• pt
  • en
  • staff |
  • Alunos |

newsletter

faculdade de belas-artes da universidade de lisboa
  • escola
  • cursos
  • candidaturas
  • mobilidade
  • investigação
  • biblioteca
  • eventos
  • galeria
  • loja
  • contactos
Homemonumento-nu — exposição de letícia larín

monumento-nu — exposição de letícia larín

E_25_Monumento-Nu (002)

02 > 19 SETEMBRO 2025 I CORREDOR LAGOA HENRIQUES

Inaugura no dia 02 de setembro, às 17h00, no corredor do Auditório Lagoa Henriques da Faculdade de Belas-Artes  a exposição Monumento-Nu de Letícia Larín, com a colaboração de Roberto Chipe, Kunhã Ysapi e Ariel Komé. 

Este evento é passível de ser fotografado e filmado e posteriormente divulgado publicamente.

Horário:  2ª a sábado – 11h00 às 19h00


 

Monumento-Nu é a terceira e última exposição individual resultante do meu doutoramento em Escultura na FBAUL. A primeira, Fuuu… (Sopro) Tááá: Marãny,  abordou o termo que me foi oferecido pelo xamã Roberto Chipe –Fuuu… (Sopro) Tah: Marãny–, e a segunda, Cemitério Indígena: Movimentos ao Autoexílio Kaiowá e Guarani, elementos das culturas materiais Kaiowá e Guarani que entendi como os mais afins ao monumento ocidental –kurusu (cruz) tumular, óga pysy e óga guasu (casas de reza, respetivamente, Kaiowá e Guarani) e yvyra marãngatu e tata rendy henda’i (tipos de “altar”, respetivamente, Kaiowá e Guarani). O presente conjunto de trabalhos, por sua vez, pontua o percurso que visou objetivamente projetar o monumento-nu Fuuu… (Sopro) Tah! Marãny: Cemitério Indígena.

Mobilizada pelo ímpeto de apoiar a luta e conhecer as cosmovisões indígenas Kaiowá e Guarani, o principal objetivo da minha tese foi elaborar um monumento a esses povos para Portugal. O foco na região de Dourados deu-se por ela ser, no Brasil, das mais violentas com respeito a pessoas originárias, devido a interesses do agronegócio, à presença de igrejas pentecostais, à proximidade entre a cidade e a Reserva Indígena de Dourados, a preconceitos com os modos tradicionais de ser –teko porã (Bem Viver)– etc. Por outro lado, aí também é intensa a resistência indígena, através de retomadas e das grandes assembleias Kaiowá e Guarani.

O monumento, por sua vez, é dos elementos ocidentais mais explicitamente impregnados pela discursividade do poder a ser imposta à população. O trato com esses esquemas de nítidos conflitos deveu-se à busca por revelar com alto contraste as problemáticas que os permeiam, desencadeadas pela invasão, colonização, exploração e submissão de Abya Yala (América), e que seguem a vigorar por civis nacionais que primam pelo acúmulo egoísta e ignoram o compêndio histórico que instaurou o sistema de atual predomínio, o qual, por sua vez, não logrou extinguir a diversidade de maneiras de se viver. Propus-me ainda, abertamente, ao risco do fracasso, para testar verdadeiramente certos limites.

Nesta mostra está um recorte dessa investigação onde o monumento foi diretamente reflexionado, por projetos e experimentos processuais realizados em Lisboa, e também em Dourados, onde estive por seis meses a desenvolver um trabalhou de campo. Além do tipo de caderno de campo “Caixa Verde”, algumas peças surgiram da colaboração com Roberto Chipe, Kunhã Ysapy e Ariel Kowé. A problemática de criar um monumento junto a culturas que não contemplam esse conceito ocidental, foi trabalhada principalmente pela escuta e abertura mental, e é por essa dinâmica de fratura da mentalidade ocidental que se apresentam, ainda, alguns esquemas reflexivos.

A performance e a intervenção no espaço urbano, tanto num âmbito concreto quanto imaginário, emergiram como estratégias para estabelecer relações sensíveis com monumentos “duros” e impávidos. Foi também bastante trabalhado o estratagema da armadilha. Assim como “conquistadores” penduravam sedutores artefactos em vidro e metal em meio à floresta para atrair indígenas, fase prévia à persuasão que se chamava “namoro”, o presente monumento-nu seguiu as indicações do líder espiritual Kaiowá Chipe e se fez com o formato de uma cruz.

A zona auferida para a instalação do presente monumento foi a de Belém, em Lisboa, e desenvolvi o conceito de “monumento-nu” devido à ideia de que os adornos originários –sejam diademas, pinturas corporais, ou mesmo sementes e enfeites em penas a conformar chocalhos– são escolhidos para que se mostre publicamente quem se é. Com isso, a arte de adornar é a de transparecer quem se é, de comunicar à comunidade sobre si com a maior honestidade e precisão possível. Daí advém a ideia de que, quanto mais se é adornado, mais se é nu.

No presente caso, o aspeto que mais ressalta é a mencionada cruz. Ela é de fato uma presença nitidamente reconhecível pelos Kaiowá e Guarani, mas para ser captado por pessoas brancas, é necessário que essas se dispam, abram-se ao que não conhecem. É certo que essa obra aqui projetada chama a atenção de adeptos do cristianismo, e os leva a reflexionar sobre o seu sentido: essa é a armadilha. Pois na realidade, essa cruz é o chiru kurusu (cruz de chiru), o elemento mais poderoso das cosmovisões Kaiowá e Guarani.

O chiru kurusu ministra fenómenos e instâncias espirituais, e pode inclusive causar o cataclismo. É dele que depende o equilíbrio da Terra, e é por isso que ele não deve estar nervoso, pois se assim ele ficar, o planeta pode desabar. O chiru kurusu fica no centro da casa de reza e representa o principal, isto é, a ou o líder –tanto quanto à espiritualidade, à política etc.–, e é sustentado por dois paus laterais, que representam a comunidade a erguer aquele ou aquela que a guia. Caso esse ou essa principal deixe de mostrar-se verdadeiramente, o grupo ao seu redor deixa de erguê-lo ou erguê-la e segue por outro caminho. Fica assim, por fim, a potente ideia de podermos seguir para outros lados, de nos transformarmos em outras vidas.

 

Exposição patente de 28 de agosto a 19 de setembro

Prova de Doutoramento: 10 de setembro às 14h30 na sala 2.07

Júri: Sandra Tapadas [presidente], Nuno Faria [1º arguente], Manuela Ribeiro Sanches [2º arguente], Marta Soares, Helena Elias, Ângela Ferreira, Carlos Vidal [orientador].

Tags:
Ago 26 2025 · Arte, Escultura, Exposições, Informações, Performance

Leave a Comment - cancel reply

Tem de ter a sessão iniciada para publicar um comentário.

    • workshops saúde mental & bem-estar na ulisboa – setembro 2026

    • A ser caminho Não há mapa para quem está A ser caminho – exposição finalistas pintura 2024-2025

    • entre pontos e desvios – exposição coletiva

    • SAVE THE DATE | 17 SETEMBRO 2026 | A ULISBOA DÁ AS BOAS-VINDAS AOS SEUS ESTUDANTES

    • Welcome Day 2026 – Bem-vindo à Universidade de Lisboa!

    • traje para todos — exposição de ana margarida valente

    • mentoria fbaul 2026-2027 — candidaturas

    • concurso de arte e design da medalha forges 2026 — menção honrosa para joão maria sousa

    • Minimalistic vence Red Dot Design Award

    • em trânsito – exposição

canal de denúncia acessibilidade privacidade cookies ficha técnica reporting channel accessibility privacy cookies datasheet
ulisboa logo
Homemonumento-nu — exposição de letícia larín
↑
  • escola
  • cursos
  • candidaturas
  • mobilidade
  • investigação
  • biblioteca
  • eventos
  • galeria
  • loja
  • contactos