro de actas.
Prazo limite para a submissão de textos: 15 de Dezembro
São aceites textos em português, inglês, espanhol, francês e italiano, devendo sempre existir um resumo em língua inglesa.
A participação nas Jornadas implica a potencial publicação da investigação no livro de actas. A participação na conferência e a publicação estão, ambas, sujeitas a processos de revisão por pares.
Organização
Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes (CIEBA)
Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa (FBA-UL)
Escola Superior de Teatro e Cinema, Politécnico de Lisboa (ESTC-IPL)
Parceiros (em actualização)
Associação Portuguesa de Cenógrafos (APCEN) / Festival Alkantara
Coordenação Geral
Fernando Rosa Dias / João Calixto / Marta Cordeiro / Paulo Morais-Alexandre / Sara Franqueira / Susana Vidal
Comissão Científica (em actualização)
Ana Mira (ESTC/ IFILNOVA)
Armando Nascimento Rosa (ESTC-CIAC)
Fernando Rosa Dias (FBAUL / CIEBA)
Helder Maia (I2ADS / ESMAE)
Isis Saz Tejero (UCLM)
João Calixto (ESTC / CIEBA)
Jorge Palinhos (CECS)
José Capela (EAAD / Lab2PT)
Marta Cordeiro (ESTC / CIEBA)
Paulo Morais-Alexandre (ESTC / CIEBA)
Sara Franqueira (ESTC / CIEBA)
Susana Vidal (ESTC / CIEBA)
Teresa Projecto (IPLuso – UL / CIEBA)
Teresa Varela (ESTC / CIEBA)
Contactos
jornadascenografiaefigurinos@gmail.com
Revista Convocarte nº 20/21 – Arte e Povos Indígenas // chamada de trabalhos
Mai 31 2026CHAMADA DE TRABALHOS > ATÉ 26 JUNHO 2026
Prazos de submissão
26 de junho de 2026 – Entrega da proposta inicial (título, resumo e palavras-chave; máx. 1000 carateres s/ espaços) e link para currículo/portefólio.
9 de outubro de 2026 – Entrega do texto completo.
Envio – convocarte.belasartes@gmail.com
Manifesto para uma chamada de trabalhos: Arte e Povos Indígenas
Arte. A relação entre arte e povos indígenas não é de abordagem simples. Els Lagrou (2012), num texto programático para a antropologia da arte, em que mensura os impactos da obra de Alfred Gell (2018) na área, fala de uma relação de amor e ódio entre arte e antropologia. Desse modo, pode-se pensar que a conjunção “e” que conecta arte e povos indígena nesta chamada tem função antes adversativa que aditiva.
Povos indígenas. Coloca-se assim o primeiro problema desta chamada. Arte contra povos indígenas ou povos indígenas contra a arte? Comentando o debate de Manchester (Ingold, 1996) a respeito da “universalidade do conceito de estética/arte”, Lagrou (2012) coloca a pergunta: “existiria uma arte das sociedades contra o Estado?”. Ela faz referência à célebre expressão de Pierre Clastres (2003) que propõe caracterizar a organização política (ou cosmopolítica) dos povos indígenas da América como “sociedades contra o Estado”, em lugar da expressão evolucionista “sociedades sem Estado”.
Terra. Com isso, Clastres (Idem) desloca a questão de como definir “o que é” um povo indígena ou “quem são” os indígenas e a aproxima bem mais da realidade contemporânea em que mais do que peças de museu ecoando o passado de uma única “humanidade” separada definitivamente do cosmos, esses povos apontam para o futuro da política planetária.
Cosmofobia. Deleuze & Guattari (1976), desde o que Clastres (2003) e Lévi-Strauss (1976) haviam aprendido com os ameríndios, redefinem essas sociedades contra o Estado como formação social territorial, destacando a relação intrínseca desses povos com a terra, em contraste com o Estado moderno e sua origem/fundamento cosmofóbica, conforme definição de Nego Bispo (Santos, 2018).
Cosmopolítica. Se propõe a falar com povos indígenas, para além de falar de ou sobre povos indígenas, e que tais interlocutores se definem por sua relação intrínseca com a terra e essa relação orienta suas práticas de conhecimento, compreende-se que tais interlocutores são todos aqueles modos de existência que falam e fazem território através dessas comunidades e indivíduos humanos.
Antropoceno. Tanto quanto o pensamento moderno foi transfigurado pelo conceito-problema de Antropoceno, enterrando de vez o século XX com a percepção de que, por fim, “jamais havíamos sido modernos” e fazendo cumprir a persistente profecia de Lévi-Strauss (1976) de que o pensamento mitológico “voltaria a se encontrar” com o pensamento científico, também a arte contemporânea tem sido decisivamente afetada pelas obras-problemas colocadas pela arte indígena contemporânea.
Arte indígena contemporânea. Correndo todos os riscos prováveis e improváveis, instituições de arte e artistas indígenas reconfiguram o cenário da arte contemporânea. Articulando denúncia e procedimentos que atualizam as práticas de conhecimento indígenas, orientada pela inominável obra A queda do céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert (2015), a arte indígena contemporânea pode ser entendida como uma das primeiras expressões de um “pensamento antropocênico”. Isso porque, como sugeriu Dipesh Chakrabarty (2009), o Antropoceno, antes de ser algo que pudesse ser pensado pelo pensamento tal como o conhecemos, seria um conceito-problema que redefiniria os limites do pensável (e, portanto, do sensível) e a própria natureza do pensamento.
(Amilton Mattos)
Chamada de Trabalhos

A noção de «Arte», tal como hoje se conhece globalmente, é um recente paradigma ocidental. Depois da criação da ideia de Belas-Artes, com o processo do Renascimento, a consciência da arte e de autonomia da esfera artística é já devida ao século XVIII. Será que podemos falar de arte perante as culturas indígenas? Se há dimensões de artístico como se movem e entendem? Neste sentido, olhar a cultura de um Povo ou Nação indígena pode ser um confronto à própria ideia de «Arte» e aos seus confortos.
Qual o fundamento de produções artísticas inscritas no corpo e na paisagem, fundindo-se com eles, criando perturbações às artes da separação entre obra e sujeito, produção e recepção, etc.? Falar de cultura indígena e dos seus artefactos de dimensão artística pode servir de problematização às garantidas noções de «arte», «obra», «autor», etc..
As separações entre artes também se problematizam, visto que há um modo fundacional de relações e fusões entre artes, tradicionalmente separadas no Ocidente. Não se trata de híbrido, que resulta já de um princípio de separação e sua perturbação, mas algo que se funda na não separação. Assim, perante a cultura indígena são as ontologias ocidentais, das obras e dos processos relacionais, além dos valores e trocas simbólicas, entre outras, que se desassossegam. Encontrar essas zonas de inquietação, enquanto estados vacilantes, que interessam não só entender, mas confrontar, é uma das premissas desta chamada.
Qualquer tradição recente da Antropologia reconhece que estas culturas não são estanques numa repetição do mesmo, e que, pelo contrário, têm a transformação como centro, em que as práticas rituais de continuidade e sobrevivência cultural têm uma dinâmica própria interna. A repetição do ritual, enquanto prossecução cultural, é fundadora de processos de transformação e é mediante essa repetição que o mesmo e o «novo» se oferecem como prossecução e continuidade cultural.
Convocar a cultura indígena e assumir a própria autenticidade da sua diferença abre uma extensão relacional que relativiza, podendo servir de problematização ao dominante paradigma ocidental. Mais que um ataque a este paradigma dominante, interessa a recusa da sua exclusividade e da autoridade da sua voz, para abrir a escuta do outro a partir do seu lugar, onde os seus artefactos se libertem de vez do paradigma do gabinete de curiosidades que ainda remanescem nos museus etnográficos e antropológicos ocidentalizados. Abordar este tema passa pela procura de uma relação de alteridade enriquecedora, que exorte o vai e vem da diferença como extensão mútua, recusando o olhar unidirecional da curiosidade ou objecto científico, para uma relação equipara e dialogante, onde a experiência e a voz do outro tenha inscrição e seja partilhada.
Em geral, as culturas indígenas são de Memória e não de História, de oralidade e não de escrita. São os corpos que suportam e comportam as mediações culturais, que agregam as memórias e as transferem. A cultura como salvaguarda de si é muitas vezes feita a partir desses corpos, com responsabilidades de transferência e continuidade, que é sempre fatal mudança, mas inerente e genuína.
Quando se fala em povos indígenas, há uma natural propensão para estudos focados no eixo Sul global, tendendo a englobar a América central e sul, a África, a Austrália e grande parte do Pacífico, ou ainda partes de Indonésia ou Índia. Mas ela pode ser vista ainda noutros lugares, mesmo que de modo quase arqueológico, em torno de ecos de memórias indígenas massacradas, tal o grau de desaparição ou extinção cultural em vários casos, como no Canadá e, sobretudo, Estados Unidos.
Pensar o papel da arte e da cultura nos povos indígenas passa várias vezes pela sua resistência perante a violência colonial ocidental e global, no que tanto pode ser feito a partir da força da própria sobrevivência, do que muitas vezes são restos resilientes, como da sua regeneração, da sua recuperação de uma situação de quase extinção cultural, retomando autenticidades possíveis que não se reduzam a modos de negócio e neo-turismo exótico.
Outra questão é o problema da periferia nas questões culturais ou de política cultural. Não a periferia entre os grandes centros dominantes, que decidem os valores históricos, económicos e simbólicos da arte e da cultura, como a da arte portuguesa perante a de França, Londres ou os Estados Unidos, ou do Brasil perante a arte europeia e norte-americana, ou entre as artes orientais e as ocidentais ou as do Sul e as do Norte, nem sequer dos grandes centros perante as pequenas localidades, mas uma periferia mais radical: a periferia que toca o lugar da diferença obliterada e da sua sobrevivência. Uma periferia que já está muitas vezes de fora, numa espécie de alteridade total. Mas essa é a riqueza da sua voz.
Podemos assim avançar com alguns tópicos de abordagem, sempre com a ressalva que não circunscrevem todas as possibilidades de abordar o tema:
- Compreensão conceptual: As dimensões da noção de «indígena» e as suas especificidades culturais e artísticas.
- Lugares do Artístico: Estudo dos modos e espaços da produção artística nos povos indígenas.
- Identidade e Transmissão: Processos de subjetivação e diálogos culturais
- Alteridade e Relativização: O confronto de diferenças como via para o alargamento das possibilidades da cultura humana.
- Sobrevivência e Regeneração: A produção artística como ato cultural e político de resistência e recuperação face à ameaça de extinção.
- Geografias da Arte Indígena: Análise de diferentes contextos e escalas (do Brasil à Austrália, do Canadá ao Sudeste Asiático).
- Descolonização Metodológica: Revisão de conceitos da antropologia e etnografia em prol de uma deontologia que privilegie a voz do «outro» enquanto sujeito cultural e artístico, e não apenas objeto de estudo.
Equipa Convocarte
Coordenação geral: Fernando Rosa Dias
Co-coordenação (secção francesa): Pascal Krajewski
Coordenação executiva: Bruna Lobo e Jamila Pontes
Coordenação do Dossier temático Arte e Povos Indígenas:
Amilton Pelegrino de Mattos é pesquisador e docente na Licenciatura Indígena da Universidade Federal do Acre, UFAC – Campus Floresta. Doutor em Antropologia pelo PPGSA da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, com tese dedicada aos processos de pesquisa de acadêmicos indígenas junto a suas comunidades. http://lattes.cnpq.br/4467650905915696
Referências utilizadas no «Manifesto para uma chamada de trabalhos: Arte e Povos Indígenas»:
- Chakrabarty, Dipesh (2009). The Climate of History: Four Theses. In: Critical inquiry 35.2: 197-222.
- Clastres, Pierre (2003). A sociedade contra o Estado. São Paulo: Cosac & Naify.
- Deleuze, Gilles & Guattari, Felix (1976) O Anti-édipo. Capitalismo e esquizofrenia, Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda.
- Ingold, Kim (Ed.) (1996). Key debates in Anthropology. London and New York: Routledge.
- Gell, Alfred. (2018). Arte e agência: uma teoria antropológica. Trad. Jamille Pinheiro Dias. São Paulo: Unu Editora.
- Kopenawa, Davi & Albert, Bruce (2015). A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras.
- Lagrou, E. (2012). Existiria uma arte das sociedades contra o Estado?. Revista De Antropologia, 54(2). https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2011.39645
- Lévi-Strauss, Claude (1976). O pensamento selvagem. São Paulo: CEN.
- Santos, Antônio Bispo dos. (2018). Somos da terra. Piseagrama, Belo Horizonte, n.12, p.44-51. https://piseagrama.org/artigos/somos-da-terra/
VI Congreso Ibero-americano – Investigações em Conservação do Património (ICP 2026)
Mai 31 2026
7, 8 E 9 OUTUBRO 2026 | FACULTAD DE BELLAS ARTES, UNIVERSIDAD COMPLUTENSE DE MADRID
Sobre o evento
A VI edição do Congresso Ibero-Americano “Investigação em Conservação do Património” terá lugar entre 7 e 9 de outubro de 2026, presencialmente e online, na Faculdade de Belas Artes da Universidade Complutense de Madrid, sob o tema “Património em risco. Desafios e soluções”.
É o resultado de uma colaboração entre investigadores da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e da Faculdade de Belas Artes da Universidade Complutense de Madrid com o Grupo Espanhol do IIC.
Apresentação do tema
No contexto contemporâneo, o património cultural enfrenta desafios complexos, decorrentes de transformações sociais, ambientais, tecnológicas e políticas. O evento propõe uma abordagem integrada, reconhecendo o património como um recurso vivo e vulnerável, sujeito a riscos naturais e antropogénicos, mas também portador de resiliência social e cultural.
Os conceitos de risco, vulnerabilidade e resiliência são reconsiderados a partir de perspetivas multidisciplinares, incorporando ética, sociologia, antropologia, filosofia e ciência. O impacto das alterações climáticas e das ameaças naturais reforça a necessidade de estratégias de mitigação e adaptação, enquanto a preservação do património imaterial valoriza os conhecimentos locais e a continuidade intergeracional das práticas culturais.
O evento inclui como temas os planos de salvaguarda, a análise de ameaças de origem antropogénica e o uso de tecnologias avançadas, GIS, drones, sensores ou inteligência artificial, para melhorar a gestão de risco e a tomada de decisões. A educação e a formação interdisciplinar são consideradas essenciais para capacitar os profissionais diante de cenários complexos e incertos.
O objetivo final deste evento é fortalecer o conhecimento existente sobre formas e estratégias de proteção, adaptação e resiliência do património, garantindo a sua sustentabilidade social, institucional e ambiental.
Prazos
Chamada de trabalhos: até 1 de julho de 2026
Data de comunicação das propostas admitidas: 30 de julho de 2026
Para mais informações consultar o website do evento.
JOSÉ DIAS SANCHO – CARICATURA E HUMOR. Exposição Museu Bordalo Pinheiro
Mai 22 2026©Museu Bordalo Pinheiro
29 ABRIL > 31 MAIO 2026 | MUSEU BORDALO PINHEIRO
No próximo dia 29 de abril, pelas 18h30, o Museu Bordalo Pinheiro inaugura a exposição JOSÉ DIAS SANCHO – CARICATURA E HUMOR.
A partir de projeto de mestrado de Joana Galrão, defendido na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, no âmbito do Mestrado de Crítica, Curadoria e Teorias de Arte, esta exposição tem a curadoria do Prof. Fernando Rosa Dias.
Esta exposição pretende apresentar as facetas de caricaturista e humorista de José Dias Sancho (1898-1929), figura polifacetada, polémica e dinâmica, mas ainda esquecida da história do Modernismo português. Com protagonismo em várias atividades, foi advogado, poeta, escritor, publicista, autor e dinamizador, tendo criado a primeira empresa cinematográfica do Algarve. A sua morte precoce, sem completar 31 anos, contribuiu para o fim do tempo de ouro do Modernismo Algarvio, diligente durante a Primeira República.
Depois da exposição «Regionalismo e Modernismo» no Museu Municipal de Faro, centrado em diálogos de José Dias Sancho com outras figuras do Modernismo, esta exposição no Museu Bordalo Pinheiro destaca a sua atividade de caricaturista e de humorista, da imagem ao texto, tal como o seu gosto por causas e polémicas, e ainda algum foco nas relações que estabeleceu com os modernistas de Lisboa. A exposição seguirá depois para São Brás de Alportel, como um «Regresso à Terra» Natal.
In https://museubordalopinheiro.pt/expo/jose-dias-sancho/
IV Encontro “Acessibilidade e Inclusão na Arte e no Património” — inscrições abertas
Mai 19 202622 > 23 MAIO 2026 I AUDITÓRIO DO MUSEU NACIONAL DOS COCHES
Apresentação do evento:
O Encontro de Acessibilidade e Inclusão na Arte e no Património teve início em 2021, enquanto sessão do Ciclo de Conferências “Encontros no Largo das Belas-Artes”.
No ano seguinte, o projeto desenvolveu-se de forma independente. A segunda edição realizou-se em junho de 2022, na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL), resultando de uma parceria entre esta instituição e o Museu da Farmácia de Lisboa. Este evento foi distinguido com uma menção honrosa nos Prémios APOM 2023, atribuída pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM), na categoria de Investigação e Difusão Científica.
A terceira edição ocorreu nos dias 14 e 15 de junho de 2024 sendo uma iniciativa da FBAUL e do Museu da Farmácia de Lisboa, contando também com a parceria da Associação Bengala Mágica e da Pró-Inclusão.
Em 2026, o 4º Encontro de Acessibilidade e Inclusão na Arte e no Património será uma iniciativa da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e do Museu Nacional dos Coches.
O principal objetivo é promover um espaço de debate sobre a acessibilidade e a inclusão nos museus e património cultural, procurando igualmente aproximar os intervenientes e criar ligações entre públicos, associações de acessibilidade e entidades dedicadas à divulgação do património.
Mais informações no website
Entrelaçar – Investigações em Património // 7 e 8 de maio
Mai 01 20267 e 8 de MAIO 2026 > AUDITÓRIO DA CASA DOS BICOS – FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO
Nos dias 7 e 8 de maio de 2026 realizar-se-á a 3ª edição do Encontro Entrelaçar – Investigações em Património Cultural, uma colaboração entre a Faculdade de Belas-Artes e a Casa dos Bicos – Fundação José Saramago.
Este evento visa promover o estreitamento das relações entre antigos, atuais e futuros alunos dos mestrados em Conservação de Arte Moderna e Contemporânea e em Museologia e Museografia da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, criando um espaço de partilha e reflexão sobre as práticas e os desafios atuais nas respetivas áreas de investigação. Além disso, o evento permitirá a apresentação de projetos desenvolvidos por antigos e atuais alunos, assim como a partilha de novas propostas, fomentando o diálogo e a colaboração entre todos os envolvidos.
O evento terá lugar de forma exclusivamente presencial, no Auditório Casa dos Bicos – Fundação José Saramago
As comunicações são de 10 minutos, seguidas de perguntas após concluída as apresentações do painel.
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
Contactos
Comissão organizadora
Ana Bailão
Ana Carolina Carvalho
Eduardo Rovisco
Filipa Lopes
Henrique Costa
Margarida Boavida
Micaela Mazel
Rita Monteiro
Comissão técnica
Carolina Ganchas
Mafalda Ferreira
José Guerra
Comissão científica
Eduardo Duarte
Elsa Pinho
Frederico Henriques
José Carlos Pereira
Marta Manso
Teresa Lousa
Inscrição
O evento é gratuito, contudo é necessária inscrição que deverá ser realizada através do seguinte formulário.
+INFO [website / instagram]
Website: https://sites.google.com/view/entrelacarevento/home
Instagram: @entrelacar.evento
workshop Farmácia do século xviii na ponta dos dedos
Abr 10 202613 ABRIL 2026 | Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Heritage Lab [Sala 3.63]
Apresentação
E se pudéssemos visitar uma farmácia do século XVIII… sem usar a visão?
Este workshop convida o público a explorar o património de forma sensorial, através do toque e da descoberta ativa.
A partir de uma maquete especialmente concebida, os participantes são desafiados a conhecer os materiais, formas e detalhes de uma antiga farmácia, em exposição no Museu da Farmácia de Lisboa, numa experiência que privilegia outros sentidos e promove uma nova forma de relação com o património.
Mais do que uma visita, esta é uma experiência imersiva que questiona como vemos, e sentimos os espaços culturais, abrindo caminho a práticas mais acessíveis e inclusivas para todos.
Data: 13 de abril de 2026
Horários:
1ª sessão: 10h00 – 12h00
2ª sessão: 14h00 – 16h00
Modalidade: presencial, com a combinação de demonstrações e componente prática.
Vagas: 7 participantes por sessão
Público-alvo: Atividade aberta a todos os públicos.
Inscrição: O evento é gratuito, mas a inscrição é obrigatória e deverá ser feita até 10 de abril de 2026, às 17:00H.
E-mail de contacto/inscrição: heritagelab@office365.ulisboa.pt
Palestra “Da terra ao fundo do mar: os desafios da conservação do património arqueológico”
Mar 11 202625 de MARÇO > 10H30 I GRANDE AUDITÓRIO
Palestra “Da terra ao fundo do mar: os desafios da conservação do património arqueológico” com o conservador-restaurador Cláudio Monteiro.
Esta palestra, promovida pelo Heritage Lab, abordará os principais desafios e metodologias na conservação de bens arqueológicos provenientes de contextos terrestres e subaquáticos.
Entrada livre, sujeita à lotação da sala.
Este evento sé passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
D. Joana de Áustria: as Mulheres de Habsburgo e a criação de cortes conventuais como resistência política
Fev 04 20267 MARÇO 2026 | CASA DOS PATUDOS
Realiza-se, a 7 março de 2026, no auditório da Casa dos Patudos em Alpiarça, pelas 15h30, a apresentação da comunicação D. Joana de Áustria: as Mulheres de Habsburgo e a criação de cortes conventuais como resistência política.
Autores
Fernando Baptista Pereira (CIEBA)
Pedro Manuel Pereira da Silva Tavares (CHAIA)
A Princesa de Portugal D. Joana de Áustria (1535-1573) criou um sistema político-religioso que, influenciou as gerações futuras das Mulheres Habsburgo. O triunvirato de clarissas, jesuítas e Mulheres da Casa de Áustria, no seio da monarquia hispânica, teve origem ao fundar o Mosteiro das Descalças Reais, um espaço seguro onde podiam influenciar a política do Império. No atual Salon de Reyes, onde recebiam dignatários, embaixadores, familiares e sobretudo o Rei, criaram durante séculos uma importante coleção de retratos oficiais (a segunda maior da península Ibérica) entre os quais, possivelmente, o retrato Joana de Castela (Coleção José Relvas).
A pintura que apresentamos é o único retrato oficial da mãe do Rei D. Sebastião em Portugal e, integra a exposição permanente da Casa dos Patudos (Museu de Alpiarça). O retrato encontra-se parcamente estudado, suscitando diversas questões sobre o seu historial que iremos abordar.
Masterclass – “AQUI A PEDRA TEM VIDA”: UM ESTUDO SOBRE O ARTESÃO DA PEDRA SABÃO
Fev 03 202611 FEVEREIRO | 10H00 | AUDITÓRIO LAGOA HENRIQUES
O presente estudo analisa a atividade artesanal em Pedra-Sabão no distrito de Santa Rita (Ouro Preto), focalizando dimensões socioculturais e socioeconómicas das artes locais. Metodologicamente, baseou-se em pesquisa de campo e análise qualitativa dos discursos, empregando abordagem de teoria fundamentada para identificar padrões interpretativos. Os resultados evidenciam condições laborais precárias — penosidade, insalubridade e vulnerabilidade econômica associadas ao alto custo da matéria-prima e dificuldades de escoamento comercial —, articuladas a um regime familiar de produção realizado em escritórios domiciliares. Paralelamente, observa-se que vínculos identitários, afetivos (gratidão) e o prazer na atividade atenuam a percepção das adversidades e sustentam a permanência na prática. O processo de interiorização e transmissão do ofício ocorre em núcleos familiares, entendidos como comunidades de prática, onde se consolidam saberes, habilidades e identidade profissional desde a infância, convertendo a aprendizagem geracional em capital simbólico que legitima a atividade. Conclui-se que a continuidade no trabalho com Pedra-Sabão resulta de uma escolha por fatores culturais e identitários, não apenas por imperativos econômicos, e que a pesquisa contribui para dar visibilidade ao universo laboral das artes e para mudanças na percepção coletiva sobre a importância do ofício.
Conferencista
Tays Torres Ribeiro das Chagas, é docente do departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Ouro Preto. A docente possui graduação em Engenharia de Produção, mestrado em Engenharia de Materiais e Doutorado em Administração.
Entrada livre, sujeita à lotação da sala.
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
revista convocarte nº 18/19: arte e ética| art and ethics | art et étique – chamada de trabalhos
Out 15 2025
DATA LIMITE ENVIO TEXTO FINAL ATÉ 31 OUTUBRO 2025

Arte e Ética
“(…): age de tal maneira que possas querer que tua máxima
se torne uma lei universal (qualquer que seja a finalidade desejada por ti).”
(Kant, Sobre a discordância entre moral e a política a propósito da paz perpétua, Apêndice I).
“As práticas artísticas são ‘modos de fazer’ que intervêm na distribuição geral
dos modos de fazer e na sua relação com os modos de ser e as formas de visibilidade.”
(Jacques Rancière, Estética e Política, p. 17)
“A arte é para si e não o é; sem o que lhe é heterogéneo perde a sua autonomia.”
(Adorno, Ästhetische Theorie, p. 17)
A relação entre a arte e a ética é, pode dizer-se, tão antiga quanto a própria arte – ou, pelo menos tanto quanto a sua consciência e discussão.
Desde a Grécia Antiga, onde uma arte repleta de actos de violência hediondos, heróis moralmente dúbios e palavras vis, mas igualmente fonte de prazer e deleite incomparáveis, foi considerada por Platão tão perigosa para as mentes e corações daqueles que se entregavam ao jogo da mimesis, que o filósofo infamemente exortou à “expulsão dos poetas” da sua cidade ideal (não sem antes Heráclito ter apelado a que fossem espancados com um pau). E isto porque Platão compreendeu a poderosa influência das artes que, sem proporcionarem conhecimento, ético ou outro qualquer, podiam e deviam ser criticadas moralmente, pois por meio dos seus poderes encantatórios, promoviam a imoralidade, explorando “as fraquezas da nossa natureza”, enganando-nos, e destruindo o elemento racional da nossa alma.
Assim nascia a crítica ética da arte — como censura.
E assim se levantaram questões: como pode a arte ser simultaneamente prazerosa e benéfica, e que benefício poderá ser esse? Existe uma relação entre os valores estéticos e éticos, e se sim, qual? Será legítimo criticar as obras com base nas suas implicações éticas? Pode a arte “imoral” ou eticamente problemática ser eticamente útil, e se sim, como? Existem limites para o que pode ou deve ser apreciado esteticamente ou tratado artisticamente? Até que ponto os artistas devem ser responsabilizados pelas mensagens implícitas ou pelos potenciais efeitos das suas obras? Como pode a violência ser confrontada na arte sem cair na glorificação? — questões que, todas elas, de uma forma ou de outra, dominaram grande parte do debate estético na Grécia Antiga, permanecendo prementes em épocas subsequentes, incluindo a nossa.
Assim, por muito distantes que nos sintamos de Platão e dos seus homólogos, a não ser que levemos a sério a réplica sarcástica de Plutarco ao dilema platónico, e “tapemos os ouvidos dos jovens com uma cera dura e impenetrável, como foram tapados os ouvidos dos itacenses, e os forcemos [...] a fugir da poesia a toda a velocidade” (Padelford, 1902, 51), estas são problemáticas que devemos confrontar.
Vivemos num tempo em que a esfera (outrora) autónoma da arte parece estar a escorregar perigosamente para um terreno moral que soaria familiar aos gregos; um tempo de preferência por narrativas desambiguadas e facilmente digeríveis — longe do que Rancière descreveu como “cortes sempre ambíguos, precários, litigiosos” (2010, 202); um tempo em que assistimos a uma total incapacidade de pensar a arte como outra coisa que não uma espécie de mimesis do poder político, económico e social; mimesis cuja lógica, “ao conferir à obra de arte o poder dos efeitos que é suposto provocar no comportamento dos espectadores” (Rancière, 136), se alinha naturalmente a um regime de consenso que mina tanto o potencial político como ético da arte. O nosso é um tempo em que, como lamenta o crítico do NYTimes Jason Farago, “uma e outra vez, a arte é reduzida a um sintoma ou a uma trivialidade” (Farago, 2024, par. 13).
Mas não é só a arte que enfrenta tais dilemas; é também a ética.
Apesar (ou em virtude) da crescente popularidade da palavra “ética” nas últimas décadas (com a moda de comités de ética, bioética, ética empresarial, e afins, que proliferam enquanto escasseia a sua mais profunda discussão filosófica), a configuração contemporânea da ética parece reduzida a uma moral de exortações fáceis, de consensos, de discursos legalistas e estruturas normativas, mal disfarçada, e vendida como “ética”; uma “ética” de binarismos morais simplistas que, servindo uma função essencialmente normativa (que, seja ela corretiva ou preventiva, é repressiva), assume uma conotação profundamente negativa, com resultados extremamente nefastos. Para além da subestimação grosseira da complexidade da ética, da usurpação do seu lugar, da domesticação da sua radicalidade e da distorção do seu sentido, a configuração actual da ética comporta o seu próprio esvaziamento.
Como é que a comodificação da arte se cruza com a comodificação da ética, e quais as implicações para ambas? Pode a arte servir de espaço para a reimaginação da ética? Como podemos devolver tanto a ética e como a arte à sua diferença, à sua singularidade e, portanto, à sua radicalidade? Como podemos repensar a sua relação problemática?
Nesta edição temática da revista Convocarte, convidamos contribuições que confrontem estes desafios, explorando este campo multifacetado que é também uma relação historicamente variável — entre a arte e a ética — uma relação que não apenas levanta diversas questões, mas em que cada questão admite respostas plausíveis contraditórias. Ao lançarmos Arte e Ética, sabemos que estamos a lançar mais confrontos com um dilema do que a mera abordagem de um tema — e que, por seu lado, se pode colocar em diferentes planos do artístico: na obra, na produção, no artista, na recepção, na sua teorização, no exercício crítico, no juízo de valor, no seu processo de legitimação, entre outras, além das relações com áreas sensíveis a implicações éticas, como a politica, o mercado, a ecologia, a pedagogia, e afins. Acolhemos abordagens históricas, teóricas, especulativas e práticas; as contribuições podem abordar os padrões recorrentes nas interconexões entre arte e ética, a capacidade da arte de desafiar, reformular ou produzir novos valores éticos, as tarefas e modalidades da crítica da arte, ou a ética da recepção. Estudos de caso, discussões sobre estilo e a forma nas obras de arte são altamente incentivados, assim como propostas para formular ou reimaginar uma ética da arte contemporânea.
Se a ética é hoje tão necessária como difícil na sua formulação, resvalando entre o poder ser e o dever ser, entre a liberdade e a obrigação coerciva, a sua conjugação com a arte, também ela já há muito tempo em crise de definções e de critérios, só torna mais delicado (e, por isso, também desafiante) o tema desta convocação.
Podemos assim avançar com alguns tópicos de abordagens, com a ressalva que estão longe de circunscrever as possibilidades de abordar o tema:
- O papel da arte na sociedade e as suas implicações éticas: de Platão à modernidade
- A ética e a política da forma: revisitar as abordagens formalistas e autonomistas
- Confronto entre a ética e a moral no campo das artes
- A crítica ética contemporânea da arte: os novos moralismos
- Liberdade artística e censura ou os limites da autonomia da arte
- A ética da interpretação, a responsabilidade do público e a tarefa da crítica de arte
- Valor estético vs. valor ético: reflexões meta-estéticas e meta-éticas
- A representação da violência e a ética do documentário
- A ética da preservação da arte
- Os dilemas éticos da cultura da Internet, dos novos media e da IA
- A ética da educação artística
- Os direitos de autor e de copyright em confronto com gestos artísticos de aproximação ao plágio, como apropriação, paródia, citação, etc.
- A bioarte e a bioética e as suas intersecções
- Ética no financiamento das artes
- Fundamentos teóricos para uma ética da arte contemporânea
Coordenação Geral: Fernando Rosa Dias
Coordenação do dossier temático «Arte e Ética»: Leonor Reis
Coordenação Executiva: Bruna Lobo, Jamila Pontes, Daniela Reimão
Leonor Reis
Leonor Reis (Funchal, 1992) é doutorada em Filosofia Ética e Política, pela Università degli studi di Roma – “La Sapienza” (2024) com uma tese intitulada “Art in spite of itself. The ambiguity of art in the work of Emmanuel Levinas,” para a qual recebeu de investigação da FCT. É licenciada em Som e Imagem, especialidade vídeo, pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa (2013) onde concluiu ainda, em 2014, uma Pós-graduação em Fotografia. Posteriormente obteve o grau de Mestre em Crítica, Curadoria e Teorias da Arte pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2018), com uma tese intitulada “A experiência estética como abertura religada.” Actualmente é investigadora no CIEBA, tendo como principais áreas de investigação: o pensamento de Levinas, a fenomenologia, a ética da representação, e as intersecções entre arte e filosofia e ética e estética.
8th edition of the International Meeting on Retouching of Cultural Heritage (RECH8 – 2025)
Out 13 2025
15 > 17 OCTOBER 2025 I FUNDAÇÃO CASA RUI BARBOSA, RIO DE JANEIRO, BRASIL
The RECHGroup, in collaboration with the Heritage Lab at the Faculty of Fine Arts, is pleased to announce that the 8th edition of the International Meeting on Retouching of Cultural Heritage (RECH8 – 2025) will take place in Brazil from October 15 to 17, 2025.
After the first three editions of the International Meeting on Retouching of Cultural Heritage in Porto (Portugal), the 4th edition in Split (Croatia), the 5th edition in Urbino (Italy), the 6th in Valencia (Spain), and the 7th edition in Lisbon (FBAUL), Portugal, we’re pleased to announce that the 8th edition will be a collaboration between the RECHGroup and the Casa de Rui Barbosa Foundation in Rio de Janeiro, Brazil.
The Call for Abstracts and Demos for RECH8 2025 is open!
Abstract submission and notification will proceed in three phases:
- Abstracts submitted by November 10, 2024:
Notification of acceptance by November 15, 2024 - Abstracts submitted by January 31, 2025:
Notification of acceptance by February 8, 2025 - Abstracts submitted by April 12, 2025:
Notification of acceptance by April 19, 2025
This phased approach allows participants to plan their travel and secure flight tickets well in advance once they receive notification of acceptance.
For more information, please visit the website.
We look forward to your submissions and participation in RECH8 2025.
RECH8 2025
Púlpito da Igreja de Santa Cruz de Coimbra, do Acervo de Escultura da FBAUL, na exposição temporária “Servir, a Única Pregação”
Out 09 2025
30 NOVEMBRO 2024 > 15 OUTUBRO 2025 I MUSEU DO SANTUÁRIO DE FÁTIMA
O modelo didático do Púlpito da Igreja de Santa Cruz de Coimbra, pertencente ao Acervo de Escultura da FBAUL, está patente na exposição temporária Servir, a Única Pregação, que inaugurou no passado dia 30 de Novembro, no Museu do Santuário de Fátima.
Esta exposição estará patente até 15 de Outubro de 2025.
Púlpito da Igreja de Santa Cruz de Coimbra,
de Nicolau de Chanterene
(modelo didático)
Guido Battista Lipi, 1883-1884
Gesso moldado e ferro (estrutura)
Esta obra foi restaurada pela Prof.ª Marta Frade, juntamente com os seus alunos da FBAUL.
sessão de abertura do Curso de Doutoramento em Belas-Artes 2025/2026
Out 06 2025
09 OUTUBRO 2025 > 17H00 I AUDITÓRIO LAGOA HENRIQUES
Realiza-se no dia 9 de outubro, pelas 17h00, no Auditório Lagoa Henriques, a sessão de abertura do Curso de Doutoramento em Belas-Artes 2025/2026, com a presença dos Coordenadores do 3º ciclo das respetivas especialidades, Professora Patrícia Gouveia de Arte Multimédia, Professor Fernando Rosa Dias de Ciências da Arte e do Património, Professor José Teixeira de Escultura, Professora Diana Costa de Pintura, Professor António Trindade de Desenho, Professor Pedro Almeida de Design de Comunicação e Professor Pedro Silva Dias de Design de Equipamento.
Prémios Científicos ULisboa/Caixa Geral de Depósitos 2025 Distinguidos mais de 50 Docentes e Investigadores da ULisboa
Jul 30 2025workshop prémio anunciação
Jun 26 2025
28 JUNHO 2025 I BENGALA MÁGICA – ASSOCIAÇÃO DE PAIS, AMIGOS E FAMILIARES DE CRIANÇAS, JOVENS E ADULTOS CEGOS E COM BAIXA VISÃO
Data: 28 de junho de 2025
Horário: 10:00H – 13:00H
Localização: BENGALA MÁGICA – ASSOCIAÇÃO DE PAIS, AMIGOS E FAMILIARES DE CRIANÇAS, JOVENS E ADULTOS CEGOS E COM BAIXA VISÃO,
Centro de Recursos: Monte Francisquinho - Rua do Assentador
Urbanização Vale Flores 2955-410 Pinhal Novo
Formadora: Ana Sofia Neves e Liliana Cardeira [Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa]
Docente responsável: Ana Bailão
Modalidade: presencial, com a combinação de demonstrações e componente prática;
Enquadramento
No ano passado, foi realizada, no âmbito do projeto de pós-doutoramento, da investigadora Liliana Cardeira, uma exposição dedicada às pinturas do Prémio Anunciação. No espaço expositivo foram introduzidos recursos acessíveis para pessoas com deficiência visual, que integram o projeto da doutoranda Ana Sofia Neves.
Pretendendo-se dar continuidade à divulgação destas obras, no âmbito da acessibilidade e inclusão de públicos com deficiências/incapacidades visuais. Neste momento através de um workshop que explore alguns dos recursos de acessibilidade usados na exposição.
Apresentação
Esta iniciativa terá como referência as pinturas do Prémio Anunciação que foram estudadas. A partir destas, o workshop será divido em três partes. Num primeiro momento, será dado aos participantes uma contextualização sobre as pinturas e concurso do Prémio Anunciação.
Na segunda parte da iniciativa os participantes podem interagir com alguns dos recursos sensoriais, que permitem identificar os animais que eram representados pelos concorrentes nas pinturas. Estes recursos fornecem informações táteis e sonoras das espécies representadas nas pinturas.
Finalmente, os participantes vão poder explorar um ambiente imersivo que conta com a instalação de uma cavalete, tela e materiais de pintura a para poderem interagir com o contexto de produção das obras. Estão a ser ainda planeadas atividades didáticas e criativas para os jovens participantes.
Objetivos
A ideia principal é levar, de forma didática, ao público com deficiência visual, informação sobre as representações e contexto de produção das pinturas do Prémio Anunciação.
Público-alvo
Atividade destinada a crianças com deficiência visual (cegas e com baixa visão), podendo ser aberta a todas as crianças que queiram participar.
Vagas: 7 pessoas
Preço: gratuito
Inscrição: A inscrição é obrigatória e deverá ser feita até 26 de junho 2025, para o e-mail heritagelab@office365.ulisboa.pt
18ª edição gab-a galerias abertas das belas-artes
Jun 06 2025 
6, 7 e 8 de JUNHO 2024 > FBAUL ABERTA AO PÚBLICO
Durante o fim de semana de 6, 7 e 8 de JUNHO de 2025 a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa vai acolher a 18ª edição das GAB-A / Galerias Abertas das Belas-Artes.
Entrada livre
Horário:
6 de junho – 18h-20h
7 e 8 de junho – 14h-20h
Este evento é passível de ser fotografado, filmado e posteriormente divulgado publicamente.
As GAB-A são, simultaneamente, um fórum de discussão e mostra de jovens artistas, de produtos de investigação artística e de obras em contexto de ensino superior artístico público, integradas no espaço físico onde são pensadas e produzidas. Não é uma exposição numa galeria, museu ou centro cultural. É a abertura dos espaços de trabalho e de investigação artística que a Faculdade de Belas-Artes encerra, num espírito de ateliê aberto.
As GAB-A são um evento de partilha aberto ao público, cujo sucesso depende da vontade dxs seus/suas participantes e das suas ambições. É um espaço informal, pontuado pela presença de jovens criadores. Um fórum / feira, onde se ensaiam questões pragmáticas como o contacto com o mercado artístico; a constituição de grupos e/ou de projetos ou a definição de estratégias para ações futuras. É um momento que se alicerça na troca de experiências, na aprendizagem e na aplicação de conhecimentos.
Nesta edição, o Pop-up de vendas decorrerá dia 5 de junho. O objetivo é proporcionar às vertentes artísticas em questão um espaço democrático, afeto ao propósito da venda, de maneira a que este não interfira com o bom funcionamento das GAB-A. Quando falamos de local de vendas, falamos de um espaço onde xs alunxs terão a oportunidade de comercializar o seu merchandising como stickers, brincos, cerâmicas utilitárias, etc. Nos dias 6, 7 e 8 de junho, durante a mostra dos trabalhos, xs alunxs terão a oportunidade de apresentar os seus trabalhos e projetos artísticos desenvolvidos ao longo dos semestres, sendo também estes passíveis de serem vendidos.
Nas GAB-A não há seleção de obras nem de participantes por qualquer entidade que não o próprio autor. Dá-se, assim, a possibilidade a cada estudante de testar a sua capacidade de decisão, de autocrítica e de autonomia. Todxs xs alunxs são convidadxs a participar. As GA-BA procuram criar um ambiente de fórum de arte contemporânea, no centro da sua origem (o próprio local de aprendizagem e de investigação), o que propicia a elaboração de questões sobre a arte e o papel que esta desempenha no mundo. Nas GA-BA estabelecem-se pontes entre todos os ciclos de ensino. Ao lado de um licenciando, podemos encontrar um mestrando ou um doutorando.
Estão convidados a participar todxs xs alunxs da Faculdade de Belas-Artes de todos os cursos e de todos os ciclos de estudos.
Os formulários para INSCRIÇÃO nas diferentes vertentes, encontram-se no LINK e na descrição do Instagram das GAB-A (@galeriasabertas2025).
Curso de Reintegração Cromática
Mai 13 202519 > 20 MAIO 2025 | 10H00 > 18H00 | SALA 3.63
Formadoras
Ana Bailão, Beatriz Doménech e Margarida Boavida
Duração
2 dias
Objetivo do Curso
Capacitar os participantes com conhecimentos teóricos e práticos em reintegração cromática, com ênfase no acerto de cor, técnicas de reintegração e uso do aerógrafo.
Público-Alvo
Conservadores-restauradores, estudantes de conservação e restauro
Preço
90€ / Participação gratuita para alunos da FBAUL
Sala
3.63
15 vagas:
- vagas para os alunos da FBAUL: 8
- vagas para público externo: 7
INSCRIÇÕES JÁ ENCERRADAS/VAGAS COMPLETAS
Solicita-se a todos os inscritos que, em caso de desistência, nos informem para o e-mail sec.presidente@belasartes.ulisboa.pt, para dar lugar a outra pessoa.
Conteúdos Abordados
- Critérios de intervenção
- Princípios éticos e deontológicos
- Técnicas tradicionais vs. inovadoras:
- Estratégias para acerto da cor e documentação
- Introdução e prática com aerógrafo: preparação, calibração, aplicação controlada de camadas cromáticas
- Exercícios práticos em suportes simulados
- Avaliação dos resultados e discussão de casos reais
Metodologia
- Exposição teórica com apoio visual
- Demonstrações
- Prática supervisionada individual e em grupo
- Discussão crítica e análise de casos
Materiais Fornecidos
- Tintas e materiais específicos para reintegração cromática
- Aerógrafo e compressor
- Suportes para prática
Formadoras
Ana Bailão: Doutora em Conservação de Bens Culturais pela Universidade Católica Portuguesa, conservadora-restauradora, professora universitária, fundadora do RECHGroup (grupo internacional de reintegração cromática), e autora de diversas publicações sobre reintegração cromática.
Beatriz Doménech: Doutora em conservação e restauro pela Universidade Politécnica de Valencia, conservadora-restauradora na mesma universidade e autora de publicações em reintegração cromática.
Margarida Boavida: Mestre em conservação de arte moderna e contemporânea com a investigação direcionada para a reintegração cromática e para o uso do aerógrafo como ferramenta de reintegração. Atualmente desenvolve a temática da reintegração cromática no âmbito do seu doutoramento.
Certificados
Os participantes receberão certificado de participação após confirmação de presença nos dois dias de formação.
Como realizar a inscrição online
A inscrição é realizada exclusivamente on-line, através da plataforma FenixEdu.
Antes de efetuar a sua inscrição on-line leia atentamente as instruções abaixo. Em caso de dúvidas contacte através do email sec.presidente@belasartes.ulisboa.pt ou do telefone +351 213 252 1 09.
- Para efetuar a sua inscrição on-line deverá aceder ao sistema FenixEdu e autenticar-se com os dados da sua conta edu@ULisboa.
- Caso não tenha frequentado qualquer curso (Licenciatura, Pós-Graduação, Mestrado ou Doutoramento) na Faculdade de Belas-Artes e não possua conta edu@ULisboa, deverá necessariamente realizar um pré-registo na aplicação FenixEdu AQUI
- NOTA: Têm ocorrido alguns problemas no envio de mensagens para a realização do pré-registo para endereços com os seguintes domínios: @netcabo.pt; @hotmail.com; @vodafone.pt. Como o motivo das falhas da entrega é alheio à ULisboa, caso o seu email seja de um desses domínios, informamos que não podemos garantir que as notificações do processo de candidatura sejam entregues atempadamente. Nestes casos, sugerimos que se inscreva com uma conta @gmail.com.
- Após aceder à aplicação, deverá selecionar o separador Candidaturas. Seguidamente, deverá criar a sua candidatura, escolhendo o evento em que se quer inscrever. Após estes passos, deverá preencher os dados solicitados no formulário eletrónico.
- No caso de haver valor a pagar, a inscrição on-line apenas se tornará válida após o pagamento da respetiva propina, sendo para o efeito disponibilizada uma referência multibanco. Caso não seja efetuado o pagamento até à data indicada, o processo será anulado.
pigmentos e corantes com história
Mai 07 2025
11 ABRIL > 10 MAIO 2025 I BILIOTECA FACULDADE BELAS-ARTES UNIVERSIDADE LISBOA
Inaugura no dia 10 de abril às 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, a exposição Pigmentos e Corantes com História. A exposição ficará patente até 10 de maio.
Esta exposição integra a programação do DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS.
Desde a pré-história, o ser humano possui um impulso inato de deixar a sua marca através da criação de obras de arte. Esse desejo impulsionou a procura constante por pigmentos mais eficientes e duradouros para a criação de tintas. Esta exposição percorre a história de alguns pigmentos e corantes fundamentais, desde os pigmentos terrosos utilizados pelo homem primitivo na decoração das paredes das cavernas até aos materiais colorantes sintéticos desenvolvidos em épocas mais recentes.
Apesar dos avanços tecnológicos, a paleta do artista continua a ser uma fusão entre os pigmentos usados na pré-história, os materiais naturais da Idade Média e os compostos sintéticos orgânicos modernos. Esta exposição apresenta a história de alguns desses materiais, desde os pigmentos naturais da pré-história até aos compostos sintéticos modernos, destacando em cinco vitrinas temas como aglutinantes, toxicidade, degradação e técnicas de conservação e restauro.
Curadoria: Ana Bailão, Ana Carolina Ferreira, Diana Ferreira e Margarida Boavida
Coordenação Científica: Ana Bailão
Com o apoio de Maria João Albergaria, Pedro Gaurim Fernandes, Sara Henriques
workshop au soir
Mai 01 2025
13 MAIO 2025 I SALA 3.63
Este workshop tem como objetivo dar a conhecer a obra, os materiais e as técnicas, bem como os danos e as estratégias de conservação da pintura Au Soir, da autoria de Artur Alves Cardoso. A sessão é especialmente dedicada a pessoas cegas e amblíopes, promovendo a acessibilidade e a inclusão. No entanto, outras pessoas interessadas no tema também podem inscrever-se e participar
Assim, os interessados deverão inscrever-se enviando email para: heritagelab@office365.ulisboa.pt
Formadora: Ana Sofia Neves [Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa]
Docente responsável: Ana Bailão
Horário: 10h-13h00
Local: Sala 3.63
Público-Alvo: cegos e amblíopes
Vagas: 7
Preço: Gratuito
Inscrição: OBRIGATÓRIA para o email heritagelab@office365.ulisboa.pt
Solicita-se a todos os inscritos que, em caso de desistência, nos informem para o mesmo e-mail, para dar lugar a outra pessoa.
As belas-artes na futurália
Mar 10 202526 > 29 MARÇO 2025 | FIL
De 26 a 29 de março, a Faculdade de Belas-Artes estará presente na Futurália, que se realiza na FIL, no Parque das Nações.
Venha-nos visitar no stand da Universidade de Lisboa e descobrir tudo o que as Belas-Artes têm para oferecer.
Estamos à sua espera!
Exposição Prémio Anunciação – Conservação e Restauro das Obras Académicas
Fev 23 202528 NOVEMBRO 2024 > 28 FEVEREIRO 2025 | GALERIA DA ACADEMIA NACIONAL DE BELAS-ARTES
No dia 28 de Novembro, pelas 17h00, inaugura na Galeria da Academia Nacional de Belas-Artes a exposição Prémio Anunciação – Conservação e Restauro das Obras Académicas, com a coordenação científica de Ana Bailão e Liliana Cardeira e curadoria de Liliana Cardeira.
Visitas guiadas por marcação: heritagelab@office365.ulisboa.pt
O Prémio Anunciação foi instituído a 25 de julho de 1884, em honra do pintor Tomás José da Anunciação, Professor do Curso de Pintura de Paisagem na Academia Real de Belas-Artes de Lisboa (ARBAL). A competição era destinada exclusivamente aos alunos dos cursos de Pintura Histórica e de Pintura de Paisagem. Os participantes tinham de representar figuras de animais a partir da observação direta, quer no interior, quer no exterior, ficando a composição ao critério do aluno. Nesta prova, foram representados os seguintes animais: burro, cavalo, mula, boi, vaca, ovelhas, cabras, patos e coelhos.
Esta investigação permitiu localizar 36 pinturas referentes a este concurso nas Coleções de Pintura da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e da Academia Nacional de Belas Artes.
Na intervenção de conservação e restauro, o principal critério adotado foi o da intervenção mínima, que consiste em realizar os tratamentos necessários com o menor número possível de alterações ou adições a uma obra, preservando a sua integridade original e assegurando a estabilidade estrutural das peças. Esta metodologia permitiu, por um lado, manter a continuidade das histórias das obras, evitando a perda de informações relevantes, e, por outro, garantir a uniformidade no tratamento de todo o conjunto de pinturas do Prémio Anunciação.
Pretende-se nesta exposição implementar recursos táteis e auditivos que envolvam todos os visitantes, de uma forma acessível e inclusiva, numa experiência sensorial sobre as representações das pinturas. Estes recursos potenciam várias dinâmicas, como por exemplo, iniciativas didáticas para público infantil, onde se podem explorar os animais representados, através dos sentidos.
Santuário de Nossa Senhora da Lapa recebe escultura e réplica após o estudo e tratamentos de conservação e restauro realizados no Heritage Lab da FBAUL
Jan 21 2025
O Santuário de Nossa Senhora da Lapa, em Sernancelhe, recebeu no dia 14 de dezembro, a escultura em pedra de Ançã após a intervenção de conservação e restauro de “Nossa Senhora da Lapa Esquecida”. Esta intervenção, realizada nas instalações do laboratório de conservação e restauro da FBAUL, Heritage Lab, visou o estudo da obra e o seu tratamento cromático, bem como a produção de uma réplica. Este trabalho contribui para a preservação de uma das imagens mais antigas do Santuário, do século XVI, conhecida pela lenda da pastora Joana, que encontrou a imagem original de Nossa Senhora da Lapa escondida num grande rochedo onde foi construída a igreja.
Lançamento da revista “Encontros no Largo das Belas-Artes”
Dez 10 2024Com esta publicação a revista “Largo das Belas-Artes” cumpre o seu objetivo de proporcionar a edição de projetos e de encontros científicos promovidos no âmbito das atividades de investigação do doutoramento em Belas-Artes, na especialidade de Ciências da Arte e do Património.
dia das belas-artes 2024
Out 24 2024
25 OUTUBRO 2024
No dia 25 de outubro a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, a instituição de ensino artístico mais antiga de Portugal, comemora os 188 anos da sua fundação, então designada por Academia de Belas-Artes, da qual é hoje sucessora.
Nesta data comemora-se o Dia das Belas-Artes com diversas atividades culturais abertas à comunidade académica e ao público em geral.
Exposições, espaços de trabalho e de investigação artística, reservas e acervos estarão abertos ao público.
Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.
PROGRAMAÇÃO:
CONFERÊNCIAS
ENTRE FAZERES NO DESIGN: Portugal & Brasil
O evento estabelece-se como uma plataforma cultural de encontro e troca de saberes entre designers portugueses e brasileiros. Pretende-se que a aproximação da identidade entre Portugal e o Brasil estabeleça pontos de contacto no design, possibilitando refletir sobre os percursos dos autores que falam a mesma língua.
O evento conta com a presença do Reitor da Universidade de Lisboa, Professor Doutor Luís Ferreira.
Auditório Lagoa Henriques
25 > 26/10/2024 > 09h00
+INFO
XI Congresso Internacional Matéria-Prima: Agir e interagir na educação artística, hoje
Neste congresso é lançado o desafio, aos professores e investigadores em ensino das artes visuais, de partilhar novas perspetivas operacionais de desenvolvimento curricular com focagem nos seus resultados concretos.
Grande auditório
25/10/2024 > 09h00
+INFO
Lançamento do livro JORGE PINHEIRO a Quietude das Imagens Perdidas
de Carlos Vidal
Capela Belas-Artes
25/10/2024 > 15h30
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EXPOSIÇÕES
DESIGN FUTURES – Diálogo de Gerações
Com curadoria da professora designer Ana Mestre e com a participação de designers e investigadores de diferentes gerações. DESIGN FUTURES é um projeto apoiado pela Direção Geral das Artes do Ministério da Cultura
Galeria
25/10 > 25/11/2024
Cocktail de Inauguração: 25 de Outubro com início às 15h
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Matérias Emergentes: um mapeamento de objetos epistémicos da investigação artística académica em Portugal (2011-2022)
EMERGING é um projeto de investigação exploratório financiado pela FCT (DOI:10.54499/2022.06772.PTDC), que se desenvolve a partir da experiência de artistas, investigadores e professores universitários colocados em posições estratégicas em várias instituições e centros de investigação do ensino superior artístico em Portugal.
A exposição é itinerante e estará patente também no Colégio das Artes da Universidade de Évora entre 07 a 18 de Novembro 2024 e no Museu da FBAUP entre 6 a 17 de Janeiro 2025.
Corredor do Auditório Lagoa Henriques
16 > 30/10/2024
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About to Grow
A exposição apresenta uma série de biomateriais desenvolvidos pelos estudantes de Sustentabilidade e Inovação Social da Licenciatura em Design de Equipamento, trazendo a interseção entre materiais naturais e o design sustentável, inspirados pelo projeto Grow Design de Elvin Karana.
Capela
22 > 31/10/2024
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VISITAS GUIADAS
INSCRIÇÕES ENCERRADAS
_Visita guiada ao Convento de S. Francisco da Cidade
Prof. Eduardo Duarte
11h00
Ponto de Encontro: entrada da Faculdade
Número limite: 20 participantes
_Visita guiada ao Acervo Internacional de Gravura Contemporânea da FBAUL
Prof. José Quaresma
Sala 3.72
14h00
Número limite: 30 participantes
ATENÇÃO: Considerando que existe um número limitado para cada uma das visitas, no caso de desistir agradecíamos que nos informasse através do e-mail comunicacao@belasartes.ulisboa.pt, para dar a vez a outra pessoa em lista de espera.
Nas restantes visitas a entrada é livre nos horários aqui apresentados:
_Mostra dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos nas áreas do Vidro e do Mosaico e visita à área dos fornos de Vidro
Prof. Fernando Quintas
Sala 1.13
Horário: 11h/13h
Entrada Livre
_Visita ao Laboratório de Desenho
Prof. Henrique Costa, Prof. Tiago Batista
Sala 2.35
Horário: 15h/18h
Entrada Livre
_Visita ao Heritage Lab
Profª Ana Bailão
Sala 3.63
Horário 10h/13h
Entrada Livre
Investigações em Conservação do Património (ICP 2024) 5º Congresso Ibero-Americano. Inovação Digital na Preservação do Legado Cultural
Out 18 2024
17 > 19 OUTUBRO 2024 I AUDITÓRIO ROIG DA FACULDADE DE BELAS ARTES DA LA UNIVERSITAT POLITÈCNICA DE VALÈNCIA
Instituições envolvidas na Organização:
- Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa
- Cátedra UNESCO Fórum, UPV
- Instituto Universitario de Restauración del Patrimonio, UPV
- Departamento de Conservación y Restauración de Bienes Culturales, UPV
- Área de Fondo de Arte y Patrimonio, UPV
Apresentação
Preservar o nosso património cultural é construir uma ponte entre o passado e o futuro, onde cada pedra conta uma história inestimável.
Na fascinante intersecção entre passado e presente, onde a história se encontra com a vanguarda, a inovação digital apresenta-se como uma ferramenta crucial para a preservação do legado cultural. No contexto da conferência Investigações na Conservação do Património – ICP 2024, exploramos as fronteiras da tecnologia e do património cultural, concentrando-nos em ferramentas digitais e estratégias inovadoras que estão a moldar o futuro da conservação e restauro.
A nossa disciplina não envolve apenas a proteção física dos bens culturais, mas também a criação de pontes entre gerações que permitam que as narrativas históricas perdurem na era digital. Nesta jornada de investigação, investigamos a riqueza da criatividade humana, enquanto examinamos como as soluções digitais captam a essência do passado e abrem portas a novas formas de compreensão no domínio da experiência cultural.
Considerando as grandes instituições culturais e as complexas intervenções de conservação e restauro, mas também projetos mais pequenos e soluções sustentáveis adaptadas a recursos limitados, pretendemos traçar o panorama da inovação digital na preservação do património. Embarcamos numa jornada onde a adaptabilidade e a resiliência se encontram com a tecnologia e onde as comunidades locais podem desempenhar um papel vital na construção de um legado sustentável para as gerações vindouras.
Através deste congresso esperamos inspirar diálogos que transformem positivamente a forma como concebemos e preservamos o nosso valioso património cultural na era digital.
Bem-vindo a um espaço onde a tradição e a tecnologia convergem para forjar um futuro onde o legado cultural prospera com vitalidade renovada.
Chamada de Trabalhos
Temos o prazer de convidá-lo a enviar o resumo da sua contribuição para o V Congresso Ibero-americano de Investigações em Conservação do Património (ICP 2024), subordinado ao tema Inovação Digital na Preservação do Legado Cultural que decorrerá na Faculdade de Belas-Artes da Universitat Politècnica de València entre 17 e 19 de outubro de 2024.
Tenha em consideração as seguintes datas para envio de resumos:
– Prazo para envio de trabalhos: 19/05/2024
– Notificação de aceitação ou rejeição de comunicações: 09/06/2024
– Inscrição de autores: Após a aceitação da comunicação, é imprescindível que pelo menos um dos autores esteja inscrito no congresso até 15/07/2024.
- Publicação das atas: Concluído o congresso, a Comissão Organizadora entrará em contacto com os autores para lhes fornecer as instruções para a apresentação dos artigos que farão parte das atas. Para o efeito, os autores comprometem-se a assinar a declaração de propriedade da obra e de cedência de direitos.
- Para a redação do artigo final, que fará parte das atas da conferência, os autores comprometem-se a respeitar as orientações estabelecidas pela comissão organizadora, bem como as regras de estilo do modelo que lhes será fornecido.
Mais informações no site da conferência: https://cultura.upv.es/actividades/content/congresos_jornadas/content/2024_icp/cas/index.html
Da mesma forma, para esclarecer qualquer dúvida pode escrever para o email: icp2024@upv.es
COMISSÃO ORGANIZADORA ICP 2024
Política de avaliação original
Todas as comunicações serão submetidas a revisão por pares cegos. A seleção será feita pela comissão científica do congresso, de acordo com a sua originalidade, interesse, rigor metodológico e clareza expositiva.
Prolongamento até 9 de outubro /Open Call FBAUL / LAUREL Vista Alegre + 200 anos
Out 09 2024DATA DE ENTREGA PROLONGADA ATÉ 9 DE OUTUBRO 2024
A 15 de Outubro de 2024 a Laurel Associação Portuguesa de Marcas de Luxo e Excelência, membro da ECCIA European Cultural and Creative Industries Alliance, vai realizar uma conferência em Lisboa com o titulo Laurel Brands Luxury Summit no Museu do Tesouro Real (www.tesouroreal.pt).
Será a primeira vez que Portugal terá uma conferência deste género, onde estarão presentes os maiores especialistas mundiais no que concerne à criação e gestão de marcas de luxo e excelência. O nosso objetivo é trazer a Portugal os que há já muitos anos trabalham as marcas e os mercados mundiais de luxo, com outra dimensão e consistência. Será um momento de partilha de conhecimento, storytelling e networking. Esta conferência pretende igualmente ser um ponto alto da estratégia da LAUREL, o de colocar as marcas portuguesas no radar das melhores do mundo.
Âmbito:
A open call FBAUL / LAUREL Vista Alegre + 200 anos é promovida pela FBAUL e LAUREL, ao abrigo de um protocolo de cooperação, com o objectivo de criar e/ou apresentar uma “criação/conceito de obra” para ser oferecida à Vista Alegre, no evento Laurel & Vista Alegre 200 years – Luxury Brands Summit Lisbon a ter lugar no dia 15 de outubro de 2024 no Museu Tesouro Real Palácio Nacional da Ajuda. À “criação/conceito de obra” selecionada, será destinada uma verba para execução de suporte de apresentação da mesma. A pessoa autora da “criação/conceito de obra” selecionada, será agraciada pela LAUREL com a participação no evento supracitado, ficando esta encarregue de apresentar pessoalmente a sua criação ao representante da Vista Alegre.
O objectivo específico é o de desenvolver uma visão de futuro sobre a forma de “criação/conceito de obra” para apresentar à Vista Alegre, na comemoração dos seus 200 anos, que, tendo em conta a importância cultural da Vista Alegre nos últimos 200 anos (1824-2024), perspective uma visão criativa do que deverá ser uma peça da Vista Alegre daqui a duzentos anos, ou seja, em 2224.
Categoria – criação/conceito obra – visão de futuro:
Partindo do principio que um conceito de futuro poderá ser desenvolvido em qualquer das linguagens das áreas de conhecimento da FBAUL (arte multimédia, desenho, design, escultura e pintura), são aceites submissões de “criação/conceito de obra” que reflita o conceito “uma peça da Vista Alegre daqui a duzentos anos, ou seja, em 2224” da forma que for considerada mais pertinente.
Elegibilidade:
A open call é dirigida exclusivamente a estudantes matriculados no 1º e no 2º ciclo de estudos da FBAUL.
A ficha de inscrição, bem como todos os pedidos de informação, devem ser enviados para o email a.lia@belasartes.ulisboa.pt
Júri:
O Júri é constituído por um representante da LAUREL e 6 docentes de diferentes áreas departamentais da FBAUL, que garantem o enquadramento pedagógico e científico da open call.
Datas Importantes:
- 27.09.2024: Lançamento da open call;
- Até às 12h de dia 09.10.24: Entrega das propostas, via e-mail para o endereço eletrónico a.lia@belasartes.ulisboa.pt ou pessoalmente no Gabinete de Relações Externas e Comunicação da FBAUL;
- 10.10.24: período de seleção;
- 10.10.24: Comunicação da “criação/conceito de obra” selecionada no site da FBAUL e LAUREL;
- Até ao dia 13.10.24: Produção do suporte de apresentação da “criação/conceito de obra” selecionada, devendo uma unidade ser registada em suporte digital (independentemente do formato) para figurar no repositório da Universidade de Lisboa;
- 15.10.24: O suporte de apresentação da “criação/conceito de obra” é entregue pela pessoa autora ao representante da Vista Alegre durante a conferência Laurel & Vista Alegre 200 years – Luxury Brands Summit Lisbon”.
Projeto de Design Gráfico para o Museu Jorge Peixinho (Montijo)
Out 02 2024O Projeto de Design Gráfico para o Museu Jorge Peixinho (Montijo), desenvolvido pelo Prof. Jorge dos Reis, foi selecionado por um júri internacional e irá representar Portugal na Bienal Iberoamericana de Design, em Madrid.
Para este projeto o Prof. Jorge dos Reis realizou a identidade visual consolidada do Museu Jorge Peixinho; um alfabeto tipográfico, fonte generativa, que leva o nome do compositor e a elaboração museográfica nas paredes do espaço.
O Projeto de Design Gráfico para o Museu Jorge Peixinho vai fazer parte da semana inaugural da BID, que decorrerá de 8 a 13 de Outubro, na Central de Diseño, Matadero, Madrid, e depois na exposição geral na Central de Diseño, Matadero, Madrid, de 8 de Outubro de 2024 a 5 de janeiro de 2025, bem como do catálogo deste evento.
Mais ainda sobre este projeto:
O programa museológico global deste espaço partiu de uma encomenda da Câmara Municipal do Montijo uma equipa alargada, constituída por docentes da FBAUL investigadores do CIEBA.
Refira-se ainda que o programa museológico foi da autoria do Prof. Luís Jorge Gonçalves e o projeto de design de equipamento da autoria do Prof. José Viana, tendo ainda participado alunos e colaboradores da nossa Faculdade, em diferentes campos da ação do espaço museológico.
Memória descritiva e justificativa
Foi observando demoradamente as partituras do Compositor e Maestro Jorge Peixinho, bem como as notações gráficas da escola de Darmstadt, onde o Maestro montijense estudou, que se desenvolveu o projeto de design gráfico para o Museu Jorge Peixinho, no Montijo. Uma análise dual esteve presente nos primeiros esquissos, desenhos de mediação, onde o traço regulador do lápis procurou, por um lado, estudar a utilização dos símbolos musicais naturais da notação ocidental, de modo vanguardista, remetendo para herança de Pierre Boulez; por outro lado, convocar uma determinada visualização de artifícios gráficos apreendidos, vertidos na obra do seu professor, Karlheinz Stockhausen.
A proposta para o projeto de design gráfico do Museu Jorge Peixinho é constituída por dois elementos principais: em primeiro lugar, uma identidade visual consolidada, dinâmica, que toma três fisionomias gráficas, em articulação e harmonia com as valências da instituição; em segundo lugar, um alfabeto tipográfico, denominada Tipo de Letra Jorge Peixinho, servindo prioritariamente o logótipo e os múltiplos suportes de escrita museográfica necessários ao programa museológico do espaço específico.
1. Partindo da uma semínima e de uma mínima, símbolos da notação musical do ocidente, construiu-se uma identidade visual consolidada, dinâmica, para o símbolo da instituição, assim operacionalizando uma permanência formal e uma mudança estilística, também ela paradoxal.
2. Desenvolveu-se uma fonte tipográfica generativa, desenhada com critérios musicais e composicionais, já que o tipo de letra se distribui graficamente sobre uma estrutura visual que corresponde a uma pauta musical, funcionando de modo idêntico ao sistema de notação convencional, constituído por cinco linhas. O seu design gráfico contemporâneo e desafiador está em harmonia com a linguagem da música contemporânea de Jorge Peixinho, solicitando um leitor atento ao grafismo e à escuta musical, tornando-se de modo fluido num artefacto cultural da cidade do Montijo, pelo que será um novo elemento de identidade cultural local, assente em formas visuais do presente, sem medo do contemporâneo. O Tipo de Letra Jorge Peixinho, display type, é coadjuvado por uma fonte tipográfica, text type, que é utilizada em texto, para corpos reduzidos de leitura, na superfície da parede e nos suportes em papel.
Desta forma, entre a composição tipográfica e a composição musical, se foi definindo a harmonia do conjunto.
Jorge dos Reis / 2023-2024
está aberta a nova fase de candidaturas aos cursos pós-graduados
Set 16 2024
Encontra-se aberta a nova fase de candidaturas aos cursos pós-graduados da Faculdade de Belas-Artes, nomeadamente:
Digital Experience Design (anual)
Discursos da Fotografia Contemporânea (anual)
Arte Sonora: Processos Experimentais (a decorrer no 2.º semestre)
Artes Sonoras: Práticas e Tecnologias de Criação (a decorrer no 1.º semestre)
Ilustração Científica (a decorrer no 1.º semestre)
Ilustração e Narrativa Visual (a decorrer no 2.º semestre)